Vai uma Gelaska ai?
Pois é, amiguinhos. Nosso estimado presidente preside esse país como nunca.
Agora ele inventou uma coisa chamada Política Nacional sobre o Álcool. Mas que demônio é esse? Acho que todos vocês já sabem do que se trata, mas é um ótimo assunto e vale a pena questioná-lo e debatê-lo.
No dia 22 de maio, Lula assinou o decreto nº 6177; decreto esse que mexe na indústria cervejeira de todo o país. A indústria cervejeira que movimentou em 2006 R$ 22 bilhões, dos quais cerca de R$ 800 milhões são investidos em publicidade, se vê impedida de mostrar a cara.
Com esta Política Nacional sobre o Álcool, abriu-se o leque de bebidas consideradas alcoólicas: agora todas as bebidas que contém mais de 0,5 grau de álcool, entram na categoria. Assim, coolers, ices e cervejas entram na mira da Anvisa para as restrições de propaganda.
Essa política tem o foco de minimizar e até erradicar os problemas sociais e de saúde causados pela ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. Ou seja, o governo pretende acabar com as brigas em baladas, acidentes de carros e com a criminalidade associada ao uso prejudicial de bebidas alcoólicas. Além de proteger aqueles que possam ser volúveis ao consumo de álcool.
A medida dita uma série de regras que a publicidade deverá se adequar, a primeira delas: a veiculação dos anúncios desse tipo de bebida não pode acontecer entre 8h e 20h. O decreto sugere que o PDV seja restrito em espaço e tempo, e sabem o que mais? O uso de personalidades está vetado. Até o momento nenhum órgão do setor havia se manifestado com efetividade (Abap, ABA e Sindicerv). Aenas algumas notasforam divulgadas, mas nada que metesse o dedo na ferida.
Acho válida a iniciativa do Governo Federal em proteger a população que é manipulável por nós publicitários, mas ao mesmo tempo a medida me agride quando penso pelo lado de liberdade de expressão e educação formal da população. Talvez se os esforços fossem focados em educação básica, acredito que mexer na liberdade de expressão não se fizesse necessário.
Porém como foco prioritário da Casa do Galo não é debater política e sim comunicação - me parece que há um movimento para acabar com a classe!
Primeiro Sr. Kassab quer acabar com a manifestação da comunicação, nascida na França junto com a xilogravura, mais antiga do mundo: os cartazes que se sofisticaram e hoje viraram outdoor. Agora para jogar mais caca no ventilador, o Lula quer diminuir a participação da indústria cervejeira na comunicação. Não gosto nem de imaginar quantos desempregados na rua e principalmente quantas campanhas brilhantes deixarão de nascer.
Como o desafio faz parte da nossa profissão e a criatividade é a alma do negócio, teremos que nos desdobrar em cinco para dar o famoso “jeitinho”. Achar um modo de desvincular Skol do mundo jovem, a Kaiser o Baixinho, a Brahma do Zeca, a Antarctica das “gostosas” e a Sol da praia.
Daria a vida para encarar um planejamento desses. Espero que esse espírito aventureiro esteja com todos nós, caso essa idéia brilhante do presidente tome força.
Atenciosamente,
Vanessa E. do Nascimento
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Vanessa Espelho do Nascimento, 23, é Atendimento e Planejamento. Já virou muita noite liberando Job's na McCANN-Erickson, SUN-MRM e na antiga Grey Zest - hoje G2Brasil. Ama o Marketing Direto e suas ferramentas. Escreve para a Casa do galo às quintas-feiras.
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Acho que o trabalho mais difícil desses que você citou é o da Skol. A Kaiser já ficou um tempo sem o Baixinho, a Sol está há pouco tempo no Brasil e mulher gostosa não é privilégio só da Antartica.
Pois bem, não deixa de ser um desafio. Por um lado vai ser bom, quem sabe a exploração da imagem da mulher não acaba né?!
Eu acho uma merda essas propagandas com mulher e cerveja. Tudo bem, a associação é legal (praia, calor, mulher…cerveja), mas existem coisas muito melhores para se mostrar. Uma das mais legais que já vi foi aquela da Kaiser (a da cerveja da sua vida), que não apelava em momento algum.
Mesmo a Kaiser não sendo uma boa cerveja…:(
Pois é, acho que até antes da exploração da imagem da mulher, está o clichê. Associar essas coisas está batido faz tempo. Apesar que se quase todas se utilizam desse “clichê” é porque deve dar certo e trazer retorno. Não sei.
Concordo com o Alê. Apesar de ser um p*** clichê, é o que aparentemente traz mais retorno (salve campanha da Brahma “Zeca-feira” e Bavaria Premium).
