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Se a cidade é limpa, o homem é sanduíche?

25 Setembro 2007 3 comentáriosescrito por Rafael Amaral

sanduiche A coluna de hoje vai sair um pouco da classificação de “coluna”. Vai ser mais uma reflexão. Então corrijo, a reflexão de hoje não vai ser nos moldes de uma coluna. Ah, tanto faz.

Acontece que nos últimos dias eu li a notícia que o prefeito Gilberto Kassab, e sua lei Cidade Limpa, consideram agora irregular a propaganda em abrigos de ônibus na capital paulista.

Não precisa nem comentar que é mais uma artimanha da grande máquina de fazer dinheiro. Os anúncios em mobiliário urbano, que tinham escapado do rodo “cidade cinza”, foram embora e voltam só quando a prefeitura abrir licitação.

A vantagem é que com as proibições, dá-se asas à criatividade em busca de soluções alternativas que sejam tanto quão (ou quem sabe mais) eficientes que as mídias proibidas.

Através da arte, muito já foi feito para driblar a lei. Grafitti, grafitti inverso, sticker, enfim, todas as outras formas de intervenção artística na cena urbana vinculadas a algum produto ou serviço.

O que eu não tinha visto ainda é o que um leitor do ônibus azul, publicou ontem. Uma variação do tradicional take one, agora amarrado aos postes de iluminação pública.

Tal idéia me fez resgatar na memória a época em que eu era pequeno e recebia os take one (que na verdade eram quase take one hundred) dos simpáticos velhinhos com cartazes na frente e nas costas. Os tais billboardmans, aqui conhecidos como homens-sanduíche, homens-placa ou plaqueiros, avançam na contramão do glamour da publicidade de alta tecnologia e estampam anúncios de diversos produtos e serviços, como a compra e venda de ouro, tíquetes-refeição ou de metrô, escapando das garras da lei Kassabiana.

Será então que a tal Lei propicia uma involução na forma de se fazer propaganda? Ou seria essa a evolução?

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Rafael Rafael Amaral, 21, é redator e estudante de publicidade, pronto para encarar o TCC este ano. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.

omaioremaildorafa@gmail.com | http://www.estagiaridade.com/


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3 comentários »

  • Galo disse:

    Vale lembrar do processo para exclusão do logo do Itaú do topo do Conjunto Nacional, e do “M” do Mackenzie, na Consolação - ambos tidos como símbolos de São Paulo, praticamente incorporados a sua arquitetura.

  • Alessandro Ribeiro disse:

    Não achei nada demais nisso que chamaram de Take one de poste. Isso já existia.

    Em relação ao Nunkassab, acho que não temos mais o que falar, né!

  • Claucio disse:

    A tendência do momento é “anuncie nesta camiseta”.

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