Redator Ortográfico ou Corretor Humano?
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Muitos confundem ainda hoje o papel de redator com o de revisor, uma distorção que encontro frequentemente em pequenas e médias agências. Pela falta de contratação do profissional que faz a revisão, fica na mão do redator aquela famosa olhada final antes de mandar para o cliente. Porém, o assunto aqui não é a revisão, mas a “visão” do redator diante da sua própria escrita ou do processo de escrever.
Lembro de ter lido em algum lugar que Paulo Coelho, em seu primeiro livro, não corrigia nada do que escrevia para manter a fluência do texto até o final. Nelson Rodrigues usava o ponto (ou a falta dele) para manter a narrativa presa ou solta. Faz pouco tempo que os clientes deixaram de torcer o nariz para títulos iniciados com “E” e “Mas” e alguns corajosos redatores buscam esta linha de pensamento na criação. Temos ainda a vigente e indefinida reforma ortográfica, pesadelo dos redatores que tem empresas farmaceuticas como clientes e vivem no vai e volta de texto para saber se antiespasmódico é junto ou separado (é junto, pessoal).
No artigo anterior eu disse que gosto de respirar o briefing. Em uma maratona ou jogging, a respiração marca o compasso e o tempo até a chegada. Marca o ritmo. Ao escrever, sigo o mesmo critério. Não somos escritores: flertamos com a literatura, a poesia, o cinema e tudo mais que inspire, traga prá dentro o ar fresco da idéia nova, criativa e funcional porque somos pagos para vender marcas e produtos. Escritores escrevem para si mesmos e seu público. Nós, para clientes e consumidores.
Antes que você pensem que estou “ventilando” e perdi o rumo, respirem junto comigo e quebrem um pouco as regras na hora de escrever. Melhor, esqueçam todas. O título deste artigo vem de duas categorias muito chatinhas ainda existentes no mercado: o redator ortográfico e o corretor humano.
O primeiro lembra um janista (partidário de Jânio da Silva Quadros vigésimo segundo presidente do Brasil, o “fi-lo porque qui-lo” e “bebo porque é liquido, se fosse sólido comelo-ia”). O segundo é pura inteligência artificial, catedrática e acadêmica. Texto limpo, perfeito mas sem emoção. Uma bela geladeira de aço escovado.
Redatores assim existem aos montes e servem muito bem para trabalhar com textos técnicos, bulas de remédios, obituários até. E viram diretores de criação e redação também. Outros são pegos ainda cedo na faculdade e tem suas asinhas criativas cortadas e trocadas por dois dicionários. Você não vai ver frases como “porque se sujar faz bem” da campanha joinha de OMO nem no brainstorm deles.
Última respirada, direto e sem vírgulas: Redator que usa o coração que torce pro timão (de sua preferência) que beija a namorada ou a esposa que leva o carro e o cachorro e que brinca de cavalinho no domingo com o sobrinho ou os filhos faz qualquer texto porque sente o conteúdo e não trava na forma. Perdeu o ar? Espero que não.
Sem distorção: não estou dizendo prá ser relaxado. Mas relaxe. desligue o corretor ortográfico do seu programa de texto Desligue o programa. Pegue um lápis e papel (nossa, como minha letra ficou feinha!) e escreva.
Já temos muitos “corretores” por aí. E este amigão chamado revisor que dá a maior força ao nosso trabalho.
Precisamos de mais redatores de coração. Mais humanos. Redatores humanos. Cadê ocêis?
Abs.
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator
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Este artigo tem as seguintes tags: agencia, coração, humano, redator, revisão, revisor

Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







Inspirado!
Tô contigo.
É por isso que eu sou fã do lápis.
Opa! Vamos lá…
… sim, inspirado, porém, há que se ter algum cuidado.
Texto publicitário, romântico, propositalmente distorcido ou manipulado para dar o ar que se pretende, é uma coisa. Licença poética ou graça calculada. Bem diferente do que vemos nos “Orkatzos” ou mesmo em trabalhos acadêmicos por todo o País.
Sugestão??? Se você não é um redator experiente, (contrate o Marcos) use o corretor ortográfico!! Quando estiver tudo do jeito que a máquina “quer”, faça a graça poética.
Me corrija se eu estiver errado!!! rs
Abraços ao Redator e amigo!!!
[...] do profissional que faz a revisão, fica na mão do redator aquela famosa … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Você não sabe como esse artigo me deu um novo ar. Até então, pensava ser o único a pensar desse jeito e não falava isso pra ninguém por medo de ser chamado de “reclamão“. Digo isso, porque aqui em Fortaleza, em muitas agência, Redator é a mesma coisa de Revisor.
Revisar me obriga a ser um ditador que foi contratado para vetar qualquer ideia disfarçada de erro ortográfico, o que é f-d-. Sou pago para ser um libertino criativo e me obrigam a cortar os meus próprios devaneios.
Sou bom em português e é natural que não cometa erros tolos durante a escrita, mas, quando a revisão está por minha conta (o que é fato), escrevo com mais cautela e isso bloqueia a fluência das palavras. claro, não é um bloqueio total, caso contrário já estaria desempregado.
Pra mim, acho contra o senso criativo ser interrompido de um raciocínio para revisar um encarte de 8 páginas. É f–a, além dos erros de português ainda tenho que ver espaçamento, erros de padrão, alinhamento.
Concordo com você, obrigar os redatores a serem revisores é um erro, e bem mais que ortográfico.
Abraços.
Às vezes, eu penso que o redator criativo é inversamente proporcional ao revisor perfeccionista.
Mas também tenho que ser os dois coisas aqui na agência.
A-ni-mal esse texto, ele deve ser lido e re-lido por todos os profissionais da área de comunicação que acham que publicitário só é publicitário, jornalista é só jornalista….sem pensar que tudo girar em torno de uma coisa só: COMUNICAÇÃO SOCIAL….antes de tudo, aprendam a falar e a escrever, depois pensem no resto.
parabéns pelo texto.
É galera, não dá para fazer o omelete sem quebrar os ovos. O mercado é assim mesmo. Ricardo de Fortaleza, mantenha-se forte e não desista. Escreva seus próprios textos, poesias, contos e até listas de supermercado com o “espírito” de redator no seu tempo livre. Crie um blog com sues textos, mande pros amigos opinarem, vire colunista da Casa do Galo!
Como disse aquela pessoa chamada Fernando: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”
Agradeço todos os comentários.
Abs.
Marcos H.
Às vezes a gente tem medo de colocar certas palavras, pontuações naquele título legalzinho por medo de não parecer “certo”.
Querer ser perfeccionista num texto, com certeza, bloqueia a fluência criativa.
A-D-O-R-E-I o artigo.
Eu trabalho melhor com papel e lápis do que no computador, as ideias fluem bem melhor assim.
[...] minha opinião, a criação de longa vida e prosperidade tem início no coração como já escrevi antes. Depois vem a referência, tudo que permanece incorporado em você e que pode se tranformar em um [...]
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