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Propaganda de cervejas: restringir resolve mesmo?

21 abril 2008 7 comentários escrito por Alessandro Ribeiro

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Entre outros assuntos do momento no meio publicitário, tem se falado muito sobre a restrição às propagandas de cerveja. Acredito que a grande maioria tenha uma opinião formada a respeito. Acredito mais ainda que essas opiniões divirjam entre si, sejam movidas por interesses próprios e óbvios – caso de cervejarias, agências de Publicidade, políticos e pessoas com problemas de alcoolismo na família, por exemplo -, ou pelo simples ato anti-lacônico do pensar.

Neste artigo, apenas expressarei minha não importante opinião. Deixo claro que sou do grupo que apenas quer pensar e falar sobre o assunto, sem interesses próprios, já que não trabalho, nem nunca trabalhei para uma marca de cerveja. Tentarei ser breve.

Já disse há alguns meses atrás, aqui mesmo na Casa, e repito: considero a cerveja, e qualquer bebida alcoólica, uma droga, sim. Penso que qualquer combinação química, produzida pelo homem, que altere o comportamento comum do ser humano, deva ser considerada uma droga. Por essa linha, remédios são drogas, cocaína é droga, maconha idem, doce, bala, heroína, chá de cogumelo, cigarro e cerveja não podem ficar fora desse grupo. Sendo assim, incentivar e legalizar a venda de drogas deveria ser proibido. Ponto.

Mas a questão inicial que leva a toda essa discussão é a intensidade de cada droga, ou seja, os males que cada uma das citadas acima, entre outras, provocam aos que as consomem e seus rodeados. Quem bebe cerveja, o faz porque gosta e concordo que ela não provoca dependência tão intensa e rapidamente como o cigarro e a cocaína. Se eu ficar meses sem tomar uma gelada, não vou pedir a um desconhecido na rua que me pague um copo na padaria, tampouco assaltar a bolsa da minha mãe pra comprar uma Skol. Mas diga a um alcoólatra que esta semana ele não poderá beber.

É claro que há menos dependentes alcoólicos que do cigarro e que a nicotina traz malefícios mais graves ao homem que a cevada. Mas, por outro lado, se uma pessoa resolver fumar 10 maços num dia, ninguém irá correr risco de morte, só ela. Com a bebida sabemos que não é assim.

Sei que este pode parecer um discurso falso moralista. E é, até certo ponto. Eu bebo, sim, estou bebendo, tem gente que não bebe e está morrendo. Adoro tomar aquela loira gelada com os amigos, mas fico com o terceiro olho na mão quando um deles toma umas a mais e volta pra casa dirigindo.

Uma Solução?

Para os criativos, pensar em novos conceitos, claro. Todos estamos cansados de ver sempre a mesma coisa: galera, bar, papo de bar, mulheres bonitas e gostosas. O problema é convencer as marcas de cerveja a mudar essa postura. Pois, não é novidade, os comerciais não têm essa cara à toa. Por que você, homem, ainda nosso principal target, vai tomar um brejinha em casa, sem amigos, ao lado de uma mulher, digamos, fora dos padrões de beleza? Se nós, cervejas, mostrarmos isso a você, nossas vendas despencam, nosso segmento de mercado vai ao limbo, seremos obrigados a cortar gastos, funcionários e haverá uma crise econômica e de desemprego no país.

O caso é complicado, pois sabemos que mesmo com restrições e/ou proibições de propaganda, as pessoas não irão parar de beber. Assim foi com o cigarro e assim será com a cerveja. Cabe a nós, publicitários, encontrarmos novas idéias, do ponto de vista da comunicação, para continuar mostrando as marcas com uma imagem positiva. E aos nossos tão preocupados políticos reforçar as fiscalizações contra venda a menores de idade e criar leis que sejam realmente cumpridas por estabelecimento e cidadãos, para que haja um consumo consciente.

