Vamos salvar o mundo consumindo mais

É atirar no próprio pé isto que vou defender agora, mas o desabafo vale a pena.
Pipocam na mídia e em quaisquer outros meios no media (seja lá o que isso queira realmente dizer) campanhas sobre aquecimento global, defesa do planeta, produtos ecologicamente responsáveis, etc. É o tema preferido das empresas.
- Vamos falar ao mundo que estamos ajudando a preservar a Terra.
- Vamos anunciar que nosso produto não polui, que é biodegradável e que reduz o carbono do ar.
Isto me leva à seguinte reflexão: as empresas querem fazer com que as pessoas sintam-se ecologicamente corretas através do… consumo!
Não, amigos, o mundo não será salvo através do consumo de mais produtos, mesmo que eles sejam menos agressivos com a natureza. O mundo só pode ser salvo de verdade através de ações reais.
- Ei, um momento. A minha empresa vende papel de área de reflorestamento própria e metade do dinheiro é usado para replantar as árvores.
Que linda atitude, não? Adquirir um pedaço de mata, desmatar para fazer papel, vender, replantar para desmatar de novo e transformar em mais papel. É um ciclo que em nada muda a questão ecológica.
Mas vale salientar que sim, as pessoas acreditam nesse discurso. Até porque, muito mais conveniente do que agir por conta própria é consumir algo com a ‘consciência limpa’ de que aquela empresa está fazendo a parte dela e a sua também.
Sei que muitas empresas realmente fazem um trabalho interessante sobre preservação do meio ambiente, mas é preciso pontuar que elas não perderão o foco na atividade principal que exercem, que é obter lucro.
Saídas diferentes existem, basta usar a criatividade e a simplicidade de idéias (temas para outro artigo) ao invés de usar um discurso padrão e vendável, que será absorvido pelas pessoas por elas serem consumistas e não ativistas.
Para ilustrar, uma ação de verdade criada pela agência Master de Curitiba para o SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) para fazer com que os funcionários desta entidade desligassem os monitores de seus computadores ao saírem, pois monitores ligados gastam energia e colaboram com o aquecimento global. Vejam o vídeo:
Quem quiser acessar o screensaver em tela cheia, basta clicar aqui.
Definitivamente, o mundo não será salvo pelo consumo.
As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
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Claudinei Junior, 24, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Curiosíssimo, trabalha com planejamento e mídia na Marca X, agência de propaganda do interior de SP. Faz de tudo, menos arte e café. Inclusive, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
jrpunketone@gmail.com | http://orgasmoscerebrais.blogspot.com
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Este artigo tem as seguintes tags: aquecimento, consciencia, desmatamento, futuro, global, natureza, social









e o marketing…. fazer o que!?
afinal tudo que nos consumimos é degradavel e pului!
=|
Sinceramente, salvar o mundo nos dias de hoje, só se for brincando de esconde-esconde. Realmente uma piada, mas o mundo é que está de brincadeira!
Concordo contigo meu caro. As pessoas compram tão facilmente qualquer coisa que as empresas veiculam na mídia. Basta gastar um pouquinho de neorônio para ter um senso crítico e ver que essas ações são obsoletas, algumas não, e que na verdade só visam o mesmo buraco que toda empresa visa. O buraco do dinheiro.
Parabéns pelo post. Forte Abraço
Claudinei,
Concordo contigo, mas fico pensando numa outra coisa. O fato de se fazer algo, mesmo que por questões de aparência, fazendo papel de bom-menino, não é melhor do que não se fazer nada?
Eu parei de comer carne, e hoje como somente peixes. O que eu mais escuto é “ah, então o peixe não sofre?”. É claro que sofre. Mas se eu parasse apenas de comer os bovinos provenientes de abatedouros com um faturamento maior de X – ou então os do estado de São Paulo –, e continuasse a comer todos os outros bovinos, jã não estaria fazendo algo?
Galo, é exatamente isso. É preciso FAZER ALGO.
A questão que coloco em xeque no artigo são as empresas produzirem, usarem o produto como bandeira de salvação do planeta e incentivarem as pessoas ao consumo do produto incutindo a idéia de que, ao comprarem, estarão fazendo a parte delas. Ou seja: eu compro e estou ajudando a salvar o planeta, o que não é verdade na prática, não é uma ação real. E chega a ser utópico pensar que, além de produzirem um produto menos agressor à natureza (que deveria ser obrigatório), as empresas usariam parte de sua verba para conscientizar e incentivar REALMENTE as pessoas a fazerem algo pelo planeta ao invés do apelo para que elas comprem o produto. Este último se reverte em lucro para a fabricante e em ‘consciência limpa’ para os consumidores.
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