Veneno anti-monotonia
Na minha fase sitcom addicted, quando não dormia antes de assistir Seinfield e, normalmente, qualquer outra série que viesse depois, passava uma série que eu adorava, embora não acompanhasse, chamada “Everybody loves Raymond”.
Em uma vinheta que anunciava a série o personagem principal, Raymond, estava sentado à mesa jantando e exclamava “Wow! Frango com limão! Que delícia! Eu poderia comer isso pra sempre!”
Seguia-se então uma seqüência rápida de jantares subseqüentes, 5 ou 6, em que seu tesão por comer frango com limão ia gradativamente caindo, até que ele dava claros sinais de que não agüentava mais!
Uma receita que dá certo pode certamente ser repetida, mas há que se considerar uma série de fatores para evitar que não haja saturação.
Meu artigo anterior aqui na Casa mostra um exemplo claro disso. Uma idéia bem bacana reutilizada sem uma nova e verdadeiramente diferenciada roupagem criativa satura, incomoda. Como bem colocou meu amigo Diego Jock, não é possível que só publicitário perceba isso!
A Indústria Cultural é mestra em reutilizar receitas que colam. Além de ter meios de divulgação de massa (ou seria melhor dizer massificadores), que obviamente são essenciais para a assimilação do produto por parte do público geral, se vale do recurso natural das parcelas artesanais de produção intrínsecas da arte, embora o caráter comercial não permita que se enquadre exatamente nessa categoria.
Dois artigos atrás, coloquei em dúvida a eficiência da utilização de celebridades em propaganda.
Ainda não tenho uma resposta. Na busca por respostas, encontrei dois artigos interessantes.
Um deles, cuja referência perdi, fazia uma comparação entre a utilização de pessoas famosas em comerciais aqui no Brasil e nos EUA. Pra minha surpresa, no país em que mais se consome no mundo, que tem tradição de criar celebridades como que em linha de produção e de elevar as celebridades a status de reis e rainhas, os índices são sensivelmente menores do que os encontrados aqui.
O outro não me supreende!
Como disse, não duvido que funcione, mas acho que saídas criativas podem minimizar os custos de produção, começando pelo não pagamento de cachês astronômicos, e de quebra suavizam os riscos de saturação do mercado com uma determinada fórmula.
Do livro “Direção de Arte em Propaganda”, de Newton Cesar, tirei a lembrança de uma propaganda muito boa da década de 90, a do Gordinho da Honda:
Dá pra inferir mais ou menos quais foram os custos deste comercial. Comparem então ao custos da campanha do novo Gol.
Esse gordinho se tornou uma celebridade e quase 20 anos depois todo mundo que se ligava um pouquinho em propaganda à época lembra dele, lembra que a propaganda era da Honda e lembra o mote da campanha.
Que tal um bacon no frango, ou até, quem sabe, um bom arroz-feijão na hora certa, só pra variar?
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Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com
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