Zirigdum, telecoteco e milhões na avenida
“Carnaval” - Di Cavalcanti (1954)
Esse ano o ano começa mais cedo. Dia cinco de fevereiro o brasileiro comemora mais um Ano Novo, de acordo com o calendário putariano. Muito preservativo no bolso, bebida pra dar e vender. No lugar do branco, alegorias. No lugar do barulho dos fogos, uma bateria de escola de samba. Troca-se champanhe por cerveja, areia por confete e sete ondas por Sete Lagoas. Pronto, é carnaval!
Faço uma pausa, em partes, na Publicidade e pego carona no tema do último artigo do Ricardo para falar sobre o mercado carnavalesco e os milhões de reais que ele movimenta.
O feriado mais importante e aguardado do país não os é à toa. Enquanto você se prepara pensando em quantas línguas vai lamber ou quantos litros de baba de terceiros vai armazenar nas micaretas desse Brasil de meu deus, empresas privadas e governo investem pesado por todo o país. É claro que as cidades de Salvador e Rio de Janeiro são as que recebem mais investimentos, como os 2 milhões de reais do Bradesco – que vai pipocar entre os soteropolitanos, e entre outros lugares, no camarote Expresso 2222 – e os 12 milhões que o governo federal liberou para as doze escolas de samba do grupo especial carioca.
Mas não pára por aí. O loverboy dos publicitários paulistanos, Gilberto Kassab, já havia liberado, em outubro, quase 19 milhões para o carnaval de São Paulo. Na ocasião, ele disse “Queremos fazer cada vez mais um carnaval à altura da cidade de São Paulo. Um carnaval que possa trazer turistas, que gere empregos e, principalmente, um carnaval que seja uma grande festa”. Que bom! “Que gere empregos”, agora os “vagabundos” que sustentavam suas famílias colando outdoor já podem, enfim, trabalhar como madrinhas de bateria. Aliás, só um parêntese, gostaria de saber como vai ser essa “grande festa”, já que o nosso prefeito detesta barulho e gritaria. Acho que vai ser uma feira.
Mas esses milhões não são privilégio dos chamados grandes carnavais, não. Em Recife e Olinda, não menores em importância, foram investidos 31,7 milhões de reais para 2008 e em Cabo Frio, 7 milhões. Isso sem falar nos carnavais de rua das cidades mineiras, como Ouro Preto, Caxambú e Guaxupé, que atraem jovens dispostos (se é que você me entende) de todos os lugares.
Enfim, estes são só alguns exemplos numéricos para se ter uma idéia do montante que se movimenta no país para que, a cada ano, mais turistas, brasileiros e estrangeiros, gastem por aqui. E tudo isso sem ao menos citarmos outros segmentos que lucram, e muito, nessa época, como cervejas, camisinhas, têxtil (fabricação de abadás, fantasias etc.), agências de turismos e companhias aéreas.
Ufa! Agora, diga-me: o ano, realmente, só começa depois do carnaval?
Grande abraço, use camisinha e sobe o samba!
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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É Ale, muita grana rolando…
Mas o ano já começou faz tempo.
Uma parte da grana poderia ser investida em algo mais rentável pro país, enfim…O meu ano começou há muito já.
Tatiana - Último artigo em seu blog: Verão?
Alessandro, o ano já começou em miudos, desde o ano passado.
Ah, e a vaga de madrinha de bateria que o Kassab arrumou para o pessoal foi boa heim, mas será que ele vai impedir de colarem algumas mídias no Sambódromo?
Abraços.
Tiago Fidelis Moralles - Último artigo em seu blog: Alô alô, planeta terra chamando
Eu acho…
Marquito - Último artigo em seu blog: 2008 vem ai
Tiago, acredito que os patrocinadores do carnaval paulistano tenham suas marcas expostas no Sambódromo e seus arredores, sim. Assim como ele, Kassab, “permitiu” aos patrocinadores do Reveillon na Paulista.
Abraços!
Alessandro Ribeiro - Último artigo em seu blog: Um dia continua (a continuação)
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