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Que tempo bom, que não sobra nunca mais

24 setembro 2007 8 comentários escrito por Alessandro Ribeiro

Euclides, na repartição, em 1970:

- Euclides, a gente ta indo comer um PF ali no bar do Zeca, você vem?
- Agora não posso. To com uma pilha de relatórios pra ler, um monte de ligações pra retornar e ainda quero ver se consigo chegar a tempo de assistir ao Jornal Nacional.

    Euclides Júnior, na redação do jornal, em 1988:

    - Ô, Euclides, bora tomar uma cerveja depois do expediente?
    - Hoje não vai dar. Tenho que fazer uma pesquisa na Barsa pro meu mestrado e fiquei de assistir aos Goonies com o meu filho na Sharp com controle remoto que eu comprei essa semana.

      Euclides Neto, na agência, em 2007 às 23:35h:

      - Neto, chegou a pizza.
      - Já vou. Deixa só eu terminar de ver esse vídeo no Youtube, ler os meus 256 feeds, acrescentar mais 18 fotos no meu álbum do Orkut e montar a apresentação pro cliente.
      - Ok, mas anda logo, senão a Criação devora tudo e não vai sobrar azeitona sobre azeitona.

        Orkut

        Youtube

        Google

        Delicious

        Twitter

        IPod/iTunes/iPhone/iTudo

        Blogs e mais blogs

        Portais de notícias

        Flickr

        MSN

        Feeds

        Bluetooth

        Wi-Fi

        Wikipedia

        SMS

        E-mails

        Estes são só alguns dos nomes e termos que fazem parte das nossas vidas hoje e sem os quais não conseguiremos mais viver. Ou, pelo menos, achamos que não. E é por isso que pergunto: será que a sociedade evoluiu mesmo? Será que a tecnologia, a internet e o fato de usarmos cada vez menos papéis – salvo o higiênico – facilitaram, de fato, a vida das pessoas? Conseguimos mesmo otimizar o nosso tempo?

        É claro que na maioria dos casos, sim. É muito mais fácil, prático e barato, por exemplo, chamar um amigo no MSN pra trocar um idéia do que ligar. Ou, então, fazer uma pesquisa de texto na Wikipedia e de imagem no Flickr do que folhear, copiar e xerocar da Barsa. A tecnologia facilita, sim, a vida do ser humano. O problema é que esse avanço chega sem ao menos pedir licença. E, sem percebermos, começamos a consumi-lo. Quando nos damos conta, não temos o básico para tal: tempo. Chega a ser contraditório.

        Há tanta tecnologia hoje, que, às vezes, me contento em apenas saber do que se trata, pois sei que não terei tempo pra utilizar. Foi o caso do já nostálgico Second Life e é o caso da mais nova febre dos heavyusers de internet: o Twitter.

        Em meio a esse mundo de Wiis e iPhones, talvez o que a tecnologia ainda não tenha conseguido otimizar seja a própria tecnologia.

        Só espero que essa vida de convergente tecnológico não acabe me fazendo mal um dia. Saudade do tempo em que eu ficava louco apenas com tantos e-mails na minha caixa de entrada.

        Ah, o que isso tem a ver com publicidade? É melhor você começar a encarar logo esses nomes como marcas.

        Viralzinho da semana: alguma dúvida? Bruno Divetta, claro. O vídeo do cidadão viralizou no meio publicitário em menos de 24 horas. Em pouquíssimo tempo, já era notícia nos blogs especializados em Publicidade, Marketing Viral e afins. Muita gente já deu seu palpite para “desvendar” o mistério e a pergunta ainda sem resposta é: é viral ou não é? Viral é, só resta saber se faz parte, realmente, de alguma ação para alguma marca ou para algum programa de televisão, como falaram. Mas, sinceramente, não entendi por que deram tanta corda pra isso. Quando recebi o vídeo pela primeira vez (recebi algumas vezes), não tive nenhuma reação. Não achei engraçado, nem bizarro, nem vergonhoso ou ridículo. O que importa é que deu certo. E só pra constar: eu tenho uma amiga em comum com o Bruno Divetta no Orkut. Curioso. Talvez seja apenas alguém querendo chamar a atenção mesmo. Mas a essa altura do campeonato, espero que não.

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        Alessandro Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

        aleribeiro13@gmail.com | http://www.obolacheiro.blogspot.com


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        8 comentários »

        • Galo disse:

          Boa Ale.

