Home » agências, carreira, comportamento, dia-a-dia, vida de publicitario

Vida de publicitário: o fim da inocência

24 março 2010 6 comentários escrito por marcos

publicitario inocencia Vida de publicitário: o fim da inocência

Primeiro dia na agência. Primeiro cliente como “profissional” – faz apenas um mês que você terminou o curso – e o que você faz? Faz merda. Isso mesmo. Merda. O cliente olha pra você, bonitinho (ou bonitinha) e pensa: “Que figura é essa na minha frente?”

E você lá, suando frio e tentando lembrar da aula de como tabular uma pesquisa, como fazer um bom brief (certo, Maurão?) e como não deixar seu rosto mais vermelho. Dançou, nego. Agora é prá valer.

No jornalismo, o principiante é chamado de foca. Na publicidade, de amador. É, não tem colher de chá. Não existe um apelido facilitador nesta profissão. O excelente artigo Falaí, CriativO, do Mauro Sérgio de Morais do PSV, é aquele exemplo lúdico da boa vontade de profissionais que se interessam em ensinar e aprender ensinando. Mas você vai precisar de sorte, muita sorte pra encontrar um ambiente assim no seu primeiro emprego.

A última década foi marcada pela impaciência, pela falta de tolerância pelo tempo do outro. Pesquisas recentes sintonizam que estamos perdendo (ou já perdemos) o tempo de aprendizado, o dar e receber. A demanda por respostas rápidas e, no caso do profissional de PP, criativas está matando o jovem profissional no ninho. Tadinho. Tadinho nada.

Lembre-se que você faz parte desta sociedade apressada e pode contribuir diminuindo a sua ansiedade. O meio publicitário não é maternal, bons professores e mamães são. Perder a inocência é a melhor parte do caminho. Não tenha medo do medo. Entre na sala do diretor de criação no momento oportuno e peça ajuda. Converse o que for necessário com seu cliente. Convide o mídia pra almoçar. Vai tomar um café com o comercial. Ninguém nasce profissional.

Você vai passar mais tempo no trabalho (e ele dentro de você) do que em qualquer outro lugar porque a semente de uma boa idéia vai te acompanhar no banho, no futebol, no cinema, namorando e na hora que for dormir. Até o momento solene de nascer como um belo título, planejamento de marketing ou campanha. Portanto, não tenha medo de ser um “foca da agência” e perguntar o que não sabe ou desconhece. E lá vai mais um clichê: é assim que se aprende.

Pra resumir: sim, você vai cometer erros e aprender dolorosamente com eles. Sim, agora é pra valer. Sim, o meio publicitário não é maternal e exige criatividade sempre antes e durante, não depois do dealine.

E sim, você tem talento. Só falta quebrar o cadarço. Até a próxima.

Imagem que ilustra o artigo: O Virgem de 40 Anos

**

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.

Marcos Vida de publicitário: o fim da inocência Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator


Últimos artigos escritos por marcos

marcos já escreveu 23 artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) marcos.

Este artigo tem as seguintes tags: , , , , , , , ,


6 comentários »

Deixe seu comentário!

Adicione seu comentário abaixo ou faça um trackback diretamente de seu site. Você pode também pode acompanhar os comentários deste artigo via RSS.

Esse blog utiliza o sistema Gravatar. Caso sua foto não esteja aparecendo em seu comentário, registre-se.

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.