Tira o dedo do meu texto
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Existem duas coisas que eu odeio: cerveja e dedo no meu texto. Sim, concordo, é estranho. Imagine o desconforto de fazer parte do 0,01% da população que não bebe cerveja. Levando em consideração essa intensa necessidade do ser humano de fazer parte de algum grupo social, é bem delicado lidar com esse sentimento de exclusão ao ser convidada para “tomar uma”. Rola um certo constrangimento ao confessar isso numa mesa de bar. As pessoas costumam me encarar com um olhar mortal. Como se fosse proibido, feio. Mesma coisa que falar boceta aos três anos de idade, num jantar com os seus avós. Mas eu sempre opto por falar a verdade, por mais repugnante que possa ser. Porém, para diminuir um pouco meu desconforto, desenvolvi uma técnica para fugir desses olhares de desprezo. Agora eu tomo Keepcooler.
(pausa dramática)
Para mim, beber cerveja é tão ruim quanto notar um dedo no meu texto. Isso é a morte para um redator. Assim, se você é alfabetizado, sabe colocar a vírgula no lugar certo (nem eu sei), tem noção de que redação publicitária não é livro para vestibular e que 2ª pessoa do singular só existe na bíblia, ok, vá em frente. Mi texto, su texto. De verdade mesmo, não me importo. Se for para melhorar, go on. Agora, se é para piorar. Tira o dedo cara, AGORA.
A coisa mais frustrante é passar horas tentando desenvolver um título, enviar para o responsável pelo layout e perceber (já na arte final) que alguém alterou o texto sem te consultar. Você começa a sentir aquela raiva contida e fica naquela de falar ou não. Acontece que, numa dessas, seu texto virou uma puta. Passou de mão em mão sem você ter tido o menor controle da situação. Você, o redator contratado, o dono do texto.
Normalmente, o DA dupla não é mal-educado a ponto de sair enfiando o dedo aonde não é chamado. Sempre trabalhei com diretores de arte que me perguntavam o que eu achava, antes de qualquer coisa. Na maioria das vezes, os transgressores são pessoas fora desse contexto.
Não me levem a mal. Mas texto é igual a filho recém-nascido. É preciso cuidado, dedicação e rola um certo ciuminho. Dói lá no fundo ver que cada minuto seu foi desperdiçado por um: “A gente faz aniversário, mas quem ganha é você”.
E quanto ao Keepcooler, foi brincadeira. Negarei até a morte se alguém disser o contrário.
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Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Este artigo tem as seguintes tags: agencia, ciume, dam dupla, frustracao, keepcooler, publicidade, raiva, redaçao, redator, texto

Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







Keepcoller é bom e cerveja também!
Mas dedo no texto é foda!
=)
Keepcooler é a nova sensação do verão.
O melhor é quando o cliente resolve colocar o dedo no seu texto com algo como “!” ou inventar palavras como “receituário”.
FILHOS DA PUTA
É….escrevi keepcooler errado! hehe!
“A coisa mais frustrante é passar horas tentando desenvolver um título, enviar para o responsável pelo layout e perceber (já na arte final) que alguém alterou o texto sem te consultar.”
quando eu era redatora, acontecia direto isso. Eta merda!
Não queria falar não, mas acho que dava pra mudar o título de artigo hehe.
Quanto a cerveja eu também estou fora.
Galo, favor excluir o comentário do Tiago.
Grata.
meuu.. quanto ao texto não sei..
mas quanto à cerveja, passo pela mesma discriminação..
iai que eu prefiro uma bebida doce e agradável ao paladar ao invés da velha e amarga cerveja que TODOS aprendem a gostar? aprendem sim, pq PQP impossível gostar daquilo de primeira xP
Verdade, que texto gostoso, já li. Vou dormir agora as 2h da manhã. Lembrastes-me uma situação em dei um texto para parte de opinião, meu chefe na loucura del tirou ponto final e colocou vírgula. O sentido que tinha dado pegou o avião e foi embora. E a raiva veio. No segundo disse categoricamente pra não tocar no texto.
Olha,
Dedo no texto ninguém gosta mesmo!! Eu hein! E tem gente que mete o dedo mesmo. Haja saco!!
Agora, vou ter que descordar. Uma boa cerveja belga é o que há de bom!
Abração!
Não há quem me faça tomar cerveja. Pra mim é tudo igual, e tem um gosto horrível. Nada melhor que um bom vinho. E assim como o vinho, nada melhor que ler um bom texto. E se alguém mete o dedo com o intuito de “ajudar” sem perguntar , eita merda!! Que bom é quando ajuda mesmo, mas não custa consultar né?
E como diz o velho deitado: Muito ajuda quem pouco atrapalha!!
Bem , gostei do artigo e do site também. Serei uma leitora assidua.
Oi, também sou redator e sofro da mesma crise de ciúme.
Agora, pior que isso é quando você faz um título, aí alguém vem, muda uma vírgula e ainda ganha crédito pela peça.
\”Poxa, você é genial, agora sim a idéia fluiu\”.
Moral da história: nunca abandone um job. Ah, e seja amigo do arte finalista.
Oi Tati,
Obrigado pelo comentário. Espero que volte sempre!
beijo
Fala Kenzo,
valeu por todos os comentário!
abraço
Concordo com cada palavra. A pior coisa é ver que seu trabalho foi modificado e na maioria das vezes arrasado. Ninguém entende que cada vírgula é milimetricamente calculada para estar alí e não em outro lugar? :@
Também passo por isso.
Comentários são sempre bem-vindos, especialmente do dupla e da Diretora de Criação, mas eu simplesmente não assino a liberação da arte-final se o texto não for o que eu aprovei.
A cada linha do seu texto, fora a parte da cerveja, eu balançava a cabeça: Sim! É isso aí mesmo! Calhordas!
É triste, mas é real.
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