Publicidade: a pessoa de hoje

Eu não sou você e nem quero ser. Somos muito diferentes: tenho meus gostos, minhas necessidades e vontades, estilo próprio.
Eu sou você. Temos muitas coisas em comum. Conhecemos um mesmo mundo, freqüentamos os mesmos lugares, falamos sobre os mesmos assuntos.
Eu não sou ‘nós’. Não faço parte deste nem daquele grupo. Só as árveres somos nozes.
Esta confusão toda se passa na cabeça de cada um. Existe uma identidade pessoal que todos queremos preservar. Queremos nos diferenciar de cada indivíduo, deixar nossa marca no mundo: fazer, aparecer, ser. Seguimos o caminho que tentamos, nós mesmos, traçar. Mas qual a inspiração que trilha este caminho?
Então sou parte de um grupo. Um grupo que segue pelo caminho das indicações. Não descobrimos muitas coisas sozinhos, não diminuímos nas curvas e não aceleramos nas retas sem ter referências. E referências, hoje, não nos faltam. Lemos blogs, jornais on line, portais, jornais off line, revistas, celulares…
As pessoas estão confusas sem saber. As novidades e a vida frenética não dão o tempo necessário para pensar muito antes de agir. Então vamos seguindo em grupo e de mãos dadas para todos tentarmos acertar juntos. Por isso discutimos as mesmas coisas, por isso a social media é tão popular, por isso nos expomos o tempo todo, por isso e por nós mesmos. Mas nós não somos ‘eu’. E por isso sou diferente; as suas idéias é que são parecidas com as minhas.
E a publicidade?
Bem, a publicidade é uma pessoa de várias idéias. Está confusa e diferente. Ela está trilhando seu caminho, em grupo, com idéias dela. As suas é que são parecidas.
E assim vamos andando devagar, na velocidade da banda larga.
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Claudinei Junior, 24, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Curiosíssimo, trabalha com planejamento e mídia na Marca X, agência de propaganda do interior de SP. Faz de tudo, menos arte e café. Inclusive, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
jrpunketone@gmail.com | http://orgasmoscerebrais.blogspot.com
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Eu não sou eu… sou metade mãe, metade pai… mas não sou minha irmã também…
eu sou um pouco de você… o que é meu é teu, o que é teu é nosso.
A publicidade é o que eu não quero, o que quero… o que eu não preciso, mas compro (principalmente).
E, andando devagar na velocidade da banda larga, só precisamos baixar a versão atualizada e instalar por cima da antiga.
Hahaha!
adorei!
surpreendente! adorei, Heloh.
O mais legal disso tudo é que podemos mudar para sermos o que bem quisermos! ; )
Muito bom Ju, parabens pelo texto!
abrss
Fantásticofantástifantafanfáf, ja sabe q esse texto tem link em espera. E muito bom o site novo, confesso q não entro a uns dias por sofrer com a lentidão dessa vida em banda larga.
” Parece q patinamos numa fina camada de gelo, se parar ela quebra e afundamos, então corremos” pq será?
o link … http://super-eu.blogspot.com/2008/03/errar-em-nosso-caminho-melhor-que.html
Adoramos a ideologia do “seja diferente”. Muitas vezes, uma ilusão. No fim, quantas coisas iguais! Nossas referências são as mesmas, falamos coisas parecidas e agimos de forma parecida. Afinal, somos um que se espelha no outro, por sentirmos indefesos. Em bando a gente consegue sobreviver. Nossos ancentrais explicam. Nisso tudo, perdemos novos heróis, tentando novas coisas. Uma multidão que veste a mesma calça jeans, tem o mesmo corte de cabelo e as letras das camisetas não protestam mais nada. Vamos preservar pelo menos, nossa essência, que, diga-se de passagem, também foi construída a partir de uma referência.
Escrevo isso, mas assumo que faço parte. O que nos diferencia um do outro? Talvez o nome do bando.
Parabéns pelo texto.
Belo comentário, Veronica!
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