Se a cidade é limpa, o homem é sanduíche?
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A coluna de hoje vai sair um pouco da classificação de “coluna”. Vai ser mais uma reflexão. Então corrijo, a reflexão de hoje não vai ser nos moldes de uma coluna. Ah, tanto faz.
Acontece que nos últimos dias eu li a notícia que o prefeito Gilberto Kassab, e sua lei Cidade Limpa, consideram agora irregular a propaganda em abrigos de ônibus na capital paulista.
Não precisa nem comentar que é mais uma artimanha da grande máquina de fazer dinheiro. Os anúncios em mobiliário urbano, que tinham escapado do rodo “cidade cinza”, foram embora e voltam só quando a prefeitura abrir licitação.
A vantagem é que com as proibições, dá-se asas à criatividade em busca de soluções alternativas que sejam tanto quão (ou quem sabe mais) eficientes que as mídias proibidas.
Através da arte, muito já foi feito para driblar a lei. Grafitti, grafitti inverso, sticker, enfim, todas as outras formas de intervenção artística na cena urbana vinculadas a algum produto ou serviço.
O que eu não tinha visto ainda é o que um leitor do ônibus azul, publicou ontem. Uma variação do tradicional take one, agora amarrado aos postes de iluminação pública.
Tal idéia me fez resgatar na memória a época em que eu era pequeno e recebia os take one (que na verdade eram quase take one hundred) dos simpáticos velhinhos com cartazes na frente e nas costas. Os tais billboardmans, aqui conhecidos como homens-sanduíche, homens-placa ou plaqueiros, avançam na contramão do glamour da publicidade de alta tecnologia e estampam anúncios de diversos produtos e serviços, como a compra e venda de ouro, tíquetes-refeição ou de metrô, escapando das garras da lei Kassabiana.
Será então que a tal Lei propicia uma involução na forma de se fazer propaganda? Ou seria essa a evolução?
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Rafael Amaral, 21, é planner na Super Produções e blogueiro do Estagiaridade. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.
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Vale lembrar do processo para exclusão do logo do Itaú do topo do Conjunto Nacional, e do “M” do Mackenzie, na Consolação – ambos tidos como símbolos de São Paulo, praticamente incorporados a sua arquitetura.
Não achei nada demais nisso que chamaram de Take one de poste. Isso já existia.
Em relação ao Nunkassab, acho que não temos mais o que falar, né!
A tendência do momento é “anuncie nesta camiseta”.
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