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Ser gratuito e rentável - É possível?

3 Setembro 2008 4 comentáriosescrito por Leonardo

arvore_dinheiro2 Será que é possível ser gratuito e, ainda assim, rentável? Parece que algumas empresas descobriram que sim, é possível. E sabe de quem pode ser a culpa? Da concorrência. Só mesmo a livre concorrência e a inovação, que juntos possibilitam o surgimento de novos e mais dinâmicos concorrentes, levam uma empresa a pensar estratégias mercadológicas que tornem o seu produto cada vez mais ligado ao público-alvo. Mesmo que isso signifique abrir mão de 100% do faturamento que vinham destes clientes. Isso mesmo. Tem empresa abdicando de todo o custo de venda do produto só para estar na mão do seu cliente. Mas, é claro, isso não é tão simples como parece. E nem viável a todo e qualquer produto ou serviço.

Os exemplos que citarei aqui são veículos de comunicação que estão inovando em seus mercados e tornando-se gratuitos. Mas como podem ser gratuitos se existem todos os custos de pessoal, produção, logística, etc.? Simples, seguindo o modelo das TVs abertas e utilizando as verbas publicitárias como fonte primária para a manutenção de toda a sua operação.

Recentemente recebi um e-mail em um dos grupos de que participo indicando a assinatura gratuita da revista Social Foto Clube. Uma revista mensal, especializada em fotografia e que pode ser totalmente grátis. Desde que se alcance o total de 15 mil assinantes. Com este número algumas empresas já contactadas concordam em veicular anúncios, que proveriam os recursos necessários para remunerar toda a cadeia produtiva. E quem ganha com isso? Nós, clientes e, neste caso, interessados em fotografia.

Quanto mais assinantes, mais empresas têm interesse em anunciar, e aí passa a valer a lei da oferta e demanda. O que acontece quando mais pessoas podem e querem comprar uma mesma coisa? O preço sobe. Com isso a revista passa a poder barganhar melhor os preços dos seus espaços publicitários e absorve mais recursos para se manter e obter lucro. O CPM (custo por mil) cai com o aumento do número de exemplares mesmo com alguma inflação no custo dos espaços. E nós continuamos a ganhar.

Outros exemplos bacanas surgiram recentemente aqui em Salvador e estão dando o que falar. São as revistas Metrópole e Muito, do Grupo Metrópole e A Tarde, respectivamente. Não recordo de revistas de tamanha qualidade editorial e gráfica, regionais, como estas duas aqui em Salvador. A Metrópole é mensal, a Muito semanal e vem encartada no jornal A Tarde edição de domingo, ambas são gratuitas. Alguém até pode dizer: como gratuita se tem que comprar o jornal? É, tem que comprar o jornal, mas o preço dele é o mesmo de antes da revista. E são publicações excelentes mesmo. Com matérias dignas de qualquer revista nacional de ponta. A Metrópole, como exemplo, já entrevistou Gabeira, FHC e Maluf. A Muito apresenta matérias com artistas, escritores, sobre gastronomia, viagens, tudo bem fundamentado e com esmero. A fórmula continua a ser a mesma, é a publicidade como caixa bancário da qualidade. E adivinha quem está se dando bem?

Claro que é difícil imaginar o mercado editorial sendo bancado somente por verbas publicitárias, mas estes exemplos deixam claro que é possível sim, ser gratuito e rentável. E ainda assim ter qualidade, o que é melhor ainda.

Acho que a internet tem grande parte na “culpa” daquilo que eu chamo de “gratuidade dos meios”. Hoje temos cerca de 45 milhões de brasileiros acessando a internet e buscando informação e conteúdo em blogs, sites e em servidores de arquivos, onde é possível encontrar de tudo, desde aquele hit famoso até a revista mensal da grande editora, que algum leitor e internauta copiou e disponibilizou para Deus e o mundo. Diante de dilemas como este, por que não colocar de uma vez o conteúdo de graça e lucrar de alguma forma com ele? É o que muitas empresas estão começando a enxergar e decidir.

Para nós, fica a esperança de que dias melhores podem estar por vir e que, quem sabe um dia, aquela desejada e relativamente cara edição bimensal da HSM Management venha ser gratuita também. É a hora e a vez do consumidor.

As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Leonardo Leonardo Araújo, 27, é publicitário, mercadólogo e soteropolitano. Hoje rala como Consultor de Comunicação e Marketing da ONG Instituto de Hospitalidade, mas já viveu longos e importantes anos na área comercial, onde aprendeu de tudo um muito. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

leonaraujo@gmail.com | http://www.leonaraujo.com


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4 comentários »

  • Galo disse:

    Belo artigo, Leo.

    Estou torcendo pra que a Social consiga os 15 mil assinantes! :)

  • Léo (author) disse:

    Tomara mesmo, Diego. Eu já fui lá e assinei. Como gosto muito de fotografia, ter uma boa revista chegando sempre em casa seria uma ótimo. Assina lá também!

    Tomara que surjam mais opções gratuitas por aí. Quanto mais conteúdo for distribuído, melhor para a sociedade.

    Abs

  • Isis disse:

    É possível ser rentável sim. Uma revista, por exemplo, pode ganhar com anunciante… Basta fazer uma boa estratégia de marketing e distribuição.

  • Flavia disse:

    Olá Leonardo,
    a revista da HSM é cara mesma, mas é boa demais. Já acessou o blog deles? hsm.updateordie.com
    bjinho
    Fla

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