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Seja assunto

9 abril 2009 18 comentários escrito por lucascouto

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Toc-toc-toc!
- Quem bate?
- É o frio!
- Não adianta bater! Eu não deixo você entrar! As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar…

Se você tem mais de 40 anos, ou é um admirador do mundo da propaganda, deve saber do que eu estou falando. Propagandas como a citada acima permaneceram por anos na memória popular, e até hoje são lembradas. Bem diferente do que vemos atualmente. Experimente perguntar para alguém de fora desse universo três propagandas que essa pessoa tenha gostado. Dificilmente ela vai lembrar “tantas”, ou das respectivas marcas.

Mas o que mudou nestes últimos 40 anos?

Sério, se eu realmente preciso responder essa pergunta, acho que você está no lugar errado. Favor voltar pra caverna.

A musiquinha da Pernambucanas era lúdica, um verdadeiro chiclete de ouvido e, com a ajuda das poucas fontes de informação de 50 anos atrás, dura até hoje no fundinho da memória, com mais uma meia dúzia de jingles. E sabe qual é o grande trunfo dos bons jingles de antigamente? Eles conseguiram virar assunto.

Podemos dizer que a propaganda começou mais como infomação que como argumento de vendas. Quem nunca viu os antigos cartazes de “Há emplastros na Pharmácia 7 de Setembro”?

Os jingles, o humor, as celebridades, tudo isso surgiu porque era necessário ir além. Com o tempo e a concorrência, não bastava anunciar – a empresa precisava chamar a atenção, se tornar assunto.

Um século depois (não necessariamente 100 anos, mais ainda assim um século) algumas empresas – pra não dizer agências – parecem ter esquecido a importância desse detalhe. Propagandas são veiculadas da mesma maneira que nos tempos de Jango, mas não viram assunto tão facilmente. Internet, celulares, e uma transformação do ser humano impedem o resultado de antes.

Hoje o diabo mora nos detalhes. Dois exemplos:

Me mandaram o vídeo e site da nova campanha da Adidas, House Party. Muito bem produzida, com um site de navegação incrível, e vídeos cheios de artistas famosos. Porém mais que tudo isso, me chamou a atenção a música, uma releitura de Beggin’, música de 1967, pelo músico francês Pilooski. Qual foi a primeira idéia que me veio à cabeça (bem óbvia por sinal)? “Onde eu baixo essa música?” Caramba, o conceito da campanha é uma FESTA, e o download da música não está disponível facilmente! Adidas FAIL!

Por outro lado, vi que rolou o Skol Sensations aqui em São Paulo nesse último fim-de-semana. Pra ser sincero não me liguei muito, mas tinha ouvido falar da condição para entrar: estar vestido todo de branco. E, no caminho pra outra festa, pela quantidade de “celebrantes do ano-novo” que encontrei pela rua, imaginei quantas pessoas que não tem nada a ver com o evento foram impactadas e ouviram o nome SKOL naquela noite. Simplesmente por encontrar um bando de jovens vestidos de branco. Criatividade WIN.

Pode ter sido apenas uma coincidência ou uma vontade de criar um ambiente diferenciado no local do evento, mas o nome SKOL extrapolou os limites do Anhembi, e chamou a atenção de todos. Esse é o meio pelo qual as marcas se tornam assunto hoje. Com muito mais sutileza, porém ainda mais criatividade.

Antes bastava uma musiquinha bonita para ser assunto. But the times, they are a-changin’… E com tantas ferramentas, não deveria ser tão difícil. Twitter, Orkut, mp3, Youtube, Google Maps, não importa.

Use o que o mundo te dá, seja no trabalho ou no marketing pessoal, e diferencie-se. Seja assunto.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Lucas Seja assunto Lucas Couto, 26, Co-fundador e sócio da It’s Digital, uma consultoria e produtora digital e uma das cabeças por trás do Que Tal Isso?, blog relacionado a criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras (no calendário de Júpiter).

lucas@itsdigital.com.br | http://www.itsdigital.com.br/


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18 comentários »

  • Galo disse:

    “Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar. Um bom sono pra você e um alegre despertar”. Jingles são fodas.

