Sexo, Internet e Downloads Grátis
Na semana retrasada um dos colunistas da Casa, Renan Corrêa, escreveu um artigo falando sobre os estereótipos mostrados em filmes e séries sobre a profissão de publicitário. E, sem querer querendo (ou não), esbarrou em um tema delicado: a real função da publicidade e a imagem que a sociedade faz desse universo.
O que aconteceu para que o mundo enxergasse os publicitários sempre envolvidos em uma aura de glamour e prepotência?
Gosto de enxergar cada profissão como resolvedora de problemas específicos. Afinal, é isso que dinheiro significa, nossa capacidade de resolver problemas sendo premiada (estou falando teoricamente, não venham me falar de Mega-Sena, Daniel Dantas ou Roberto Justus).
Pois qual é o problema resolvido por um publicitário? Não é uma situação vivida pelo cidadão, mas pelas empresas.
Uma empresa pode ser explicada como um conjunto de pessoas, que decidem desenvolver uma maneira nova, ou melhorar uma maneira atual, de resolver um problema de uma pessoa ou de outra empresa.
E entre tantas soluções para as demandas da sociedade, o publicitário/marqueteiro/comunicador entra em campo pra ajudar determinada companhia a divulgar os benefícios da sua solução frente às outras. Isso vale pro Tylenol, que resolve dores de cabeça, ou pra Ferrari, que resolve insatisfações com o pênis a auto-estima.
Ok, mas não é exatamente isso que o mundo pensa dos caras de cavanhaque estranho e óculos de armação grossa.
A visão clássica sobre o publicitário é a de que ele faz surgir desejos nas pessoas, oferecendo produtos desnecessários. Embora muito difundido, esse é um argumento facilmente questionável. Tanto que nem vou me concentrar nele, mas no outro lado da moeda: porque existe essa imagem? Porque as pessoas têm suas infelicidades, e é mais fácil jogar a responsabilidade do consumo exagerado, e das insatisfações pela impossibilidade de consumo, numa classe profissional, que na sua própria sacola de defeitos e qualidades.
Mas existe ainda um segundo ponto que piora a situação. Nós escolhemos o lado errado. Nas últimas décadas se desenvolveu uma rixa entre a sociedade (composta por pessoas), e as empresas (compostas pelas mesmas pessoas, veja a ironia). O funcionário é perdoado, porque precisa trabalhar. Mas o publicitário não, esse escolheu de livre e boa vontade o lado das empresas, o lado “malvado” do capitalismo.
É construída então essa imagem sempre negativa. A publicidade é o cadáver no velório. Sem o primeiro, o segundo não faz sentido. Mas que incomoda, ah, isso incomoda.
Nossa profissão não tem a poesia do magistrado ou da medicina, mas isso não quer dizer que não tenha ética. Mas mesmo isso é questionável, afinal, bom gosto (e sua prima, a NOÇÃO) é um conceito pessoal. Vide o comercial da Coca-Cola Zero, Break Up As It Should Be, que acaba de ser vetado na gringa. Tem gente que se incomoda, tem gente que não.
É claro que muitos usam artifícios questionáveis para destacar seus interesses frente os outros. Como o título desse texto, Sexo, Internet e Downloads Grátis, que pode não ter muita relação com o conteúdo, mas deve servir bem pros mecanismos de busca.
Manipulação? Talvez…
Mas será que nós, publicitários, não somos apenas uma amostra grátis do mundo, com seus defeitos e qualidades?
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Lucas Couto, 26, Co-fundador e sócio da It’s Digital, uma consultoria e produtora digital e uma das cabeças por trás do Que Tal Isso?, blog relacionado a criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras (no calendário de Júpiter).
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Este artigo tem as seguintes tags: estereotipo, função, mascara, preconceito, publicidade, publicitario, quetalisso

Lucas Couto, 26, Co-fundador e sócio da 







aqueles que usam a varinha mágica na própria cabeça.
Sobre o título, cabe aquela, “uma mentira bem contada
acaba virando verdade”.
Vou admitir minha ignorância, e assumir que não entendi mt bem seu comentário, rs… Mas captei sua indignação, espero q não seja contra o autor…
Sobre o título, vamos dizer que é uma brincadeira, que serve pras pessoas não julgarem o livro pela capa. Só não tinha pensado que ele pode ser bloqueado pelos filtros das empresas mais caretas… Mas, “no pain, no gain”, certo?
Bjos, e volte sempre!
E curti a ideia do seu texto, ampliou mais os nossos hoizontes paa mais reflexões. Porque olhar pro umbigo é olhar pra frente.
Abs!
Acredito que este estigma é fruto de uma sociedade que, aos poucos, vai criando alguma consciência de consumo e sobre o mundo em que vive.
