Trabalhar por prazer – O início de uma nova era?
Recentemente, tomei um café com um grande amigo, profissional com muita bagagem e um conhecimento ímpar do que acontece no mercado de propaganda da capital catarinense. O encontro surgiu em função de trabalho, para variar, mas derivou para algo mais nobre.
Conversa vai, conversa vem, falei para ele do novo rumo que estamos dando a empresa e das expectativas que tínhamos em relação à mudança de ritmo em prol de qualidade de vida, de voltar a ter prazer em trabalhar com comunicação e coisa e tal, e de como eu estava surpreso com o efeito positivo que esta “chutada de balde” estava gerando tanto na carreira, quanto na vida pessoal.
Para minha surpresa, ele me disse: “vocês é que estão certos. Estava estes dias conversando com Paulão [nome fictício] e ele me disse que estava de saco cheio do mercado e que estava pensando em dar uma guinada na vida, trabalhar só com o que gosta e do jeito que ele acredita.” Meu amigo mesmo me disse que ele estava doido para fazer o mesmo.
Tanto o Paulão quanto meu amigo são dois profissionais bem estabelecidos, donos de suas próprias empresas e mesmo assim não estão mais encontrando satisfação nos ofícios da publicidade.
Comecei a reparar então quanta gente da área tem feito estas escolhas na busca por trabalhar, ainda com comunicação, mas não mais com publicidade, ou pelo menos não mais no dia-a-dia das agências.
Pensando um pouco sobre isso chega-se a alguns insights:
1) Com as verbas, os prazos e os resultados diminuindo a cada dia. A pressão nas agências tradicionais e seus profissionais só têm feito aumentar.
2) Há alguns anos a publicidade era a alma do negócio e, como tal, era tratada como algo etéreo, quase divino. Hoje a publicidade é parte dos tijolos de construção da empresa. O profissional de publicidade não é mais artista, virou peão de obra.
3) O universo da propaganda alterou-se consideravelmente nos últimos 5 anos, ampliando em possibilidades e complexidade a vida de quem trabalha na área, todavia, o que seria o campo perfeito para o experimentalismo e para a tentativa e erro, tem se mostrado um campo minado. Os clientes querem investir sua verba em resultados concretos e com retorno de curto prazo.
Estes fatores, somados a um hedonismo positivo, da busca do prazer em fazer algo que se gosta, tem feito os antes alucinados, mas sempre apaixonados pela profissão, abrirem mão de salários, carreiras sólidas e anos de reconhecimento para tentar algo novo, que lhes dê acima de tudo prazer em fazê-lo, ajudando a manter paixão pela comunicação acesa.
Enxergo que estas pessoas são os pioneiros de um novo estilo de profissionais de comunicação e mais do que isto, são os profissionais de um novo mercado de comunicação.
Quando víamos as empresas do Vale do Silício com fliperamas, quadras de tênis e horário para passear com o cachorro, ficávamos desejando aquelas regalias e imaginando quando isto iria chegar ao nosso mundinho. Pois elas estão chegando, não por conta das empresas, mas por nossas próprias decisões.
O free-lancer de ontem pode ser o modelo do profissional de comunicação de logo mais. Se estou certo, ou não, o tempo dirá. Mas o que me parece claro hoje é que a mudança no mercado de comunicação tem reflexos bem mais abrangentes do que os que enxergam que são só novos formatos e suportes para a velha propaganda. Ela está mudando a cara e a cabeça dos profissionais deste mercado.
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Nauro Rezende Jr, 31, é publicitário e Diretor de Criação e Planejamento da ID Comunicação. Apaixonado pela profissão e suas ciências. Um idealista. Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às quintas-feiras.
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[...] escrito originalmente para a Casa do Galo] Este post foi publicado por naurojr em 4 de outubro de 2008 na(s) categoria(s) casa do galo, [...]
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