Que vontade de ser diretor de cena
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Job: criar storyline de filme 30seg, posteriormente passá-lo para roteiro e posteriormente storyzá-lo (termo de minha autoria, quer dizer montar storyboard).
Coleta de informações habituais de brief, noção e respeito aos guidelines da marca e pronto. Lá vai o redator correr atrás de conceitos. Após, pincela os melhores com o diretor de arte e eles decidem pular o storyline por conta do prazo. Sai logo o roteiro.
1)
Vemos uma mulher almoçando com alguns amigos do trabalho.
Ela está tomando um prato com molho vermelho. Sem que ela se dê conta uma mancha cai em sua blusa. Mas em vez de se fixar a mancha escorrega e cai no chão.
Cortamos para o chão e vemos mancha se levantando e subindo pelo pé da cadeira. Ela se joga sobre a mesa e de lá se atira novamente contra a blusa da mulher.
Para o desespero da mancha, mais uma vez ela não consegue se fixar no tecido e escorrega e vai para o chão.
Locução em off: “Daqui pra frente vai ser cada vez mais difícil para as manchas se fixarem nas suas roupas. Chegou o Novo Omo Progress Ultrafluid.”
Corte para pack e demo do tobogã e imagens muito bonitas do líquido atuando sobre a rodas.
Loc.off: “Só ele remove manchas e ainda protege as fibras dificultando a fixação de novas manchas.”
Pack final do produto numa posição frontal como se ele estivesse protegendo as roupas que estão atrás dele.
Loc.off: “Novo Omo Progress. Faz por você o que nenhum outro faz.”
Cena final da mancha que, cansada, cai enquanto tentava escalar novamente o pé da cadeira.
A seguir, o diretor de arte dá seus pulos para produzir o storyboard.
De virar os bancos de imagens de cabeça para baixo a fazer montagens complexas, ele ainda tem as manhas de pedir mudança em alguma cena, dada a dificuldade de se conseguir a danada da imagem. O redator, solidário, claro, reescreve, readequa, ressente-se da exatidão milimétrica e problemática da cena.
Job aprovado após três, quatro alterações, nada demais, e vem os orçamentos, fecha-se com uma produtora e chega a hora de reunião de pré-produção.
Eis que entra em cena, enfim, o protagonista desse artigo: o diretor de cena.
Inteligente, articulado e geralmente meio mala, é ele quem faz o cliente acreditar que o filme estoura os 30, que tem muito OFF, que o logo tá grande demais.
Óhhhhhhh!
Nessas horas, eu vejo algo meio mágico no ar. O poder de persuasão do cara é tremendo. Até parece que aquilo que eu cansei de repetir na agência jamais chegou aos ouvidos do cliente.
Agrademos ao diretor de cena. Quatro, cinco palavrinhas cortadas no OFF e ele tem um tempo a mais para deitar e rolar na captação das cenas.
Diretor de cena em ação é como um sultão na Arábia.
Pediu e tá na mão.
Seus subordinados correm pra lá e pra cá em busca de saciar seus anseios.
Bem, um diretor de cena acho que está mais para um general na guerra, haja vista que ele não demonstra prazer pela realização de suas necessidades, como o sultão. Ele precisa e resolve, raciocina e resolve, soluciona e resolve com a cara fechada mesmo.
Deve ser cinema-maníaco.
Deve amar o que faz demasiadamente, pois pega o filho da dupla de criação e o cria como seu sem a menor cerimônia. Por causa disso, deve causar dor de cotovelo em duplas Brasil afora.
Deve sempre reclamar que não se fazem mais roteiristas como antigamente, até para diminuir o número de publicitários querendo ser diretor de cena.
Deve ganhar bem pacas. Em off, já ouvi falar a respeito.
E nada mais justo que não deva nada a ninguém.
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa. Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras.
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Mauro Sérgio de Morais está redator e tem alguma experiência. Também tem alguns prêmios e uma dificuldade tremenda em escrever currículos na terceira pessoa.
Escreve de vez em quando para a Casa do galo, às sextas-feiras. 







Se nos longas o diretor de cena já apita alto do set dressing ao elenco e (como no caso) ainda dirige o filme, é natural que tente deixar a assinatura. O que não justifica a violência de mexer no roteiro – na genética da cria alheia, por mais que seja impossível fazer uma leitura sem desenhar as imagens na mente com sua própria versão.
Paciência, ele “recebe” pra isso.
Maurão, adoro quando você fala da rotina de uma agência.
Ainda mais que estou num momento que sinto uma vontade enorme de fazer o sentido contrário e ir para o off-line.
Parabéns pelo texto e uma pergunta: essa idéia de filme rolou de verdade?
Hehehe. Desculpem-me a demora.
Maior correria. Cheguei aqui através desse papo:
com: é mtu engraçado
com: como seus titulos são caracteristicos seus
com: títulos? q títulos????
da casa
.com: “que vontade de ser diretor de cena”
Tou maior previsível.
Num sei se rolou não, Alessandro. Acho q nem dá pra checar tbém, prq tem o maior tempo.
Trata-se daqueles ghosts da vida que passam de máquina em máquina e tornam-se referência.
Esse roteiro é dos idos de 02/03, sei lá.
Abraços.
mauro.
ainda acho que se fazer entender pela combinação das palavras é fascinante.
ab.
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