Aos amigos e parentes que perderam pessoas em acidentes de carro, brigas, violência doméstica e outras tragédias provocadas pelo excesso do álcool, é utopia pensar que um dia esse consumo exagerado irá acabar, assim como fui utópico em achar que este artigo seria breve.

Meus amigos e eu continuaremos bebendo, dentro ou fora da lei.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Alessandro Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

aleribeiro13@gmail.com | http://www.obolacheiro.blogspot.com


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7 comentários »

  • Galo disse:

    Ale, ótimo artigo!
    Já fui contra, já fui a favor, depois contra, a favor. Hoje estou altamente inclinado a ser contra a proibição/restrição.

    Mas que a grande maioria das propagandas de cerveja são um lixo, isso é verdade.

    Coisa boa é isso aqui:
    http://casadogalo.com/tuborg-festas/

    [Responder]

  • Caminhante disse:

    Eu entrei aqui porque precisava entrar em algum lugar! Nossa, o novo layout ficou LIN-DO! Parabéns!

    [Responder]

  • Diego disse:

    Ah, que bom que ouvir isso! Trabalhei nele hoje mesmo e tava numa insegurança lascada!

    Beijo!

    [Responder]

  • Um convite à reflexão: Publicidade em tempos de Lei Seca brasileira | CASA DO GALO - O animal da publicidade. disse:

    [...] convite foge à velha discussão sobre a restrição da propaganda de bebidas alcoólicas. Com todas as mudanças ocorrendo na comunicação mundial, aliadas ao fato [...]

  • Rosana disse:

    Eu acho que nao so a propaganda deveria ser proibida como seu uso tbem. A bebida e uma droga que vicia assim como as machonha e cocaina. Tem o poder de destruir uma pessoa e uma familia inteira.
    Sei que todos temos o livre arbitrio, mas muitas vezes a influencia tem um peso muito grande. Quando tinha 13 anos, fumar era legal, aquelas propagandas maravilhosas, cheia de pessoas saldaveis, jovens, alto altral, curtindo a vida, teve sua participacao na minha ingenua e estupida decisao de comecar a fumar, hj tenho 29 e ainda luto com o vicio. Mas fico feliz quando vejo que pelo menos a respeito do cigarro as opnioes mudaram, nao ha mais aquelas propagandas, e posso ver nitidamente, como isso faz muita diferenca. Tive a infancia destruida pelo vicio do alcool, quando meu pai se encontrava escravo do vicio, e a tristeza de ver meu tio morrer nas ruas com cirrose. Nao entrei aqui para desabafar ou para encher a cabeca de todos com meus problemas, mas apenas quero dizer que o alcool e o mais devastador dos vicios, e que todos comecam apenas curtindo uma cervejinha, que de inocente nao tem nada. Pessoas jovens e que tem tudo pela frente derrepente se ve presa no vicio e destroem suas vidas e de todos a sua volta.
    Bom, com tudo isso quero dizer que, sou totalmente contra a propaganda de bebida, porque ela nao e inocente e influencia muito sim. Porque divulgar algo que faz tanto mal e causa tantas desgracas, ainda mais como se fosse a melhor coisa do mundo. E ridicula aquela propaganda da skol que diz sonho meu ter uma geladeira da skol em casa. Ou seja, alem de eles darem a forca ainda querem emburrar o banquinho…Sou a favor de uma propaganda contra a babida alcoolica

    [Responder]

  • Galo disse:

    Olá Rosana,

    Muito obrigado por suas palavras. Sua experiência engrandeceu bastante o artigo.

    [Responder]

  • Marcos disse:

    Acredito que não fará a menor diferença em proibir ou manter como está. Tiro exemplo com base na restrições aplicadas ao cigarro. O que mudou? Incluir fotos bizarras nas embalagens e restringir a publicidade não reduziu o faturamento da indústria mortífera do tabaco.

    A evangelização mais poderosa para as cevejas está no dia-a-dia, nos bares,nas esquinas e nas festas com os amigos. A cerveja já tem um apelo social muito disseminado e a publicidade apenas mantém viva essa idéia.

    [Responder]

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