Brasil é isso: sol, praia, mulher de biquini e futebol.
Essa da Zeca-Feira é outra horrível também.
E qual campanha de cerveja é inteligente? Complicado.
Aquela da Kaiser foi matadora (A cerveja da sua vida), mas não emplacou, pena! O problema maior não é desvincular os ícones e sim que catso é esse que o governo está fazendo? Infere totalmente a liberdade de expressão. Não acham?
Em partes…
Acho também que deve rolar uma regulamentação maior sobre isso. Acho que existe uma certa irresponsabilidade por parte de muitos publicitários hoje. Também não sei se esse tipo de legislação vai resolver o problema de saúde que envolve a questão.
Concordo também com o Marquito na questão de uma maior regulamentação. Isso poderá até surtir algum efeito assim como ocorreu com as propagandas de cigarro.
É um assunto delicado pois mexe num mercado que gasta muito em publicidade e, conseqüentemente, acaba afetando os profissionais da área. Se limitarem as veiculações para horários e locais específicos, o que vai ser da categoria? (até parece sindicalista falando…).
Acredito que vcs, assim como eu, não estão gostando nada disso. Mas, se pensarmos ao pé da letra, essa medida pode até ter um fundo coerente. Vivemos num país muitos, como disse a Vans, são volúveis ao consumo de álcool. Ainda mais quando associado à mulher, praia, verão ou balada: “Opa! A mulher gostosa gosta do baixinho da Kaiser pq ele bebe cerveja. Vou beber também.” Acredito que o Governo está com a mesma idéia quando tratou a questão das propagandas de cigarro e, sinceramente, até acho que teve algum efeito (e olha que sou fumante.).
Então, assim como a Vanessa já disse, cabe ao publicitário encarar esse desafio e dar aquele famoso “jeitinho”.
Humilde opinião.
Vou dar uma de “Marquito” agora e achar isso uma merda.
A do Zeca-feira é cópia de uma da Quilmes na Argentina.
Acho que nós, publicitários, deveríamos aproveitar o momento para repensar toda forma de publicidade cervejística que temos feito.
A campanha da Sol é uma das que eu mais gosto recentemente (do pensamento não realizado). Se eu não estou enganado, as da Bohemia não têm mulher, o que já ganha um ponto positivo.
Gosto da Bavaria Premium. Legal essa idéia das teorias. Fugiu do padrão.
É que também não combina, ou não tem nada a ver, usar mulher pelada na categoria da Bohemia, Original, Bavaria Premium…elas têm outro posicionamento. Mas Bohemia, ainda assim, tem mulher. Aquela das tabernas hehe.
Ah, essa das teorias é maravilhosa mesmo… vou tentar conseguir os spots de rádio pra mostrar aqui na Casa.
Essa é a verdade.
Para mim, a melhor já feita foi a da Kaiser mesmo (a cerveja da sua vida). O grande problema aqui é o perfil que a cerveja tem. Não é uma bebida que as pessoas apreciem como o vinho que traz toda uma cultura e um ritual que vai da compra até a hora de bebê-lo. Aqui a cerveja é uma bebida popular como um refrigerante ou suco qualquer, todo mundo gosta, mas o negócio é beber para matar a sede ou fazer a festa. Se você passa a olhar para a cerveja na Europa por exemplo, passa a enxergar de outra ótica.
Lá ela é considerada uma bebida nacional em diversos países como a Bélgica (com suas cervejas trapistas feitas em mosteiros, seguindo receitas muito antigas), a Republica Tcheca (tão falada em alguns anúncios da Bohemia, que dizia ser o lúpulo utilizado em sua fabricação de lá) e a Alemanha (talvez o país com a maior tradição em cervejas. Lá cada cidade tem a sua cerveja, além de milhares de outras marcas. As deliciosas cervejas de trigo, ou weissbier, que começaram a ser apreciadas aqui a pouco tempo são um grande símbolo de cerveja de lá.)
Detalhe: a maioria das cervejas bebidas na europa não são consumidas em temperaturas tão baixas como aqui. Dizem eles que o gelo em excesso prejudica o sabor da bebida. Só isso já demosntra outro posicionamento.
Mas ai também já estamos falando de cervejas mais artesanais, que não precisam de propaganda. As grandes cervejarias de lá também anunciam muito. A diferença talvez seja o foco da comunicação.
Lá a cerveja se aprecia. Aqui nós só a bebemos.
p.s.
As propagandas da Bohemia são ótimas. Mas se não me engano eles só fazem comunicação impressa né? Tinham umas que eram lindas, com a cerveja em formato de colares de ouro caindo no copo, como se a bebida fosse muito preciosa.
