Resposta a “Você confia no seu publicitário favorito?”
Esse texto tem uma história especial. Começou quando li o texto do André Rafanhin, aqui mesmo na Casa do Galo. Ele falava sobre um estudo do instituto alemão GfK, que ranqueou todas as profissões das mais para as menos confiáveis, e dizia que, internacionalmente, apenas 28% dos entrevistados confiam em publicitários.
E questionava: “se não confiam em nós, porque confiam no que a gente fala? Afinal, as campanhas gigantescas, milionárias e super premiadas mundo afora são fruto do nosso serviço, tudo que é dito ali foi milimetricamente analisado e pensado para atingir um objetivo. Se você passou a obedecer sua sede ou se sentiu mais confiante de um dia pro outro porque viu que o impossível não era nada, então o que falamos e fazemos foi legal para você, mostrou algo útil com o qual você se identificou e comprou a idéia…”
Então fiquei com vontade de discutir esse assunto.
Minha impressão é que as pessoas não confiam no que os publicitários falam. Eu explico. A dinâmica da publicidade é baseada em duas forças, a demanda do público e a necessidade de venda do anunciante.
O problema é que a população perdeu a crença de que os publicitários e fabricantes poderiam combinar os produtos que oferecem aos desejos do mercado. Mas isso não significa que o mercado deixa de desejar. As pessoas continuam com suas necessidades à flor da pele, não importando em que ponto da Pirâmide de Maslow estas estão.
As pessoas não compram um determinado produto pela propaganda. Compram porque acreditam que sua necessidade, seja fome ou status, será atendida com aquele produto, e não será apenas um filme de 30 segundos que poderá influenciar totalmente isso.
É impossível negar que a publicidade ainda impacta a sociedade, e isso pode ser visto em cada lançamento no mercado, onde um produto sem qualquer histórico de consumo pode se tornar um sucesso.
Porém as necessidades humanas vem antes. E a crise de credibilidade da publicidade se deve à própria raiz do consumismo. Vem a propaganda e diz “Compre isso e seja feliz”, você compra, não fica feliz, e se irrita com a propaganda. Então vem a propaganda e promete mais. E você se desaponta mais. Então vem as empresas e os publicitários inescrupulosos e prometem o impossível. O resto você já sabe.
Acho um engano pensar que a população ainda aceita a propaganda. Ela a engole, e muito a contragosto, porque é difícil fugir. Mas basta ver como alguns exemplos de propaganda alternativa fazem sucesso (como os virais, ou mesmo a campanha da Oi, mais transparente e direta), para entender que o mundo da publicidade não é mais o mesmo. Ainda que as pessoas continuem comprando, as relações de consumo deixaram, há muito, de ser amigáveis.
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Lucas Couto, 25, é publicitário por formação e inquieto por natureza. Já atuou nas áreas de Criação, Marketing, Inovação, Vendas, Logística, Finanças, e mais uma porrada de coisas (foco que é bom, nada). Hoje é empresário e co-criador do site Que Tal Isso?, dedicado à criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras.
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Lucas Couto, 25, é publicitário por formação e inquieto por natureza. Já atuou nas áreas de Criação, Marketing, Inovação, Vendas, Logística, Finanças, e mais uma porrada de coisas (foco que é bom, nada). Hoje é empresário e co-criador do site Que Tal Isso?, dedicado à criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras. 







Lucão, show de bola o artigo cara, separei aqui um trechinho dele:
“As pessoas não compram um determinado produto pela propaganda. Compram porque acreditam que sua necessidade, seja fome ou status, será atendida com aquele produto, e não será apenas um filme de 30 segundos que poderá influenciar totalmente isso.”
Concordo com o que você diz, mas ai pensei o seguinte: o cara tem uma necessidade que é atendida por, digamos, três produtos diferente. Alguma coisa influencia esse sujeito, podendo ser o comercial na tv ou a simples opinião de um amigo.
O interessante também são os casos de amor a determinado produto. Também explico. Em um evento do GP realizado semana passada, uma das palestras era do case “njornadas” da Nokia. O cara disse que o principal concorrente era o iPhone. Então eles realizaram dois focus groups, um de Nokia lovers e outro de iPhone lovers. Ambos defendiam suas marcas com unhas e dentes, mas quando se confrontaram, os amantes de Nokia levaram AQUELA SURRA dos usuários de iPhone. Essa paixão provavelmente vem de uma necessidade que foi atendida, mas o produto teve de receber um start para se tornar um desejo, e aqui entra a propaganda. Como ele atendeu as expectativas, virou hit no mundo todo
Espero que você tenha entendido uaehauea
Abraços,
[Responder]
Concordo, o mundo da publicidade não é mais o mesmo. Acredito na tendência da propaganda ficar cada vez mais transparente e honesta, como é o caso da Oi, do Banco Real, Dove…GNT, até a Vivo já se tocou e passou a focar a campanha na importância de se estar conectado, em vez daquela histórinha de ser a maior do Brasil (e a maior em reclamação!) Ponto pra Propaganda de verdade, estamos no caminho certo.
[Responder]
Aliás, esqueci de dizer que adorei a repercussão do meu artigo, principalmente por ser um outro artigo e escrito pelo Lucas, que manda muito bem aqui na Casa
[Responder]
É to gostando da discusão Lucas, mas a Oi no últimos dias tem sido motivo de irritação para os clientes inclusive com risco de ser multada pela Anatel em 300 milhões por mal atendimento no SAC.
É só digitar operadora Oi nas pesquisa do google notícias e vocês vão ver o que estou dizendo.
Ou seja, mas um ponto pra quem não confia no que diz a propaganda.
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Respondendo tardiamente os comentários, por problemas no meu pc (Valeu Windows Vista!)
Fala André!
Cara, concordo q a influência da propaganda é parcial. Na hora de “decidir” (coloco as aspas pq nunca é uma escolha 100% racional) qual produto comprar, tem muito do que os amigos compram ou falam, mas é lógico q também tem um
Esses casos de amor se explicam quando a pessoas se encontra tanto no produto (e ele resolve tantas demandas), que ela passa a ter uma admiração inesperada.
Gostaria de ver, só por curiosidade, os batimentos cardíacos de um Apple Maníaco enquanto ele abre a embalagem de um lançamento que acaba de comprar.
Concordo que a propaganda pode dar um START no desejo, mas o iPhone, por exemplo, era desejado muito antes da própria Apple decidir criar algo do gênero. Os “vazamentos” de novidades, e a divulgação on-line só potencializaram o desejo q já existia…
Valeu pelos elogios, o seu artigo é q valia um livro. Eu só quis dar uns palpites.
Abs!
——————–
Oi Verena,
O maior problema é que ainda existe um abismo gigantesco entre o que a propaganda fala, e o que a empresa faz (principalmente no que diz respeito ao pós-venda).
Não dá pra ter slogan bonito, se o consumidor se sente enganado depois que comprou o produto…
Bjs, e volte sempre!
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Fala Geraldo!
Foi como eu disse acima, é complicado vender e desapontar o cliente. Entendo que o setor de pós-venda das grandes empresas não é simples de ser gerenciado, mas já é hora de eles levarem mais a sério essa área, inclusive olhando mais para as oportunidades que estão aí…
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