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Publicar os outros, propagar a si mesmo

16 dezembro 2009 7 comentários escrito por marcos

publicitario ideias Publicar os outros, propagar a si mesmo

Vou aproveitar o relevante artigo do Claudinei Jr. para filosofar um pouco também.

Alguns clichês da propaganda como “O cliente sempre tem razão” e outros pensamentos batidos durante décadas nas aulas de P&P e Marketing acabaram por projetar uma falsa imagem que confunde e prejudica o desempenho de vários profissonais da área e futuros criativos. E não estou falando de uma opinião pessoal, mas de um fato concreto que acontece comprovadamente todos os dias.

Como provedores de serviços de comunicação (que vem do latim, communicare – compartilhar, tornar o significado comum) e na qualidade de profissionais que são procurados por serem criativos, temos a grande responsabilidade de oferecer idéias realmente diferenciadas que gerem destaque, visibilidade e retorno financeiro ao cliente, seu produto e sua marca. Isso, acredito, todos sabem.

Entretanto, o que ocorre atualmente é uma inversão de valores neste processo. Pelo menos nos últimos cinco anos, a verba e o tamanho do cliente tem ocupado mais a cabeça de redatores e diretores de arte do que a idéia em si. O famoso budget/forecast ou “o que o cliente tem e quanto pode gastar” virou a matriz para toda e qualquer ideia. Até onde tenho conversado com estudantes e profissionais iniciantes no mercado, isso já é “ensinado” antes mesmo do primeiro estágio suado em uma pequena agência. Trata-se de um erro clássico de qualquer país emergente que busca seu lugar sob o Sol do capitalismo american way of life: “Me dá 1 milhão que eu te entrego uma grande campanha.” Caraca, meu! É Justus isso? (rs)

Opa, gosto de grana como todo mundo e quero ser pago de acordo. A questão é que isso não deveria servir de base para nenhum processo criativo. Criar é um ato de vontade, vontade que vem do prazer que por sua vez, esconde a necessidade inconsciente de realização pessoal em algum plano (físico, mental, emocional, etc). Brainstorm é um ato de vontade, não de lucro. E não estou sendo lúdico nem ingênuo ao dizer isso.

Sou pago para pensar, pensar ideias e não no fee que vou receber com essa brilhante “sacada” que nem tive ainda. Ao somar esta atitude aos clichês citados no começo do artigo, temos um profissional “pau-mandado” que publica os outros mas nunca projeta a si mesmo, isso porque amarra suas ideias de acordo com o que dispõe do cliente e da própria agência onde trabalha. E isso é ruim para todo mundo. Mas com certeza vai ser muito pior prá você e a sua carreira.

Pra fechar: ideia é ideia. Ela vale tudo e não vale nada. Vai depender de onde você está (trabalhando), com quem você está (clientes) e como você está (momento profissional/pessoal). Então, deixe as contas com o departamento responsável e abra espaço para criatividade livre. Mande seu cliente pro Butão, pra lua, pro espaço. Projete a marca em tatuagens no corpo de baleias. Publique aquele anúncio de hemorróidas na Quinta Avenida ou em cadeia internacional. Desafie seu professor a criar sem verba, publicar sem mídia, influenciar sem produto definido. Mande mais e mais idéias para o PSV. E faça tudo isso antes do almoço. O talento está aí dentro da sua cabeça, não na carteira.

Propague a si mesmo e tenha paciência. Um dia alguém vai te pagar muito bem por isso.

Um abraço e boa sorte.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Marcos Publicar os outros, propagar a si mesmo Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator


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7 comentários »

  • Tweets that mention Publicar os outros, propagar a si mesmo | CASA DO GALO - O animal da publicidade. -- Topsy.com disse:

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  • Mauro #PSVsite disse:

    Foda. Muito bom, obrigado pela menção ao #PSVsite.

    \o/

  • Marcos Oliveira (author) disse:

    Retiro a menção, Mauro. Seu canalha desalmado! Neste exato momento, milhares de víuvas do PSV estão tentando devolver seus vestidinhos pretos, molhados por lágrimas sinceras derramadas no falso enterro. As carpideiras contratadas querem processá-lo porque elas não são pagas para chorar em vão. Prepare-se para vingança de universitários sonhadores que, por um instante, ficaram sem pai nem mãe. Se eu fosse você (ou o Tony Ramos),mudaria agora para as ilhas Cayman. Vai por mim..tem buzz que só faz barulho mesmo. :) )

    Abs.

  • Maryjane disse:

    olha, vc retratou questões que trazem boas reflexões aos criativos…diria que questões filosóficas até. parabéns! o último parágrafo é “vitamínico” para criar coragem e fazer a coisa certa.obrigada!

  • Gilberto C. Moreira disse:

    Marcos, muito bom o artigo, parabéns.

  • Raul Azêdo disse:

    Olá Amigos,

    Criar realmente é para poucos. Mas ousadia é fundamental, o que eu penso é que o cara tem que ser “folgado”, assumir diferenças e principalmente provocar resultados surpreendentes.

  • uberVU - social comments disse:

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