Universal McCann – Tudo diferentemente igual
Hoje este artigo é baseado no mais novo estudo da Universal McCann, intitulado When did we start trust strangers? How the internet turned us all to influencers (Quando começamos a confiar em estranhos? Como a internet transformou nós todos em influenciadores).
Longe de mim querer ir contra um estudo da Universal McCann feito com 17 mil usuários de internet de 29 países diferentes. Mas tenho algumas oposições a fazer com relação a essa “descoberta” do conglomerado. Antes, vamos aos fatos coletados na pesquisa. Vou ficar com o resumo que o pessoal da vanksenculturebuzz já providenciou:
Fato 1: tendências
- crescimento das mídias sociais
- a importância dos amigos digitais
- a proliferação de canais de influênciaFato 2: os impactos do fenômeno estudado
- influência econômica
- democratização da influência
- o novo “super influenciador”Fato 3: os principais dados
- 44% dos pesquisados têm um blog, contra 28% em 2006
- 57,5% têm uma página numa rede social, contra 27% em 2006
- 42% fazem download de vídeo, contra 10% em 2006
- 34% dos usuários dividem suas opiniões sobre música
- 55% compartilham fotos on lineFato 4: as conclusões do estudo
- as mídias sociais permitem que milhões de pessoas criem conteúdo e compartilhem opiniões através da internet
- interações sociais são basicamente virtuais e a comunicação é on line e através da escrita.
- possibilidade de conhecer pessoas que nunca teríamos a oportunidade na “vida real”
- contato com velhos conhecimentos de maneira muito melhor do que antes da internet
- mídia digital facilita a interação e incentiva o compartilhamento
- não são necessários grandes esforços para se tornar um influenciadorE, o mais importante:
- confia-se nas recomendações de estranhos tanto quanto nas recomendações de amigos. Confia-se nas recomendações das mídias sociais MAIS do que nas recomendações feitas pelas próprias marcas.
Já chega de dados. Ao final deste arquivo você pode encontrar um link para o estudo completo da Universal McCann disponível no SlideShare.
Agora vem a minha contribuição. Algumas informações do estudo já são velhas conhecidas e já foram bastante discutidas, como o crescimento das mídias sociais, o compartilhamento de informações, a proliferação de blogs, etc. O meu questionamento é simplesmente na visão que a McCann teve do próprio estudo realizado por ela. Veja bem, ela chama o estudo de When did we start trust in strangers, e na sua principal conclusão ela reitera que as pessoas confiam nas recomendações de estranhos tanto quanto nas recomendações de amigos.
Ora, analisem o meu ponto de vista: para os usuários das mídias sociais, estas mesmas pessoas que responderam à pesquisa e que a McCann teve contato direto, para elas esses estranhos não são estranhos. O que me parece é que, a partir do momento que um indivíduo passa a fazer parte de uma rede social, ele considera os outros participantes como amigos, conhecidos, qualquer coisa, menos estranhos. Isso porque se aquela rede social foi escolhida por aquelas pessoas, significa que todas elas têm um ponto comum entre si e, já por conta disso, mantêm uma confiança inicial automaticamente internalizada. É como o Festival Woodstock de 69. Mesmo que aquelas pessoas nunca tivessem se encontrado anteriormente, elas tinham uma coisa em comum e isso as tornou um grupo uniforme que compartilhava as mesmas idéias e, com certeza, se um daqueles hippies subisse ao palco e gritasse que o vinil que ele segurava nas mãos era a grande banda da década seguinte, toda aquela massa de gente iria procurar conseguir uma cópia.
O segundo e último ponto da pesquisa que quero questionar é sobre a afirmação de que não são necessários grandes esforços para se tornar um influenciador. Devo discordar. Imagine um cenário em que cada uma das pessoas que mantém um blog influenciasse a outra que o lê. Seria um caos de influências. Além disso, para haver influenciador é necessário o influenciado. E eu aposto: existe muito mais exemplar deste último do que do primeiro. Ser um influenciador requer técnica, requer saber lidar com a informação, requer estilo, consistência na maneira de interagir com os leitores, ou seja, não é tão simples quanto a McCann está dizendo. Temos, sim, um número muito maior de influenciadores do que antes da internet, dos blogs e das mídias sociais surgirem. Mas conquistar leitores-seguidores que sejam influenciados pelo que está publicado naquela página “que começou por brincadeira e hoje é coisa séria” é algo bem diferente. Talvez o casal Bonner-Bernardes não tivesse muita chance hoje em dia. Talvez a McCann acabou influenciada pelos pesquisados. Talvez eu precise de um influenciador para terminar este texto. Talvez…
Clique aqui e veja o estudo da McCann, em inglês, no SlideShare (se você for cadastrado pode baixar o estudo como um arquivo PDF. Se não for cadastrado, cadastre-se. É de graça. É rede social de compartilhamento. Quem sabe você se torna um influenciador!).
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Como bem pontuado por você, algumas afirmativas do estudo, já eram pressentidas. E parece ainda haver uma insegurança com a internet, creio que mais pelo aspecto democrático do meio, pela intangibilidade e total autonomia dos produtores desse conteúdo – “estranhos” nos soa tanto radical, but. A verdade é que as “possibilidades & oportunidades” de quem sempre foi espectador e agora é sujeito criador, é um fator imprevisível. E nesse cenário as marcas carecem e muito de zelar ainda mais da imagem, não só veiculando conceitos super-positivos, mas, sendo realmente o que pregam.
Influenciadores e influenciados existiram, existem e existirão (só essa semana li três “formadores de opinião” postando críticas pessoais, chulas e duras no twitter sobre renomadas empresas, que “dominam” mercados, isso é legal para o consumidor, mas o marketeiro pode perder o sono). Sempre houve a busca pela individualidade, mas, antes não tínhamos “espaço”. Da mesma maneira há a tendência em buscar afinidades, formar parcerias e conseqüentemente a convergência a esses nichos – cada vez mais específicos, e antes raros ou inacessíveis. Fato que fragmenta muito as opiniões e exigirá maior particularidade no diálogo e acuidade na comunicação, ou ela acabará perdendo a voz e a vez.
bjo.
p.s.: divagei muito. parabéns pelo artigo, altamente influenciador.
p.p.s: quanto a Woodstock, eu seria um dos últimos beatnicks recitando poemas na lama.
Obrigado pela visita e pelo comentário!
Bom saber que gosta da Casa!
Beijo
O papo do bar ontem foi produtivo!
Interessante!
Mas diante de tantas palavras… eu digo… tudo depende do ponto de vista! se está olhando a montanha lá DE baixo, ou se está olhando da montanha la PRA baixo!
tao parecido, e tao diferente….
Agora, o legal é a colocação do articulista, com a qual concordo inteiramente, analisando o fato do estudo apontar que não são necessários grandes esforços para se tornar um influenciador. O influenciador sempre foi e sempre será alguém com idéias próprias que de tão diferentes conseguem atrair adeptos. Sou professora universitária e posso afirmar que os influenciadores positivos, aqueles que trazem luz em cima de questões, que possuem o dom de se expressarem de forma escrita ou verbal, que produzem em nós um certo fascínio com sua forma de pensar…esses são raridade.
Parabéns Claudinei. Pelo menos aqui acho que encontrei um influenciador.
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