Socorro! Meu briefing virou teste vocacional
Aconteceu assim: empresa pequena, grana curta e pressa para conquistar a conta do cliente. “Vamos pegar aquela pessoa ‘criativa’ e ‘cheia de energia’ que é amiga do fulano que a gente encontrou na casa do sicrano na festa do Raposo?” Vamos. Então tá. Contrataram. “Mas… mas…”, indago eu, “para atendimento?” “É, para atendimento. Tem tudo a ver: ela é comunicativa, fala bastante, tem curiosidade e é suuuper prestativa”. Desculpe, mas não.
Vamos recorrer ao pai virtual dos burros, a wikipedia:
Atendimento é o segmento da agência de publicidade que faz todo o contacto com o cliente. O Atendimento elabora o briefing (contém todas as informações de um cliente) e, a partir desse, é feito todo o trabalho de criação da campanha publicitária.
Mais do que isso, a função do atendimento é a de ser um gestor. Ele é o grande responsável pela rentabilidade da conta na agência, concentrando todas as informações relativas a faturamento, custos e gastos internos. É através do atendimento que novos negócios são gerados, pois ele é a porta de entrada de todos os projetos e a voz da agência para o cliente.
Para isso, o profissional deve concentrar o maior conteúdo de informações sobre o negócio do cliente e sobre o próprio negócio, além dos hábitos e atitudes dos seus consumidores.
O nome atendimento é amplamente criticado no meio publicitário pois confunde-se facilmente com com “atendente“. Nos Estados Unidos a mesma função é denomidada de “Account Handler” ou “Account Manager”, que descreve de maneira mais acurada o escopo da profissão é ser um “gerente de conta”. Muitas agências já estão aderindo a essa nova terminologia.
O fato de ser uma interface entre cliente e agência não é o objetivo final do atendimento e sim o meio através do qual ele atinge o seu objetivo: gerar negócios para os seus clientes e principalmente gerar negócios para a agência.
Hmm… então o atendimento não é exatamente aquela pessoa “comunicativa e super prestativa” lá de cima, né?
Voltando para nossa pequena história. Estou eu (uma semana depois) na frente do primeiro cliente (brifado pela “pessoa”) com uma linda apresentação que me custou duas garrafas de café e algumas horas na frente do Powerpoint. Na terceira lâmina, já percebo que a faca está no meu pescoço, o cliente cruzando os braços sobre o peito e se mexendo na cadeira. Mais rápido do que o Giraya, dou uma pausa e pergunto: “me lembrei agora… o senhor (cliente) havia dito que prefere uma conversa geral sobre a campanha, não é mesmo?”.
Nem vou terminar porque ainda estou tentando SALVAR o segundo cliente de uma campanha que NÃO foi feita para ele porque o briefing chegou tipo “levei casco de coca e trouxe pepsi. É quase igual, né?” Não, não é.
Isso não tem nada a ver com aquela centenária cisma romântica entre a criação e o atendimento, blá, blá, blá. Tem a ver sim com o profissional, com o cara ali do outro lado, extensão da agência e fonte primordial para que o redator faça o seu trabalho. Também, o tamanho da agência pouco importa. Já vi a tia do café dar opinião mais direta e objetiva do que muita gente na mesa de reunião. Releiam o texto da wikipedia aí em cima.
Gosto de pensar no briefing no mesmo sentido de “breathing” – respirar, fazer o ar entrar e sair, oxigenar a dificuldade do cliente e respirar a solução (bem zen isso). Sem estrelismos, mas redator não tem tempo de ficar conferindo info por info. Quando se é freelancer ainda vai porque você é o exército de um homem só e se der m… você também é o responsável.
Fica o alerta: agências, continuem oferecendo chances para quem deseja entrar no Mundo Encantado da Propaganda, mas não façam a besteira de brincar de teste vocacional em atendimento com marinheiros de primeira viagem. Vão ficar a ver navios, opa!
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







Marcão, parabéns pela estreia!
Seja bem-vindo.
