Você confia no seu publicitário favorito?
Essa semana vi uma reportagem na M&M falando de um estudo do instituto alemão GfK, que rankeou todas as profissões das mais para as menos confiáveis. Fiquei contente ao saber que, no Brasil, a confiança nos publicitários, profissionais de marketing e jornalistas está, respectivamente, em 65%, 66% e 79%. No caso da publicidade não é lá um número muito grande, mas até que ela alcançou níveis razoáveis. A decepção veio logo em seguida, quando vi a tabela com os dados internacionais. Apenas 28% dos entrevistados confiam em publicitários. Para fins de referência, os políticos receberam 18% dos votos de confiança lá fora. Poxa vida, só 10% a mais que os políticos? Que imagem eles tem de nós? Comedores de criancinhas?! (Pelo nível de confiança a resposta seria “sim”, e no mal sentido).
Queria bater um papo com os entrevistados e fazer a seguinte pergunta: se não confiam em nós, porque confiam no que a gente fala? Afinal, as campanhas gigantescas, milionárias e super premiadas mundo afora são fruto do nosso serviço, tudo que é dito ali foi milimetricamente analisado e pensado para atingir um objetivo. Se você passou a obedecer sua sede ou se sentiu mais confiante de um dia pro outro porque viu que o impossível não era nada, então o que falamos e fazemos foi legal para você, mostrou algo útil com o qual você se identificou e comprou a idéia. Se os insetos do seu jardim abrem garrafas de refrigerante e mostram como a vida é feliz e bela, isso simplesmente não acontece por acaso (principalmente se você olhar pela janela e eles REALMENTE estiverem rolando garrafas por ai).
Voltando aos dados dos políticos. Quando alguém não acredita neles, provavelmente é graças aos intermináveis escândalos e esquemas de corrupção. Ok, é plausível. Agora, quando não se acredita em um publicitário, qual o motivo? Perguntei para uma amiga e ela respondeu: vocês mentem e manipulam, por isso não são confiáveis.
Aí eu fiquei me perguntando onde os limites de uma propaganda começam e terminam, principalmente num momento em que o consumidor é tão importante. Se alguém aqui ainda confia em mim, fica no ar minha dúvida
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André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras.
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André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras. 







Acredito que esse tipo de dado deva ser analisado país por país e ponderar as devidas variáveis do momento político pelo qual o país está passando.
Quanto as publicitários, a falta de confiança, pode estar relacionada aos políticos também, porque quando o político se envolve em escândalos, o povo acaba associando a vitória dele as espetaculares ações de marketing (os marketeiros políticos), termo que se tornou pejorativo por culpa dos políticos sem escrúpulos.
Outros fatores em minha opinião:
- Propaganda enganosa;
- Produtos que não são entregues;
- Produtos com defeito;
- Erro de preços;
- Vendedores que não tratam o cliente bem;
- Ações muito espalhafatosas que mais parecem apresentação de circo;
Note que a maioria não está relacionada ao publicitário, mais sim ao dono da marca e do produto.
Com isso posso concluir que pagamos pelo erro dos outros. Somos injustiçados, temos um pouco de culpa, mas só um pouco.
Falando sério agora, pesquisas nunca são 100% confiáveis, mas normalmente eu levo em consideração os resultados para definir melhor o que fazer.
Bom isso me faz buscar milhares de referências no meu repertório. Vixe só de pensar…
Quem não se lembra do Duda, mensalão, caso do Marcos Valério… falar que era publicitário: sinônimo de piadinha e caixa dois.
Mas o que você levanta são eternas indagações, lembro de mim ainda estudante, contra o sistema, putz eu discutia comigo mesma, odeio ser manipulada, vou trabalhar manipulando… principalmente quando você estuda psicologia, comportamento do consumidor, semiótica, se aprofunda nos teóricos, você enxerga a propaganda nua e crua.
No entanto só consigo aceitar uma propaganda se eu puder enxengar que o criador usou de um aporte teórico para tal. Tem muita gente aí tento umas idéias bobocas e já se diz designer, publicitário … enfim
Existe um código de ética da nossa profissão, penso que seguindo, estaremos trabalhando de acordo com o que acredito ser ético…http://www.guiadopublicitario.com/2009/04/codigo-de-etica-dos-profissionais-de.html
Hoje com o twitter(quero dizer boca a boca), a velocidade das informações, bem como seu raio de ação, onde cada um imprime sua opinião pessoal, penso que seja mais difícil manter uma imagem falsa, mentirosa.
Enfim são muitas vertentes que vão se expandindo com a discussão.
Quem rotula uma profissão é uma pessoa com pensamento retrógrado. Open your mind.
Parabéns Casa do Galo.!
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