Quando falta o Mojo
|
|
|

O artigo de hoje vai ser literalmente um ‘papo de macho’. Você, Austin Powers, que por motivos de força maior ficou em determinada hora da sua vida com o ‘h’ minúsculo e aboliu do seu cérebro no mesmo momento a idéia repentina e estúpida de que poderia fazer uso das pílulas contra disfunção erétil. Fique tranqüilo, eu sei que isso nunca te aconteceu antes e é por isso que eu vou falar do assunto com carinho, ok?
Medicamento é algo difícil e perigoso de anunciar, pois, dependendo da forma pode até induzir o uso indevido. Essa seria, teoricamente, a peculiaridade da propaganda farmacêutica pelo fato de ninguém comprar remédio por prazer, a não ser as pessoas, que na falta de drogas ilícitas, fazem uso de um antiinflamatório conhecido da nossa infância, o Benflogin.
Assim, é de se imaginar que a propaganda seja direcionada para o médico, mas, na prática a coisa muda de figura, pois, os laboratórios querem se firmar como a marca preferida de seus consumidores e assim emplacar com mais de um medicamento na hora da compra. Principalmente porque não podem anunciar o medicamento em si conforme as limitações impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe a veiculação de propaganda com referência direta a medicamentos que exigem prescrição médica.
Os 3 líderes deste mercado são o Viagra, do laboratório Pfizer, o Cialis, do laboratório Lilly e o Levitra, da Bayer.
Diferentemente de outros setores, haja inteligência para vender sem falar exatamente do que. O resultado são peças cheias de segundas intenções e mensagens subliminares que mostram como uma criação pode ser sexual, sem ser vulgar.
A Y&R do Brasil, convenhamos, fez com maestria a campanha do Pfizer. Além do mobiliário urbano, mídia impressa e eletrônica desenvolveu um site para gerar envolvimento com o consumidor fora da mídia de massa.
No filme, repare que, aos 28 segundos, surge no rodapé da tela um réptil do nada que mais parece outra coisa. Viva a mensagem subliminar.
A Campanha Nacional contra o Tabagismo, realizada pela Pfizer, é um gancho para o anúncio indireto do Viagra, uma vez que o hábito de fumar é uma das causas da disfunção erétil.
Outro ponto favorável para a Pfizer é o fato do nome Viagra ter virado sinônimo de categoria. O Google lista mais de 17 milhões de web pages que usam a palavra Viagra, enquanto Aspirina conta com 3,3 milhões e Tylenol com 936 mil.Para não constranger o paciente, as campanhas assumem um caráter educativo e sempre direcionam o homem para uma conversa com o médico. O site do Cialis, por exemplo, explica tudo sobre disfunção erétil.
A campanha desenvolvida pela LongPlay faz um comparativo da vida do homem antes e depois do Cialis.
Penso que, por não poder dizer necessariamente do que se trata, a campanha acaba não dizendo muita coisa para quem não conhece o produto. Simplesmente porque, conforme regulamenta a Anvisa, o anúncio não pode ter informações sobre medicamentos.Não é novidade para ninguém que o apelo sexual vende muito. Mas e neste caso? Tenho certeza que sim, mas, não da mesma forma que em um anúncio de cerveja, pois aqui a vitalidade sexual é vista como a solução de um problema. Daí a palavra chave ser DISCRIÇÃO para todas estas campanhas.
Para fechar, vale lembrar que nenhum veículo pode divulgar qualquer tipo de anúncio que faça alusão direta à venda de medicamentos que exigem prescrição médica. Mas vamos à realidade: Existe coisa mais sexual do que a mulher do filme da Pfizer dando uma bola azul para um homem? Será mesmo que as pessoas não sabem que se trata do Viagra?
As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.
Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.
brunarocha84@gmail.com | http://www.longplay360.com.br
Últimos artigos escritos por Bruna
Bruna já escreveu 37
artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Bruna.
Este artigo tem as seguintes tags:

Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras. 







A da Lilly eu considero mais eficaz. Eu acho. Antes e depois é bem clichê, mas ver TV na sala de fato é brochante.
E da mesma forma que a mensatruação é azul para o universo dos absorventes, aqui os homens podem brochar com mulheres lindas e em plenos tenros vinte e poucos anos. Olha a aparência do cara do Viagra!
Pelo menos o da Lilly mostra um casal mais propenso a ser público alvo (o primeiro).
PS: Sendo um pouco machista: se algum dia o cara brochar com aquela mina do Viagra, ou é viado, ou é eunuco, Bátema!
PPS: Será que se a mulher comer um pedaço do pomo viagral, a menstruação fica azul?
Também acho o da Lilly mais “certeiro”, mas me lembro a primeira vez que vi na TV o comercial do Viagra, de alguma forma ele me agradou. Talvez a música, o ambiente, o fato de tratarem um assunto complicado de uma forma “romântica”. Bem, fato é, vocês publicitários acertaram na forma de “vender remédios” complicados de uma forma que não ofende ninguém.
Precisam aprender agora a fazer isso com os purgantes né?! Aliás, alguém aí pode falar daqueles comerciais ridículos de purgante?!?!?! Hehehehe.
Mas, Alê, acho que as pessoas fazem a associação na hora da bola azul com o Viagra. Nas peças impressas, eles praticamente tiraram o packshot do comprimido e colocaram uma bola no lugar. A visão aguçada que a gente tem acho que vale para os outros elementos do filme, como o bixo que aparece do rodapé e a mulher passando um dedinho (bem de leve) na mão do cara.
Ana, dedico este artigo para você… mulher empenhada e top comentarista do mÊs.
Tou gostando de ver, Bruna.
Ótimos artigos.
Perdoe-me a demora em deixar um comentário, mas registro aqui que vc manda bem pacas.
As mulheres vão dominar o mundo. A Casa do Galo já tá dominada.
Se revelarmos qual era o e-mail dela nos tempos de Submarino, estará esclarecida toda essa obsessão por temas meio pra baixo.
Mauro, vc também tem que me perdoar. Quase nunca comento suas colunas.
Clau, encontrei Jesus e um TI que tem dó dos funcionários e hoje tenho um e-mail decente.
Enfim, fico feliz que o assunto tenha agradado tanto. rs
Como era mesmo o seu e-mail no Submarino?
Realmente, é muito profunda e sublime… a outra da comparação de vida é melhor.
Deixe seu comentário!
Assine o RSS da Casa do galo
N/A assinantes
Publicidade
Leia também
Vagas para publicidade
O que ando dizendo no Twitter
Posting tweet...
Powered by Twitter Tools
Parcerias
Mais comentados
Mais lidos
Casa do galo by Diego Jock is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at casadogalo.com. Permissions beyond the scope of this license may be obtained by contacting this blog editor.