Questões Profundas
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Há muito a se dizer sobre aquilo que, em tantos momentos, permanece escondido embaixo do tapete, aguardando que alguém tenha determinação suficiente para abrir a alma em relação a sentimentos, angústias e percepções desprevenidas diante da vida.
Cada um possui, dentro de si, as suas questões profundas – aquelas que atrapalham o sono, que dificultam o despertar e causam exagerado susto quando confrontadas pelo pensamento. Aquilo que as pessoas fingem que não existe e, por agirem dessa maneira, colocam a culpa em tantos outros motivos menores. Estes, por sua vez, assumem sua parte no cansaço, nas doenças, na fadiga e em todos os sintomas cabíveis de se encontrar quando se perde o valor do que realmente importa.
É verdade que o afastamento das questões profundas traz a fantasia de se estar bem, tornando as defesas bem mais funcionais. Não há contradição, não há medos nem desavenças: há apenas o viver estático disfarçado por um estranho conformismo diante do mundo.
Muitos vivem por um longo tempo até se darem conta da importância do encontro com tais questões e, quando as descobrem, percebem o quanto viveram escondidos de suas próprias lembranças, dores, realidades e alegrias… Sim, pois ao lado da memória caminha a gratidão, e juntamente com a dor, o crescimento. Jamais somos apenas cara ou coroa na trilha da vida, uma vez que para ganhar é estritamente necessário perder.
O que temos de mais íntimo e verdadeiro é o que revelamos apenas ao nosso travesseiro, numa noite nem tão encantada pela lua, talvez num momento avassalador de encontro com aquilo que é vivo, muito vivo dentro de nós… Demoramos tanto tempo para confiar a alguém que, quando visualizamos a força com que o nó foi dado, torna-se difícil ter forças para desatá-lo, ainda que seja a atitude mais importante que precisemos adotar.
É somente com a aproximação de nós mesmos que se obtém a tão sonhada liberdade de se entrar em contato com questões profundas, com aquilo que toca a alma e faz sentido dentro de nossa existência.
Dessa forma, não se precisa ser nem cara nem coroa, mas simplesmente a moeda mais única e especial que se pode encontrar pelo mundo afora… a moeda que não compra nem vende – a moeda do amor de um indivíduo por si mesmo.
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Tatiana Kielberman, 23, é futura psicóloga, mas possui os dois pés no mundo da escrita. Trabalha na área de Comunicação no Grupo Foco, unindo duas grandes paixões: Recursos Humanos e Jornalismo. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras.
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