Vamos cortar os gastos com propaganda
Como mostrava o desenho do Pica-Pau, no frio os bichos hibernam. Isso pode parecer meio estranho para um país com invernos de 25ºC, mas para as crianças, que não são limitadas como os adultos, não era difícil entender a situação.
Pois nestes últimos meses algumas notícias de uma tal crise vêm pipocando pela mídia. Não que eu acredite realmente no que andam falando, mas vamos considerar que sim, estamos em crise. Então não seria hora da empresas começarem a racionalizar seus recursos, como fazia o urso no inverno?
Pois gostaria de lançar uma campanha: Vamos cortar os gastos com propaganda!
Como discutimos em um texto anterior aqui na Casa, parece que a qualidade das campanhas publicitárias vem caindo muito. Não importa o produto, não importa o canal, ou se é TV aberta, ou a cabo.
Chavões manjados, humor barato, peças de banco de imagem… É isso (e coisa muito pior) que andamos vendo por aí. Então vamos aos números: uma página na Veja, a revista mais lida no Brasil, não sai por menos de R$ 200 mil. Nem estou falando da página mais bonita, aquela do lado direito, que costuma ser o lado “mais lido” pelas pessoas. É uma página aleatória mesmo, que vai circular por uma semana.
Esse mesmo dinheiro poderia garantir mais um mês de trabalho a 200 funcionários que ganhem um salário mínimo (considerando que os tributos “dobram” o custo de cada funcionário). Então será que não é hora de começarmos a pesar o que vale mais: 200 funcionários treinados, ou uma página mal-feita na Veja? E eu nem vou colocar o Jornal Nacional na roda, com suas inserções a partir de R$ 500 mil.
O que proponho é que as empresas parem de gastar com propaganda, e passem a investir em relacionamento com o mercado.
Isso também significa se comunicar, é claro. Mas vai além de gravar um filme insosso de 30 segundos, e veiculá-lo sem pensar nos resultados. Sejamos honestos, quem compra um anel de diamantes pra namorada/esposa, e não faz questão de saber ao menos se ela notou que foi você quem a presenteou? Então por que com o dinheiro da empresa é diferente? Por que continuar fazendo campanhas caras, sem nem imaginar se o consumidor está ouvindo ou não?
Empresários e executivos do mundo, uni-vos! Aprendam sobre a internet. Aprendam sobre relacionamento com o cliente. Aprendam sobre mídias sociais. E parem de jogar dinheiro fora.
Agências e publicitários do mundo, uni-vos! Aprendam sobre tudo isso acima, e sobre mensuração de resultados, métodos criativos, pesquisas de mercado (as verdadeiras, não aquelas feitas pra provar que nossa campanha é boa). E se preparem.
Já observamos o estouro da bolha das PontoCom, do mercado imobiliário, e, mais recentemente, dos jornais. Por que imaginar que o mundo da propaganda passará sem nenhum arranhão?
Então façamos a revolução, antes que o povo a faça. Começando por cortar os gastos com propaganda.
*Foto: Diego Jock, de Rodrigo Andreolli
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Lucas Couto, 25, é publicitário por formação e inquieto por natureza. Já atuou nas áreas de Criação, Marketing, Inovação, Vendas, Logística, Finanças, e mais uma porrada de coisas (foco que é bom, nada). Hoje é empresário e co-criador do site Que Tal Isso?, dedicado à criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras.
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Lucas Couto, 25, é publicitário por formação e inquieto por natureza. Já atuou nas áreas de Criação, Marketing, Inovação, Vendas, Logística, Finanças, e mais uma porrada de coisas (foco que é bom, nada). Hoje é empresário e co-criador do site Que Tal Isso?, dedicado à criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras. 







“O que proponho é que as empresas parem de gastar com propaganda, e passem a investir em relacionamento com o mercado.”
Eita, bem ousado. E polêmico. Abra uma agência com foco nisso, and I´ll be there for you!
[Responder]
Muito bom o texto, rs
no começo fiquei assustado, parecia ser contraditório, mas você ta certo Lucas, se for um investimento sem controle, com certeza será mal aplicado, investir em relacionamento é uma saída, além de promoções no PDV.
É necessário também estar de olho na concorrência, pois se sua empresa brecar investimentos, recuar em propagandas, a que estava em segundo, terceiro lugar faz uma campanha simples e te passa em vendas, lembrança de marca e tal…
Cada caso um caso, vários pontos a se analisar e ver se realmente vale a pena.
[Responder]
Fala Jock,
É importante reforçar que comunicação é parte de qualquer relacionamento.
Mas se você não tem um bom produto, não surpreende, não atende bem, não ouve as reclamações, e não faz algo a respeito, não vai ser uma campanha da TV que vai te salvar.
As empresas que sobrevivem aos períodos de crise não são as que fazem propaganda, mas as que utilizam bem seus recursos, inclusive com propaganda…
Abs, e volte sempre!
(quer dizer, vc é o dono da Casa, eu é que tenho que voltar sempre, rs…)
PS: Valeu pela imagem, mt melhor!
[Responder]
É, volte!
E como a fotografia é minha, você não diria “que merda de imagem, hein?!”. Elogios vindos do colunista não vale!
[Responder]
Fala Patrick,
Cara, esse meu conceito de Relacionamento com o Mercado vai além de colocar umas meninas pra atender telefone, hehehe…
Como falei nos comentários de um outro texto meu aqui na Casa (acho que foi nesse), eu vejo que os cursos de Publicidade, RP e Mkt precisam passar por uma reformulação/união, porque é impossível hoje dividir uma coisa da outra.
Quando digo Relacionamento com o Mercado quero dizer todos os ângulos possíveis de um relacionamento. Propaganda é só mais um meio de se relacionar com o público. Promoções, internet, material de pdv, e RP tb.
Pensa bem, como fazer uma campanha pra TV sem pensar no PDV, na presença online, ou no evento pra divulgar o produto com personalidades influentes? (como diz uma amiga, pra alguns públicos não precisa de site ou propaganda, basta a indicação de um amigo)
O problema é que, nesse mix, a propaganda clássica ainda é superestimada (e hiperinflacionada). Mas é lógico que cada caso merece atenção específica…
Abs, e valeu a participação!
[Responder]
Comunicação é tudo,se vc tiver um bom produto, caso contrário o trabalho pode ser bem feito e até dar bons resultados no início, o difico é se manter lá se o produto nao é bom.
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