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Propaganda enganosa em coletivos

18 março 2009 19 comentários escrito por halina

onibus thumb Propaganda enganosa em coletivos

Bom, infelizmente ainda ando de ônibus. Muito. Todo dia. E sempre reparei nos avisos dentro do ônibus e como é tudo mentira.

Sorria, você está sendo filmado”. Mentira. Nem existe uma câmera dentro do ônibus, e duvido que as empresas de ônibus, que nem dedetizam seus veículos, gastem fortunas com câmeras escondidas e uma central onde as imagens são passadas. Quanto à dedetização, dá até raiva. Eles colocam um aviso lá, datado de não-sei-quando, aí você olha pro lado e vê uma linda baratinha te acompanhando na viagem. Animador.

Fale com o motorista somente o indispensável”. Duplo sentido. Quando eu era menor, jurava que o indispensável era uma pessoa. E ficava imaginando quem seria tão indispensável a ponto de poder falar com o motorista, e qual seria o critério na escolha dessas pessoas. Confesso que tinha certa inveja. Agora, quanto ao significado verdadeiro, ninguém cumpre esse aviso. É como se ele não estivesse ali. Primeiro que volta e meia falam alguma coisa dispensável com o motorista. Segundo que em 90% das vezes que ando de ônibus o motorista está no maior bate-papo com a trocadora. Normalmente é uma fofoca quente sobre alguém do trabalho. Realmente, indispensável. Não vou nem falar sobre os motoristas que falam ao celular.

Há algumas plaquinhas, no canto direito superior interno da frente do ônibus. Uma delas é a de que não é permitido rádio. Meu Deus. É frequente eu compartilhar funks, pagodes e afins com queridos companheiros de viagem. Não preciso nem de mp3 player.

As outras placas são a capacidade do ônibus. Não-sei-quantos passageiros em pé. OK. Se naquela placa estivesse escrito “200 passageiros em pé”, eu concordaria. Mas o número é ridículo. Eu já andei de ônibus com gente sentada nas escadas e até no motor, quase no colo do motorista. Pra quê uma placa se o infeliz sai colocando gente no ônibus até ele explodir? A placa do número máximo de passageiros sentados poderia até ser verdadeira, devido ao número de assentos próprios para isso. Mas esqueceram de contar os lugares alternativos – já falei das escadas e do motor. Alguns tem a placa “somente no ponto”. – Motorista, dá uma paradinha ali na esquina pra mim?; – Pois não, senhora.

Para sua segurança, este veículo não se movimenta com as portas abertas”. Esse pra mim é o pior. Dá vontade de ligar pra alguém e reclamar. O motorista abre aquela porta para as pessoas saltarem uns 500 metros antes do ponto. Já vi gente até caindo (é emocionante a rotina diária dentro do ônibus). Fora quando ele esquece e alguém berra “EI, PILOTO!!! FECHA A PORTA!!!”. E viva a poluição sonora.

Enfim. Ou as empresas não fazem ideia do que acontece dentro dos ônibus, ou elas querem mesmo é enganar a gente e estar de acordo com a lei. Fico com a segunda opção.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Halina Propaganda enganosa em coletivos Halina Medina, 24, é estagiária de uma multinacional, adora o que faz, mas sonha ser redatora. Apaixonada por publicidade, cães, cinema, ler, escrever, ler e escrever. Gosta de ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.

halinamedina@gmail.com | http://simplessomadaspartes.blogspot.com


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19 comentários »

  • Lucas Couto disse:

    Hahahahaha!

    Tenho q dizer q me identifiquei com todos os detalhes…

    Acho que essas mensagens são só pra inglês ver. Tem uma lei X q diz q elas tem de estar lá, e eles colocam…

    É como o “para a sua segurança, essa ligação está sendo gravada”. Para a MINHA segurança??? Qual o risco q eu corro? De ofender a mim mesmo?

  • Galo disse:

    E que tal aquela dos elevadores?
    “Antes de entrar no elevador, verifique que ele está parado no seu andar”

  • Felipe Carriço disse:

    Há! Verdade.

    Um outra coisa muito bizarra é que, na maioria dos ônibus de São Paulo, só existem janelas com lacre de segurança do lado esquerdo. Se o ônibus tomba para a esquerda sobram apenas as portas, e vai que elas emperram.

  • Veronica disse:

    hahahahaha Mt bom
    Esses dias li uma na Castelo Branco: “alto risco de atropelamento”. Também acho engraçadas essas placas óbvias. Mas, é preciso. Nunca subestime a ignorância das pessoas.

  • Cyntia Bravo disse:

    Muito bom! Já passei por tudo o que você comentou, de baratas à motoristas tagarelas. Ainda acho legal mencionar aquelas vezes onde os ânimos de alguns passageiros estão exaltados e rolam uns barraquinho matinais. Muito legal, oh!