Isso aí. O Marquito fez a lição de casa e leu o “História do mundo em 6 copos”.
Tinha uma, acho que da Bohemia, que mostrava uma animação (filminho) com os rótulos das garrafas de cervejas numa linha de produção. A campanha usava o sistema dos 24 quadros por segundo do cinema.
Concordo.
Mas se fosse diferente? Se, ao invés de cerveja, tivéssemos uma maior veiculação de anúncios de vinho, por exemplo. Assim como o Marquito já disse: vinho traz toda uma cultura e um ritual que vai da compra até a hora de bebê-lo. Vocês acham que o Governo teria a mesma iniciativa?
Creio que não. O problema é a quantidade de cerveja que se bebe, que é infinitamente superior à de vinho. Culturalmente nos bebemos muita cerveja.
E no Brasil a cerveja não faz parte de um ritual, não tem todo um processo de degustação… o negócio é beber mesmo.
Tem outra. A questão do álcoolismo é muito maior do que os anúncios de bebida alcóolica.
Envolve questões por exemplo como um maior número de programas de apoio, regulamentação do horário de funcionamento dos bares, quantidade de bebida que uma pessoa pode consumir em um bar e consciência de quem vende.
Mas não pensem também que esse é um problema exclusivo nosso.
Na Itália por exemplo, bebe-se muito vinho. Mas muito mesmo. Lá, bebe-se desde pequeno. No almoço de domingo, todos bebem, desde as criaças até os mais velhos. Eu tive um tio-avô italiano que morreu de cirrose. Ele bebia uma garrafa de vinho por dia (se bem que era do cahpinha). Na Rússia também. Os indíces de álcoolismo lá são enormes. Lá bebe-se muita Vodka (o frio é de matar!). Quando as pessoas chegam em casa, tomam um copinho de vodka para esquentar. O resto da garrafa é para o pai… ai ja viu né?
Marquito, Bohemia já fez comercial de TV, sim. Não me lembro agora como era, mas já fez.
Diegão, acho que essa que você ta falando, da animação em linha de produção, é da Kaiser, não? Justamente, quando ela voltou a veicular, com novo rótulo e “novo sabor”.
Bom, mas vinho faz bem para o coração.
Dos males, o menor.
Exatamente Ale! Uma bela campanha.
Recentemente divulgaram que um copo de cerveja por dia também faz bem, Mazzo.
É, eu li algo a respeito.
Aliás, fugindo um pouco da linha de discussão, na Superinteressante deste mês publicaram uma matéria sobre a possível cura do cancer de pulmão utilizando o THC (principio ativo da maconha). E olha que foi uma pesquisa realizada em Havard. Já pensou se a moda pega?
Voltemos ao assunto…
Ambos fazem muito bem para a saúde, desde que não sejam consumidos em excesso.
Eu li também. E é um tratamento conhecido desde a década de 70!!!
Ai entra uma leve “pressão” do governo americano puritano né?
Falando nisso, acessem o site da super que está de cara nova!
Olha o merchan ai hehehehe.
É. O governo americano é bem putariano mesmo.
Ah, o da Bravo! também está de cara nova. Aliás, minha carta foi publicada na página 10 desse mês.. hehe
Meninos
O assuntou rendeu, eu bem sabia quando pensei em falar sobre isso. Concordo com todas as opiniões, as que divergem e as que convergem para a medida. Não sei vocês, mas esse debate todo me deu cede e poderíamos discutir melhor tomando uma gelaska que tal?
Brincadeiras a parte, confesso que estou dividida. Ao mesmo tempo em que vejo benefícios e concordo com a medida, me aperta o coração saber que a livre expressão pode não acontecer por falta de formação acadêmica das pessoas. Que o tal do livre arbítrio é o governo quem controla, quando favorece a ele - pois quando definiram o modelo de TV digital, nos empurraram o japonês.
Péssimo isso!
Juro que estou dividida, um lado acredita nessa medida, mas o outro ganha fúria. Principalmente quando lembro de fatos como: o governo queria PROIBIR a impressa de divulgar ligações telefônicas lembram-se? E quando a nossa justiça deu causa ganha para Carolina Dickman, a mocinha conseguiu calar um programa de TV inteiro e até hoje o pessoal do Pânico não pode citar o nome dela….
Preciso de uma cerveja!!!!
O consumo de álcool impróprio para beber, como perfumes e antissépticos, pode ser responsável por 50% das mortes de homens em idade economicamente ativa da Rússia, de acordo com estudo publicado na revista médica The Lancet.
“Trata-se de uma descoberta espantosa”, diz o epidemiologista britânico Sir Richard Peto, que não tomou parte no estudo. (Estado)
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