Você usa o que aprende ou você aprende o que usa?
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O artigo de hoje pode começar e terminar aqui. Aliás, ele nem precisava dessas duas ou três linhas. O artigo de hoje, na verdade, é só o título e nada mais. Não há um motivo forte suficiente para eu discorrer sobre o assunto, muito menos para eu tomar o seu tempo com palavras que, no final, resultarão na pergunta-título. O único motivo de eu ainda estar escrevendo é o compromisso que eu assumi com a Casa do Galo em publicar, quinzenalmente às quintas-feiras, um artigo sobre o que me desse na telha e que interessasse aos leitores afoitos por informação e pela discussão de assuntos relacionados à publicidade. E eu estou cumprindo meu papel, mesmo que eu não coloque aqui mais do que estas palavras sem importância. Porque, como eu já disse, o artigo resume-se à pergunta-título. E, por conta disso, o máximo que farei é explicar porque ele se encerra no próprio título. E para isso, não precisarei de mais do que a seguinte frase: um artigo, na maioria das vezes, pretende incitar a reflexão de quem o lê. Pronto.
Este artigo se explica em seu título. E a coisa já está ficando redundante. Mas eu tenho que continuar. Porque tudo o que é muito simples e óbvio parece equivocado e, por isto, errado (total ou parcialmente). Porque a virtude de saber argumentar por linhas e linhas a fio e com assertivas tão confusas quanto incontestáveis é o que dá ao texto seu caráter persuasivo. Pelo menos foi esta, entre muitas outras, uma das lições que Schopenhauer ensina em seu Como vencer um debate sem precisar ter razão. E eis aqui mais uma lição do livro: citação. Citar é importantíssimo, dá credibilidade e eleva o texto à posição de inquestionável. Porque ele tem embasamento. E você, leitor da Casa, por ser uma pessoa de altíssima estirpe e intelectualidade, já deve ter clicado ou clicará o link do livro que mencionei, pois desejará tê-lo em sua biblioteca particular. Mas prefiro adiantar: esta obra do Schopenhauer está esgotada. (Maybe in Amazon you find it, but only in foreign languages, but that’s not a huge matter, right? Anyway, I doubt you find it).
Mesmo assim, você, leitor da Casa, já totalmente incluso na era digital e conhecedor das mais variadas tecnologias (muito mais do que eu, posso apostar), entende muito bem que hoje o mundo está mais crítico; as pessoas estão mais exigentes, têm mais acesso à informação e estão com o poder nas mãos que mexem seus dedinhos incansáveis sobre teclas desgastadas de desktops e laptops cada vez melhores.
Então não posso simplesmente chegar aqui e disfarçar. Você irá perceber. Tenho que mostrar o que sei e tenho que incentivá-lo a refletir sobre o tema que proponho. Quero fazê-lo olhar para dentro de si e ao redor e perceber se aquilo que estou dizendo procede ou não. Preciso motivá-lo a comentar o artigo para que haja troca de informações e, assim, para que todos saiam ganhando. E é nesse sentido que vamos caminhando para o aumento do nosso conhecimento sobre as coisas que nos interessam.
Eu, por exemplo, li Schopenhauer por pura curiosidade, enquanto estava nos bancos da faculdade. Li muita coisa por curiosidade, desde que aprendi a ler. Algumas coisas eu me lembro e as utilizo diariamente, já adaptadas para as minhas necessidades profissionais e pessoais. Por exemplo: ler. Outras foram indispensáveis durante um tempo e depois mereceram ser excluídas da memória, como a fórmula da gravitação universal, que o Sr. Newton demorou o tempo da maçã cair na sua cabeça para deduzi-la. E outras, por sua vez, eu nem me dei ao trabalho de aprender.
Mas há uma outra realidade, semelhante à descrita acima e que se assemelha no quesito aprendizado, mas que inverte o processo. E é quando nada nem ninguém ensinaram alguma coisa pra você. Foi você que aprendeu sozinho. E não por você ser autodidata ou coisa parecida. Mas porque você simplesmente precisou de determinada coisa para determinada situação e usou um determinado recurso para solucionar seu problema. E a cada vez que este problema surgia novamente, você ia lá e usava o mesmo recurso. Até que você descobriu, sempre por conta própria, um recurso melhor (mesmo que alguém tenha indicado o recurso e tenha te dado dicas de como usá-lo, dependeu somente de você e da sua habilidade para que desse certo). E passou a usá-lo para solucionar aquele antigo problema. Noutro caso, um recurso é usado para solucionar um problema momentâneo e que não aparecerá mais. Então você aprendeu a usar este recurso e depois nunca mais precisará dele. Já num último caso, você se depara com algo que não tem a menor importância para você, então este algo é dispensado sem você precisar aprender como usá-lo.
Conseguiram visualizar as duas situações?
Agora, o artigo volta à retórica do título: você usa o que aprende ou você aprende o que usa?
Antecipo a sua resposta, caro leitor: você dirá ambos. E eu, chato que sou, lanço o desafio que, sem você perceber, eu já havia lançado: olhe para dentro de si mesmo e ao seu redor, pense novamente na pergunta e argumente.
Porque tudo o que é muito simples e óbvio parece equivocado. Você não acha?
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







Mas, hein?
Só para constar, quem quiser comprar o livro, na Cultura tem:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=87849&sid=01922551511216522063549953&k5=2FB389&uid=
Acabo ficando com a segunda opção. Apesar da vida ensinar diversas coisas, que ao longo do caminho vão ganhando espaço, eu ainda fico com a segunda.
Trabalha muito mais com a curiosidade, você busca, fuça e remexe, e assim, acaba aprendendo o que usa.
Excelente reflexão.
Estou até agora pensando em uma resposta… às vezes parece tão simples e óbvio… mas… que medo de me equivocar!!!
Parabéns pelo artigo
Vou ali pensar, pra só depois argumentar. Já volto!rs
òtimo artigo. Parabéns
APRENDEMOS O TEMPO TODO, EM TODAS AS SITUAÇÕES, E COM AS COISAS MAIS INUSITADAS. UMA CRIANÇA QUE BRINCA COM UM CARRINHO PELA PRIMEIRA VEZ, ELA APRENDE USANDO. UM SENHOR DE MEIA IDADE QUE SABE EXATAMENTE O QUE DIZER PARA CONQUISTAR UMA MOCINHA DE 20 E POUCOS ANOS, USA O QUE APRENDEU.
SÓ HÁ UMA CONCLUSÃO, AO MEU VER, SOBRE ESSE ARTIGO. CABE A VOCÊ, APRENDENDO E USANDO OU USNDO OU APRENDENDO, SALVAR NA MEMÓRIA O QUE LHE SERVE E DELETAR TUDO AQUILO QUE FOR INÚTIL.
Ju,
Ando numa atmosfera de bloqueio. Poucas coisas me provocam. Olhei muito ao redor e ceguei pra dentro, agora que me vejo quase não reconheço. Posso dizer sem medo que muito do fiz aprendi sozinha, já me disse autodidata. E das coisas que aprendi hoje posso usar o direito do silêncio, por mais instigante que seja tua escrita, agora ela só me cala.
“Ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia, em lugar da própria.” Schopenhauer.
E pelo que te sei, seria querer muito.
Beijoka.
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