  • Gabys disse:

    muito bom!
    me identifiquei, INFELIZMENTE rs

  • Alessandro Ribeiro disse:

    O que me deixa emputecido é quando dou sinal fora do ponto e o motorista não para. Tudo bem, estou errado. Mas eu não tentaria essa sorte se eles não paressem fora dos pontos para as mulheres gostosas. Acho que preciso me depilar.

    E em relação a essas mensagens, uma vez, no banheiro de uma empresa que eu trabalhava, estava escrito “Ao dar a descarga, certifique-se do sucesso da operação.” hahaha

  • Tálita Sobral disse:

    Nooossa! Me identifiquei totalmente, sempre me fiz essas perguntas, estava comentando esses dias sobre transporte público com o meu namorado… Dos motoristas loucos, que passam farol vermelho, fecha a porta enquanto vc está descendo… e depois vc vê as propagandas do governo com criancinhas nos ônibus, como se tudo fosse lindo e principalmente como se todo mundo fosse educado!

  • Gabriela Capovilla disse:

    Este é mais um exemplo daquela velha frase: “aqui, as normas foram feitas para serem descumpridas”.
    No caso do ônibus, algumas delas são ignoradas por pura falta de educação, no entanto outras, são inevitavelmente descumpridas por motivos de força maior…
    A empresa cumpre o papel dela de colocar a propaganda, mas não dá pra colocar um fiscal em cada ônibus para ver se todos estão se comportando direitinho.
    Qtas pessoas não pisam na grama apesar do aviso?
    Qtos respeitam o “do not smoke”?
    Qtos seguem a risca o aviso “não jogue este encarte em via pública”?

    A propaganda está certa, quem não estão certos são receptores!

  • Gabriela Capovilla disse:

    Ah…já que eu já estou dando uma de chata no post…rs…

    Galo, eu conheço um fato trágico e verídico de uma pessoa que não conferiu se o elevador estava no andar. Morreu.

  • Galo disse:

    Eu lembro de uma moça no Rio, ela entrou e o elevador não estava.
    Conseguiu se segurar nos cabos e foi caindo.
    Teve queimadurar sérias nas mãos e braços e quebrou as pernas, a bacia, etc.
    Felizmente não morreu.

  • Dani disse:

    Tudo o que foi dito não chega a ser 1/3 do horror que é pegar ônibus aqui onde eu moro (Bahia).Pior que todas essas coisas, é a sensação de ter entrado num pau de arara, não num ônibus. Geralmente, algumas linhas que rodam p/ certos bairros, vem ’socadas’ de coisas: bicicleta, rack, fardo de açúcar, porco, e até antena parabólica.

  • Petterson Farias disse:

    Todos esses problemas elevado ao cubo, sejam bem-vindos à Belém do Pará.
    não bastasse as baratinhas passageiras, as fofocas entre cobrador e motorista e a demasiada lotação, quando chovee, cai mais agua dentro do onibus do que fora. Detalhe: chove todos os dias na capital paraense.

    Também já caí ao descer de ônibus. Motorista apressado e com uma certa miopia, já viu neh?! Tive que pular com ele em movimento.

    E viva a inércia.rs
    Bom saber que não sou uma vítima isolada.

  • Adriana Vernaglia disse:

    Acho que o mais importante é não deixar a reclamação cair na rotina, no resmungo cotidiano. Essas coisas devem ser levadas a quem possa fazer algo. Ligue para a empresa de ônibus, ligue para a prefeitura, mande sua reclamação para os jornais impressos e TV, porque ver a coisa errada todo dia, mas apenas se tornar parte dela, não melhorará o transporte e ainda estará preparando um infarto do miocárdio ou um A.V.C. para o seu futuro. Vejo centenas de pessoas reclamando disso, mas o fazem de forma automática, nunca tentaram mudar a situação, e infelizmente, blogs ainda não têm o mesmo poder de outras formas de comunicação, ao menos não em Terra Brasilis.

  • Juliano Santana disse:

    Tem aquele assim: “Cuidado, cão bravo” e na maioria das vezes nem vejo nenhum cachorro.

    Mas de qualquer forma é uma forma de intimidar as pessoas.

  • Paulo Ramos disse:

    Belíssimo post Halina!

    Eu já vi motorista de bus fumando pra você ter uma noção.. rsrs..
    Tenho uma muito boa sobre ônibus, que ainda devo escrever um texto sobre:
    Por quê dizer “Com licença!” quando vai se sentar ao lado de alguém, sendo que, se essa pessoa falar não, você vai sentar mesmo assim?

    Bjs!

  • Juliano Santana disse:

    Paulo,

    Isso que você disse seria uma gentileza e não um aviso, acho que você está confundindo as coisas rs

  • Paulo Ramos disse:

    Juliano, não me interprete mal… =P
    É uma gentileza, sim… Só acho uma gentileza um pouco desnecessária… =P

    E fato, distorci o assunto… :S

    Chega por hoje! =)

    Abs

  • Pedro disse:

    Muito bom… Adoro e coleciono perolas tipo “vendo um jazigo com vista para…”

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