Não podemos culpar quem nos rotula, devemos apenas ser flexíveis com as mudanças desse “mundão de meu Deus” e, aos poucos, lavar nossa embalagem com água quente, pra quem sabe assim, esse rótulo caia e não sobre nem uma colinha dessa deturpada imagem.
Quanto ao título: ótima oportunidade de gerar clicks e, ao mesmo tempo, condiz perfeitamente com o assunto.
Ótimo post!
Eu é q agradeço pela inspiração…
No fundo esse mundo da publicidade é muito complexo, pq mistura contato direto com dinheiro, e essa impressão de genialidade criativa. É como se fôssemos super-stars, mas “com conteúdo”. Ou pelo menos é isso o q muita gente pensa, rs…
Abs!
Valeu pela visita e pelo comentário!
No fundo a sociedade é feita de estereótipos. Afinal, a gente não tem tempo de ficar analisando os pormenores de cada acontecimento, de cada novidade… Então é só procurar a referência mais parecida na memória, e voilà!, temos mais um preconceito.
E gostei da sua receita pra diminuir esse problema em relação aos publicitários, o esquema é ir tentando diminuir essa imagem negativa aos poucos…
Quanto ao título, não custa nada enganar o Google de vez em quando, não?
Abs, e volte sempre!
Texto com títulos p/ lá de criativos: FAIL! Hahaha!
Abraços cara!
O título foi uma molecagem da minha parte, juntando algumas palavras que são “sucesso” nas ferramentas de busca, como o Google.
Como esses sites dão muita importância pro link do artigo, acaba ajudando tanto a minha coluna, como todo o site da Casa do Galo, a terem um posicionamento melhor nas buscas que as pessoas fazem.
Seria um exemplo dos “artifícios questionáveis” que cito no texto, já que estou inflando artificialmente a audiência do site, sem realmente falar de sexo, ou de downloads grátis…
Bjs, e apareça mais vezes!
Só o vídeo foi vetado, ou foi o artigo inteiro?
De qq maneira, no fundo eu acho q o mais coerente seria “empresas que bloqueiam palavras e sites FAIL”.
Antigamente a igreja católica só tinha bíblias em latim, e mesmo quando as protestantes começaram a traduzir os textos, a Santa Sé demorou pra seguir a tendência e perdeu espaço.
Não dá pra remar contra a maré, ou ignorar que quem quer dar um migué no trabalho, vai fazer isso com ou sem youtube e orkut…
Abs!
PS: Você é um dos criadores daquele site, o Que Tal Isso?, que fala sobre criatividade e inovação? Parabéns, o site é excelente, de primeira qualidade…
Se vc não viu nada de mais ma propaganda da Coca, vc acaba de ganhar um pretendente… Pra onde eu mando meu currículo? =)
Bjos, e volte sempre!
Se nossos apelos pra sermos reconhecidos como profissionais de valor não forem atendidos, podemos sempre apelar pra velha desculpa pós-nazismo: “Eu estava apenas seguindo ordens”
Quem sabe isso não livra um pouco nossa cara? rs…
Bjs, e obrigado pela visita!
Eu tõ com um pequeno problema na leitura dos comentários. Sempre aparece o campo vazio, msm q em “comentários” mostre que váaarias pessoas já deram pitacos. É só comigo daqui msm, um complô com minha pessoa? xDDD
É um assunto delicado para discutirmos neste pequeno bloco de comentários, mas que rende muitos comentários divergentes.
Boa incitação ao tema, abraço.
Boa Kenzo, é verdade…
Td mundo acha q publicitário é meio vagabundo. Td bem que nos meus tempos de agência tinha um freezer cheio de Skol no quintal da empresa, pra gente tomar de vez em quando, mas isso não quer dizer que seja um trabalho fácil.
Pelo contrário, se fosse, não ia ter tanto comercial meia-boca por aí…
Abs, e valeu pelo comentário!
Tenho 17 anos e estou cursando o 3 ano do EM, mas tenho verdadeira admiração pela Publicidade (pra falar a verdade ja virou paixão) e ja tenho planos pra seguir na carreira.
E quanto ao texto, muito interessante a idéia de os publicitários serem ” uma amostra grátis do mundo, com seus defeitos e qualidades “
Hmm…meio defensivo isso Patrick. Penso que tudo é verdade: publicitário é metido mesmo, tem complexo de Messias e acredita que tem o poder de manipular desejos e vontades coletivas. Uma raça difícil de conviver porque possui informação, tem conteúdo e um super-go enorme. Só que esse “Rei da Cocada Preta” muitas vezes erra e se ferra feio também. E não é nem pelo dinheiro, mas pela ganãncia e o status de sempre querer ser “o cara”.
Particularmente não me considero uma “amostra grátis do mundo”. A moral vem da sociedade, a ética, do caráter de cada um. A linha do horizonte é igual para todos, faça a sua escolha. A publicidade sucks, mas não é uma droga, rs.
Grande abraço e parabéns por artigos que fazem pensar.
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