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Parabens muito bom o texto
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Achei a ilustracao muito bacana
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Gostei muito vou acompanhar seus artigo buito bom
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O atendimento ou account manager não “elabora o briefing”, porque briefing não se elabora. Ele participa do briefing (que é um evento – em geral uma reunião) e,se for o caso, elabora o brief.
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Senhor redator:
sicrano
s. m.
Usado na locução fulano e sicrano, isto é, dois indivíduos cujos nomes não nos ocorrem ou que não queremos determinar. (Escreve-se, de regra, com inicial minúscula.)
Se não acreditar nessa, pode procurar outras referências como Aurélio, Michaelis…
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Olá Fernanda,
Obrigado pela dica. Já fiz as correções.
Abraço,
Jock
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Obrigado pelos comentários até o momento. Todos os elogios sobre a ilustração vão para o bom gosto do Jock. Neto, concordo com você. Porém a realidade revela-se imperfeita (assim como o wikipedia, rs). Querida Fernanda, agradeço suas correções e lamento ter dado mais este trabalho ao Jock. Mas o que eu gostaria mesmo é ter recedido seu comentário sobre a idéia do artigo. Olha só: você conseguiu prever meu próximo artigo: Redator Ortográfico ou Corretor Humano? Aguarde prá semana que vem. Boa sorte e prosperidade para todos e até.
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A unica parte decente do texto é pelo ‘teste vocacional’ e oque a wikipedia nos oferece. De resto, esquece. Voce chegou a relê-lo antes de postar??
Não tenho nada contra o atendimento, mas essa de NÃO TENHO TEMPO DE LER BRIEFING é coisa do passado. Vamos evoluir…
Ou começar do zero e fazer algo decente do jeito que funcionar.
O Atendimento(ou Account Managers) tem problemas muito piores que este. Oque fico mais puto é a falta de atenção com o Briefing, ferramenta muitíssimo importante na vida de um atendimento. Já vi nego preencher briefing em Minutos, e repassá-lo ao planejamento e criaçao, como um formulário qualquer. QUE MEDO.
Concordo contigo quando diz que tem muita gente não deveria estar no atendimento, mas pior que isso é gente que leva a profissão(e isso serve para qualquer cargo) como uma obrigação. Faz por fazer, daí volta pra casa e curte a vida. Isso atrapalha o rendimento de qualquer job…nego que não é apaixonado pelo que faz.
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Bom, você queria um post comentando, aí está…
Eu posso dizer por experiência própria, porém sem explicação plausível, que muitas agências de publicidade acham que redator é aquele faz tudo… Por exemplo, eu trabalho em uma agência como redatora, porém adivinhem que também faz produção? É, sou eu… E quando necessário faço atendimento, direção de cena e de fotografia (acreditem, existem muitas produtoras que não tem diretores!). Posso dizer com isso que para mim, a pior parte do trabalho é o atendimento. Sim, sou comunicativa, sim sou criativa, sim, tenho muita energia, mas não, não gosto de atendimento! Por quê? Porque atendimento não é só ir até a empresa do cliente, sentar e conversar. Atendimento precisa entender primeiramente de administração, depois de marketing, comunicação, publicidade, propaganda, redação, direção de arte, mídia, web, psicologia, leitura corporal, persuasão, oratória, economia, política, mercados, do setor do cliente, ser comunicativo, criativo e ter muita energia… Por isso, não é qualquer pessoa que faz atendimento, e por isso grandes idéias são jogadas fora. A publicidade é um conjunto de idéias que se unem (a idéia do briefing com a idéia da direção de arte, com a idéia da redação, com a idéia da interpretação do público, com a idéia da mídia, com a idéia da defesa…). O que as empresas precisam enxergar é que diretor de arte não é aquele que sabe mexer nos programas, mas sim aquele que tem a idéia e sabe executá-la. Com o atendimento é a mesma coisa: não basta ser comunicativo se não souber primeiramente interpretar o cliente, repassar as informações e depois defender. É simples: se qualquer um pegar uma bola consegue fazer o que o Ronaldo faz? É mais ou menos por aí…
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#Fernanda
Falou tudo. Comentário perfeito.
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[...] artigo anterior eu disse que gosto de respirar o briefing. Em uma maratona ou jogging, a respiração marca o [...]
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