Uma boa defesa ou uma grande gaveta
Nada é por acaso. Do logotipo ao padrão gráfico que geralmente dá um toque caprichoso nos anúncios e filmes, e é popularmente conhecido como firula pelos redatores, rococó pelos ilustradores, fru-fru pelos mídias, grafismos ou arabescos pelos teóricos, viadices por certos diretores de arte e dor de cabeça para arte-finalistas. Qualquer traço, na composição da peça publicitária, deve ter motivo, justificativa, representar alguma coisa.
Num mundo de subjetividades, no qual a publicidade se insere de corpo e alma, qualquer coisa pode expressar o que se desejar, desde que com uma explicação realmente convincente.
A apresentação de campanha é por si uma defesa. Até a mais sublime das campanhas recebeu explicações, convicções e muita preparação para ser aprovada com distinção e louvor. Esta talvez seja uma das tarefas mais difíceis da profissão. E que muito provavelmente rende bons salários.
Mas acontece que nem sempre quem apresenta é quem prepara a defesa.
Tarefa habitualmente reservada aos redatores, desenvolver defesas não garante um salário astronômico, mas dá para praticar um pouco de persuasão, bem como percepção, raciocínio, comparação, pesquisa, semiótica, blablablá e outras coisitas mas. Que, no caso de um logo, o criador muitas vezes nem se deu ao luxo de parar para pensar.
Uma defesa é, sobretudo, fruto dos estudos do job.
Pode ser extremamente técnica, cheia de dados precisos e correlacionados ao que pretende a peça. Nesse caso, sempre deixa algo de subliminar no ar.
Defesas técnicas demais não me convencem, mas eu ainda nunca fui cliente.
Existe também a defesa pastelão, carregada de carga emocional referente ao conceito proposto. Viver é tudo para essa defesa. A beleza da vida, o prazer de viver, a sensação das boas coisas da vida, qualidade de vida. Envolve, aspira, vende. Se for exatamente isso que o cliente quer ouvir.
E há a defesa criativa. Mescla das outras duas, com maior teor e alguma profundidade, mais uma pitada de sacada que corresponde ao que se espera, amarrando elementos, imagens, cores e significados ao que foi proposto.
Em suma é tudo o que a campanha precisa; tudo o que o logotipo tanto necessita para sair do papel e não morrer na gaveta.
Achei meio anti-ético apresentar modelos de defesas/justificativas aqui, portanto marcas, nomes e processos foram substituídos por nononono. Espero que sirva de base a quem precise de uma boa defesa e contribua de algum modo por gavetas menos cheias.
Modelo de defesa para um logotipo cheio de movimento
O trabalho em equipe combina os talentos dos indivíduos para gerar algo além do que é possível, em torno de um objetivo em comum.
E a F-1 é um dos maiores exemplos de trabalho em equipe que temos em nosso consciente coletivo. Por isso, a proposta de logo e slogan se apropria de elementos voltados à percepção coletiva desse grande mundo automobilístico, de modo a correlacioná-los imediatamente à blablablá.
Todos os elementos de sua composição primam pela representação de Sinergia, por esta ser a soma de esforços para alcançar metas que, isoladamente, não seriam alcançadas (ou seriam de forma mais trabalhosa ou inadequada) e Motivação, ocasionada através da ajuda mútua, da obtenção de resultados e com possibilidade de geração de diferenciação ao mercado.
O trabalho em equipe, portanto, pode ser entendido como uma grande estratégia para posicionar a empresa e melhorar a imagem da marca com vistas à satisfação do consumidor, o “grande piloto” para o qual a equipe nononono trabalha.
Análise dos elementos do logotipo
A complementaridade de conhecimentos e habilidades da equipe para o alcance do objetivo se alicerça nos traços que ostentam a marca como um todo.
Suas duas intersecções não expressam ruptura, mas o respeito aos princípios da equipe, a interação entre os membros, e especialmente o reconhecimento da interdependência entre eles em prol de seus resultados. Além disso, há precisão nos traços, o que demonstra o perfeito equilíbrio entre as partes e uma sinergia correta, adequada. Há ainda, em toda a extensão, a representação de uma pista/circuito de corrida.
A alta performance e ampla potencialidade da equipe são caracterizadas pela escolha de uma tipologia moderna, mais arrojada, com detalhes semelhantes aos usados pelos setores de off-road, tuning, rodas-de-liga-leve etc, sem deixar de lado a facilidade de leitura.
Numa análise relacionada às cores, a azul está associada à missão de servir, de garantir segurança, confiança; com percepções semânticas também ligadas ao mundo da velocidade. Já a amarela complementa a proposta da azul, expressando a certeza de que tudo deve correr bem, seja numa viagem, passeio com a família, etc. Credibilidade, conhecimento e decisão também são importantes atributos dessa cor.
Numa releitura final entre as propostas de blablablá e nononono, temos a certeza de que trabalhando em equipe tem-se mais chances de superar os limites e garantir a total segurança ao consumidor.
Bom final de semana.
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa.
Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às sextas-feiras.
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[...] mas http://casadogalo.com/uma-boa-defesa-ou-uma-grande-gaveta/ traido a usted por [...]
Curti os modelos, costumo fazer defesas mais “sérias” ainda, usando até citações de livros se for o caso, rs
Vou me libertar mais daqui pra frente, ótimo texto Mauro..e cada vez mais gavetas vazias pra nós!
abração
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