    Há algum tempo muita gente entrava na Casa perguntando sobre a música do viajante MasterCard para download:
    http://casadogalo.com/a-musica-do-viajante-mastercard-2

  • Galo disse:

    E a idéia de todos irem ao Skol Sensations vestidos de espermatozóide é realmente bacana.

  • Felipe Carriço disse:

    A latência da informação antigamente (creio eu) era bem maior, porque as pessoas não estavam sobrecarregadas com tantas formas, brilhos e cores, pulando em suas telas.
    O lance é fugir do comum para que, de alguma forma, seja possível impactar o público (frase mais óbvia, né).

  • Kenzo Kimura disse:

    Nos dias de hoje, não é assunto quem não quer. Ou quem não é bom.

  • Ronan Morais disse:

    Realmente, hoje em dia o bombardeio de propagandas que nos atacam no dia a dia, cansa os olhos na maioria das vezes por que nos acostumamos com a ideia “é so mais uma propaganda”. Como o Kenzo disse, quem é bom se destaca. Quando acho alguma idéia que me chama atenção, faço questão de divulgar para que os consumidores não desistam e vejam que esse mundo de publicidade é infinito.

  • Manuela Matias disse:

    Eu não tenho 40 anos, pode ter certeza, e não era admiradora do universo da propaganda quando tinha cinco anos. Entretanto, é com essa idade que minha mãe fez um vídeo caseiro comigo cantando o jingle das Casas Pernambucanas. Curioso como eu consegui me apegar a ele apenas minha mãe cantarolando distraída, né? Na verdade não. Poxa, ele é pegajoso mesmo. hehehehe..! Momento nostalgia me foi garantido por você. ;)
    Quanto ao dito, ainda que eu ache que virar assunto mesmo na área pessoal não seja assim tão fácil quanto soou ao ler, concordo abertamente. Mão na massa agora, certo, Lucas?
    :)

    Manu.

    ['E a idéia de todos irem ao Skol Sensations vestidos de espermatozóide é realmente bacana.' HAHAHAHAHAHAHAHAHA!]

  • Raphael Lacerda disse:

    Caminhamos para uma revolução na comunicação e isto representa que os publicitários irão focar na criação de resultados através da participação do usuário.

    A comunicação acontece a partir de determinada ação e opção do receptor. Quem está no controle, não é mais as empresas de massa ou os publicitários, mas o cliente, através das diversas novas técnicas como twitter, celulares e outras que ainda podem surgir.

    Isto é bom pois voltaremos potencializando o melhor tipo de propaganda existente, que é o boca-a-boca.

    Nenhuma sacadinha ou layout chega perto do efeito de uma indicação por alguma pessoa de sua rede.

    Os publicitários do futuro utilizarão estes diversos meios para conectar seus clientes satisfeitos, com aqueles que procurem melhores serviços e produtos.

    Potencializar o que sua empresa tem de melhor e permitir que o próprio cliente divulgue isto. Este é o futuro da propaganda.

    Abraços.

  • Fique por dentro Animal » Blog Archive » Seja assunto | CASA DO GALO - O animal da publicidade. disse:

    [...] · Auto-Ajuda e Desenvolvimento Humano · Ciências Biológicas e Naturais … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  • Patrick disse:

    Fala Lucas!

    Cara, vale lembrar que mesmo com tantas ferramentas de divulgação, ainda tem empresas/agências que trazem o mesmo formato para o Twitter, para um blog, para o Facebook e para o YouTube…

    Os caras tentam ser autênticos, querem criar um buzz falando: “Olha como somos criativos, estamos em 10 canais de comunicações diferentes!” Puff, belas merd**! É o mesmo formato com outra roupagem… não sabem usar as ferramentas que existem por aí…

    É igual ao Zorra Total, como já falamos, a piada é a mesma, só o background que muda… e no final, não tem graça!

    Abraços!

  • Patrick Aguera disse:

    É Patrick, rsrs, concordo com você, pra cada tipo de mídia tem sua adaptação com o formato, mas se é uma campanha, aprendi que devemos manter a mesma idéia central em todas, o mesmo tema, que de certa forma acaba se tornando latente, pra um ligar o outro e ficar na lembrança.

