Queridos Publicitários
Ontem eu estava assistindo aquela minissérie da TV Globo, Queridos Amigos (além do jornal, é a única coisa que tenho tempo para assistir ultimamente). Ela retrata a década em que nasci - a de 80 - e mostra, em meio aos conflitos da trama, como o país mudava e caminhava para se tornar o que é hoje em um ano decisivo em nossa história: 1989.
Mas o que mas me interessa é de um dos ambientes da trama, uma redação de revista masculina. É engraçado ouvir alguns fatos e nomes que hoje fazem parte do dia-a-dia da empresa que em que trabalho - a Editora Abril. Outro dia falaram o nome de uma mulher que hoje é diretora de redação de uma das grandes revistas da casa. Não por acaso, a Maria Adelaide Amaral, trabalhou na Abril nos anos 70.
Observando tudo isso, parei para uma reflexão. E a publicidade nessa época, como era? Sei que os grandes artistas e maiores vencedores de todos os tempos surgiram lá por essa época. Na década de 80 e comecinho da de 90, ser publicitário era a profissão do momento. Usava-se blazer com ombreiras (argh!), camiseta e aqueles Ray-Bans estilosos que o Johnny Depp volta e meia está usando.
Hoje temos uma série de programas e editores de imagens para fazer o trabalho sujo - ah! e os estagiários também. Temos os computadores! Quem tem mais de 40 anos deve ter cansado de usar uma olivetti! Diretor de arte montava anúncio na mão! Não havia o Google, haviam as bibliotecas, coleções de gibis e bolachões do Wando.
Não haviam grandes escolas de propaganda. Mas, apesar de tudo, foi nessa época que os melhores comerciais já produzidos na história da propaganda brasileira. É a mesma teoria que já ouvi do Nizan Guanaes uma vez: na Bahia, um território muito árido para os publicitários nos anos 90, não existiam muitas agências e os clientes eram os piores possíveis. Os que acabavam vindo para o eixo Rio-São Paulo se tornaram profissionais de sucesso, pois conseguiam elevar a criatividade ao limite, para fazer anúncios de clientes como mercearias e imobiliárias.
Esses caras eram verdadeiros guerreiros. Não a toa muitos são os grandes donos e presidentes das maiores agências do país, afinal, eles criaram boa parte do mainstream publicitário. O que fica de lição para nós é como, com pouquíssimos recursos (comparado a hoje), chegava-se a resultados muito bons. Superar e inovar constantemente, sempre perseguindo uma propaganda inovadora e criativa.
As idéias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.
Marquito, 23, é publicitário formado pelo Mackenzie e adora a criação e está de volta a redação publicitária. Escreve para a Casa do galo às quartas-feiras.
marcos.cangiano@gmail.com | http://www.divagacoeseideias.blogspot.com
Últimos artigos escritos por Marquito
- Visa4You - A dura batalha de se conseguir um Visto para Londres
- Vida de publicitário - Ensaio sobre um passado distante
- Vida de publicitário - Ensaio sobre um futuro próximo
- Arthur C. Clarke - 2001: Que odisséia que nada, era tudo verdade!
- A Biblioteca da Casa - Na Toca dos Anéis
- Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás
Artigos relacionados
- Marketing religioso, pela ótica da Igreja
- Jesus e Intelectuais: no fundo publicitários
- Uma conversa ½ séria por um pouco mais de humor na propaganda
- A técnica de redação e a arte de escrever
- Viral de Ferrari: desvendado
Marquito já escreveu 42
artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Marquito.
Este artigo tem as seguintes tags: amigos, escrever, globo, maquina, minisserie, Nizan, olivetti, propaganda, queridos, serie









Eae Marquito.
Acho que como você disse, publicidade é “superar e inovar constantemente, sempre perseguindo uma ‘idéia’ inovadora e criativa”, como naqueles tempos tudo era mais difícil e ao mesmo tempo mais novo, qualquer inclusão ou invenção bem planejada faria de um sujeito, grande sucesso. Não desmerecendo ninguém, pelo contrário, eles são publicitários, e não é atoa que perceberam essa carência no mercado da época e estão onde estão hoje.
Mas em minha opinião, as coisas tinham mais amplitude, principalmente pela baixa quantidade de meios às quais poderiam chegar ao consumidor final, hoje essa diferença e astronômica.
Abraços.
Tiago Fidelis Moralles’s last blog post..24 horas, cozinhando
Hahahahahahaha
O site do Wando apavora!
Alessandro Ribeiro’s last blog post..Um dia continua (e continuou)
Aliás, ouvi dizer que o prédio do shopping de guarulhos, visto de cima, tem o formato de uma máquina de escrever olivetti, já que ali era a fábrica deles.
Alguém sabe sobre isso?
Hum, pode até ser. Vou algumas vezes lá. Mas nunca vi de cima.
Marquito’s last blog post..2008 vem ai
O presidente aqui da agência, Fernando Luna, só usa máquina de escrever.
Ele é o último romântico Bruna.
Marquito’s last blog post..TESTE ONLINEasas as as as 2
Marquito, bem interessante seu artigo. Vale lembrar que os recursos em termos da infra que temos hoje(computadores etc.) não existiam, mas em compensação existia mais gente pra executar as tarefas. Além do mais, nessa época as verbas costumavam ser bem maiores e os prazos também.
Kátia Viola’s last blog post..Agências Especializadas Também Precisam de Atendimento
Oi Eu tenho 16 anos ainda estou cursando o ensino médio e gostei muito das suas publicações, mais eu tenho umas pergutinhas a serem feitas. O publicitário ele trabalha pra ele mesmo ou ele cria seus próprios negocios? Em relação ao emprego, o públicitário tem boas oportunidades aqui na Bahia? em que estado? se vc puder mim ajudar com essas perguntas eu ficarei muito grata, brigada. E você está fazendo um belo trabalho gostei muito e espero mim tornar uma profissional quando mim formar…
Olá Edilene,
Muito obrigado pela visita.
Inicialmente o publicitário costuma trabalhar como funcionário em agências de publicidade. Com o tempo, quando tiver bastante experiência, ele pode abrir sua própria agência.
O mercado na Bahia não é dos melhores, mas parece ser muito bom sim. Se você for uma boa publicitária, mercado não faltará em nenhum lugar.
Dá uma lida nesse especial que fizemos:
http://casadogalo.com/a-fantastica-fabrica-da-publicidade/
Abraços e boa sorte,
Diego
Deixe seu comentário!
Receba os artigos por e-mail
O título deste artigo veio de uma música do Arnaldo Antunes que se chama “Na massa”. Abri meu livrinho sujo sobre sociologia na publicidade e lá estava a palavra. Escutei esses dias alguém falando de um tal público-alvo que abrange todo mundo. Existe isso? O que seria a tal da massa? Imagino algo como seres [...]
Na madrugada de terça para quarta (5/11) o mundo conheceu o novo presidente dos Estados Unidos da América, o até então senador Barack Husein Obama. Obama é hoje a nova síntese do sonho americano, negro, líder comunitário, filho de imigrante, eleito para o cargo mais importante daquele país. Contra todos os prognósticos iniciais, a campanha [...]
Eu quero descer na próxima parada, antes da bisonha estação da reforma ortográfica. Onde já se viu acabarem com o acento agudo no pára?
Pára com acento agudo é uma das palavras mais charmosas da língua portuguesa.
A justificativa para a mudança é que o contexto indica o sentido que a palavra quer passar. Acontece que o [...]
Ofertas Submarino
Compre livros
Artigos recentes
Mais comentados
Mais lidos