          Uma vez eu li um artigo que dizia exatamente isso. A gente desenvolve inúmeros mecanismos para aumentar a produtividade, mas não é para que tenhamos mais tempo livre. Para que tudo isso?

          Ou seja, o tempo livre que conseguimos com a evolução tecnológica, é usado para trabalhar ainda mais.

          [Responder]

        • Rafael Amaral disse:

          Eu gosto da liberdade de escolha que a tecnologia oferece.

          Você é quem define o que quer usar, ou não. Second life? Li a respeito. Achei “legalzinho”. Nem criei avatar.

          Vale lembrar também a opção de mesclar as utilidades. Dá para acompanhar seu portal de notícias preferido, seus blogs e seu orkut direto no agregador de feeds.

          É tudo questão de gosto e interesse pessoal.

          E já que você citou, seria o papel higiênico uma involução da tecnologia? Bidês e similares foram inventados anos depois. Ou seria esse seu tópico o início de uma campanha pró-duchinha?

          [Responder]

        • mauro disse:

          Cá entre nós: quem é q tem coragem de ir embora da sua agência às 18h, 18h30, 19h?
          A impressão q tenho é q quando vazamos mais cedo, olhos estão sobre a gente.

          Eu já vi um cara muito sossegado q vazava às 17h30, mas a empresa tava se lixando pra isso. Incluindo a qualidade e volume de trabalho.

          Quanto ao SL eu curto, hein.
          Euclides fica bem de avatar

          [Responder]

        • Alessandro Ribeiro (author) disse:

          Hahaha “campanha pró-duchinha” foi ótima, Rafa! Na verdade, o papel higiênico não passa de um rolo de merda. ¬ ¬

          Mas, falando sério, hoje temos tantas novidades que não temos tempo disponível pra usufuir de todas. Pelo menos essa é minha opinião. Quando achamos que já conhecemos tudo, sempre chega um conhecido indicando uma novidade.

          [Responder]

        • sineN disse:

          Ale,
          curti pra caralho seu texto!
          Mas não to nem um pouco afim de tecer um comentário mais abalizado!

          Parabéns e abraço!

          [Responder]

        • Marquito disse:

          Essa de sair mais cedo é uma paranóia que nós mesmos criamos. Se o trabalho está em dia, por que não? Pra fazer média? É lógico que muitas vezes o volume de trampo é enorme e nem em 59 horas damos conta (eu mesmo sou assim). Mas, e que tal chegar um pouco mais cedo no trabalho? Aqui na Abril isso já é escola. Você não vê jornalista chegando antes das 11 (salvo exceções workaholics). O pessoal da revista Ana Maria resolveu trocar o expediente e chegar 2 horinhas mais cedo. E não é que deu certo? Agora todos tem tempo para uma vida social mais ativa. Esse é o grande problema dessa montanha de tecnologia – você fica com receio de não acompanhar e ficar para trás, ao mesmo tempo que não avalia se toda e qualquer “inovação” é realmente uma inovação (eu achava esse Second Life uma picaretagem desde a primeira vez que eu vi). O negócio é relaxar e gozar (mas não com a Marta).

          p.s.

          Já o Nintendo Wii é muito legal. Esse sim é uma inovação. E gera disputas acirradas no Wii Sports, principalmente no boliche e no tênis.

          [Responder]

        • Ana disse:

          Eu também adoro essa tecnologia nova… e gostaria de ter tempo. Mas, creio que essa será sempre uma briga do ser humano.

          Há 50 anos o homem reclamava, há 20 também, e daqui 10 anos continuaremos reclamando e criando coisas que facilitem nossa vida.

          Que tal não se deixar levar?! Quanto mais o homem cria, mais queremos saber tudo, menos tempo temos. Então, proponho, que tal se preocupar menos?! Que tal se preocupar menos com o trabalho, menos com tecnologias que não nos levam a lugar nenhum??

          [Responder]

        • Alessandro Ribeiro (author) disse:

          Pessoal,

          Só pra voltar ao assunto Bruno Divetta, se é que interessa: acabei de falar com a amiga que eu tenho em comum com ele e ela disse que o conheceu num Reveillon na Praia Grande e que na época ele disse que tinha uma agência de Mkt Digital. Vejam na minha página:

          http://www.orkut.com/Scrapbook.aspx

          [Responder]

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