    Abraço a todos da casa, e belo artigo Lucas, hoje estou com 24 anos, mas escutei muito este jingle da pernanbucanas quando era criança, há muitos outros que ficam na memória e sempre viram assunto.

  • Lucas Couto disse:

    Fala Felipe!

    Realmente, o mundo de 50 anos atrás era bem mais simples. O engraçado é que, em geral, num mundo tão complexo, são os detalhes que chamam mais a atenção. Quando uma empresa faz muito estardalhaço, geralmente ganha mais desafetos que fãs…

    Desculpe a demora em responder (a páscoa foi off-line), e valeu pela visita.
    Abs!

  • Lucas Couto disse:

    Fala Kenzo…

    Na verdade não quis dizer que é simples. Mas é menos complicado que as empresas pensam. Só que trocar os biquínis por uma roupa branca pode ser ousadia demais pra quem ainda está com o mind-set do século passado.

    Valeu pela visita à Casa
    Abs!

  • Lucas Couto disse:

    E aí Ronan?

    Cara, qu acho q é pior que isso. As propagandas não me cansam mais, pq eu simplesmente nem presto mais a atenção nelas. O desafio está aí, criar algo que verdadeiramente chame o consumidor pelo colarinho, e fuja do “blá-blá-blá, nosso produto é legal, blá-blá-blá”.

    Abs, e volte sempre!

  • Lucas Couto disse:

    Oi Manu!

    O seu caso é raro, um gosto pelo propaganda transmitido geneticamente, rs…
    Eu achei bem legal essa sua história, com certeza as propagandas fazem mais parte da nossa infância do que da infância da molecada de hoje…

    Você consegue imaginar alguém cantando algum jingle de hj daqui a 5 anos? (nem vou dizer 20 anos, pq aí seria covardia)

    Anyway, q bom q garanti seu momento nostalgia, rs…

    Ah, sobre virar assunto no lado pessoal, nem é complicado não…
    Acho q um caminho é buscar deixar a sua vida interessante. Vou até citar um texto que escrevi para um outro blog uns tempos atrás:

    “Tenha um hobbie, faça viagens interessantes, se inscreva num curso que não tenha nada a ver com seu trabalho. Seja assunto. Saia da média. Caso você esteja buscando um emprego, pense bem, os avaliadores precisam de algum assunto pra lembrar de você. ‘O fulano que viajou pra China’. Ou ‘pra Bolívia’. ‘A menina que fala russo’. Ou ‘que joga Badminton’.

    Quando você é assunto, você chama a atenção. As pessoas se interessam, querem saber mais de você. Quem não gosta de um bom mistério?”

    Bjs, e volte sempre! (Ah, nos visite tb em quetalisso.com.br)

  • Lucas Couto disse:

    Fala Raphael,

    Acho que dá pra resumir o desafio das empresas (e das agências de propaganda) em SER LEGAL. A Apple dá certo pq é legal. O Google dá certo pq é legal. Só não lembro agora de uma empresa brasileira LEGAL msm…

    Abs!

  • Lucas Couto disse:

    Fala Patrick!

    É isso msm… Cada ferramenta tem sua particularidade, não adianta dar um Ctrl C + Ctrl V. Simplesmente duplicar um formato para outras tecnologias é subestimar a maior qualidade da internet, que é justamente a personalização.

    Abs, e aproveite pra visitar o quetalisso.com.br (Ah, esqueci, vc faz o site comigo…)

  • Lucas Couto disse:

    Finalmente um Patrick importante, hehehe…

    Aguera, acho q uma campanha tem q ter unidade, o q não quer dizer ser uma replicação…
    Por aí vemos vários exemplos de campanhas que souberam manter a unidade, sem deixar de explorar as particularidades de cada mídia (me vem à cabeça agora a campanha do Itaú, Feito pra Você)

    Valeu Patrick, e continue acessando (a Casa e o Que Tal isso?)
    Abs!

  • Raphael Lacerda disse:

    Olá, não é nem ser legal, mas o caminho é este mesmo, acredito em algo chamdo de “Recompensa” que move todas estas ações interativas que acompanhamos.

    Estou com um texto sobre isto no webinsider – http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/04/10/comunicacao-publicitaria-entra-em-uma-nova-fase/

    Abraços.

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