Proibição de anúncios de bebidas alcoólicas – Vale a pena?
Mais uma vez um assunto ganha a atenção da mídia no Reino Unido: a polêmica tentativa de proibição de anúncios de bebidas alcoólicas. Este mês surgiu um apelo por parte dos médicos do NHS, sistema nacional de saúde, demandando a completa proibição da propaganda e patrocínios de eventos musicais e esportivos. E este assunto não é de hoje.
A indústria de bebidas alcoólicas movimenta £800 milhões por ano no país e os adolescentes Britânicos são os maiores consumidores da Europa. Aqui só se vende bebida alcoólica para maiores de 21 anos e é proibido o consumo na rua. Mas só na teoria, porque na prática nem sempre é assim. A cena mais comum é ver um monte de adolescentes bêbados brigando na porta das baladas e dezenas de latas no chão na manhã de domingo.
Há muitos anos alguns partidos vêm tentando implementar a nova lei, o que tem causado furor em maior parte da população, principalmente quanto à questão do aumento dos impostos sobre bebidas.
O Reino Unido implementou há algum tempo a regulamentação ética para anúncios relacionados ao álcool. O foco nunca deve ser na quantidade e são proibidas associações de sucesso sexual e social ao consumo de álcool. Pelo jeito não adiantou muito.
É muito difícil querer controlar um hábito social, a Inglaterra é um país que consome muito álcool. Inglês bebe mesmo, a medida comum de cerveja – pra quem não sabe – é de 568ml, a famosa pint. E dá-lhe pint, uma atrás da outra. O ponto de encontro, a válvula de escape, qualquer motivo comemorativo é em pub. Este hábito de se reunir em volta do álcool está incrustrado na sociedade inglesa desde a época medieval.
Os anúncios de cigarro foram proibidos por aqui em 2005 e os resultados ainda são duvidosos. Há ainda uma especulação em torno da proibição de propaganda de fast-food, o que não deixa de ser tão perigoso para a saúde quanto todos os outros. Teoricamente esta lei já deveria estar em prática, proibindo a associação de crianças aos anúncios gordurosos, mas a verdade é que ontem mesmo vi um anúncio com uma criança devorando um bucket de KFC.
A realidade é crua, criança precisa de exemplo, alguém em que possa se espelhar e imitar. E o que acontece deste lado de cá é que os pais fumam e bebem descontroladamente. É um hábito, faz parte da realidade Britânica. Talvez esteja relacionado com a baixa faixa etária da maioria dos pais de hoje em dia, tudo movido por um abuso de benefícios sociais. São crianças educando crianças, sem muitas referências.
A proibição de anúncios de bebidas resultaria num corte de £180 milhões para a publicidade. Vale a pena balançar ainda mais a economia de um país que ainda não saiu da recessão? A proibição de anúncios de bebidas alcoólicas diminuiria mesmo o consumo de um adolescente Britânico? Acho bem duvidoso. Mesmo porque a bebida continuará lá, sendo vendida por alguém que esqueceu de ver a identidade. A lata de Guiness continuará dentro da geladeira de casa.
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Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos.
micastino@yahoo.com | http://sambadegringo.wordpress.com
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Este artigo tem as seguintes tags: alcool, alcoolica, anuncio, bebidas, inglaterra, proibicao, propaganda, publicidade, reino, unido

Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos. 







Vejamos isso com metodologia.
A Caninha 51 não faz publicidade, no entanto…
Provei meu ponto.
[Responder]
[...] A indústria de bebidas alcoólicas movimenta £800 milhões por ano no país e os adolescentes Britânicos são os maiores consumidores da Europa. Aqui só se vende bebida alcoólica para maiores de 21 anos e é proibido o consumo na rua. Mas só na teoria, porque na prática nem sempre é assim. A cena mais comum é ver um monte de adolescentes bêbados brigando na porta das baladas e dezenas de latas no chão na manhã de domingo. (… continue lendo na Casa do galo) [...]
Excelente Milena, voce descreveu a realidade nua e crua. Que pena que assim . Parabens seu texto esta otimo
[Responder]
Dúvida: os ingleses estão considerando proibir qualquer tipo de publicidade de bebida alcoólica?
[Responder]
Realmente o único setor que perde é o publicitário. Pois não diminui o consumo. Aqui no Sul apenas dois setores não foram abalados com está crise mundial, o farmaceutico e o de tabaco. Ou seja, vicio ninguem larga, ainda mais numa crise em qeu é preciso aliviar tensões. Até em relação ao aumento do preço do cigarro que aconteceu há pouco tempo o alemao, dono do mercadinho da frente de casa falou, ‘pra mim pode aumentar o quanto quiser, ninguem para de comprar mesmo’. Essa pra mim é a lição que fica. Enfim, o governo nao para de arrecadar impostos sobre os produtos porque as vendas nao são afetadas, os comerciantes nao perdem grana porque vendem igualmente, os fumantes nao param de fumar por nao asssitirem anuncios e quem perde apenas são as agencias. E agora a camara está para aprovar também um projeto de lei que pode proibir publicidade voltada para crianças na TV. Inicialmente marcada para o dia 23 de setembro, a votação foi adiada, porque dois deputados pediram mais tempo para analisar o PL. E agora?
MATEUS
[Responder]
Muito bom. A realidade foi descrita com muita clareza!!! tivemos a
oportunidade de saber também que a bebida não faz parte do cotidiano
apenas dos jovens brasileiros. Na Inglaterra, considerada primeiro
mundo, beber também faz parte da rotina dos jovens. Então chegamos
a conclusão que certas coisas não acontecem apenas com nós, brasileiros do terceiro mundo!!
[Responder]
Oi Thassius, até onde foi divulgado, o apelo é para a total proibição de publicidade, já que – segundo o conselho médico – a regulamentação ética não está ajudando em nada!
E Mateus, existem pesquisas que relacionam o aumento de vendas de tabaco e bebida às crises mundiais… e sabe qual é o mercado que geralmente leva vantagem em recessão econômica?? Chocolate!!! Feel good factor…
Suely, acredite, os jovens daqui bebem MUITO mais que os daí!
Obrigada pelos comentários
Bjos
[Responder]
Ainda tá pra vir o dia que as pessoas que querem controlar o comportamento alheio vão entender que a propaganda não é tão poderosa assim.
É ótimo saber que o consumo de cocaína diminuiu bastante desde que proibiram os anúncios, nos anos 1930.
[Responder]
Eu concordo as propraganda de bebidas deveria ser mais leve para nao induzir as pessoa
[Responder]
[...] Milena escreveu um artigo recente sobre a proibição de bebidas alcoólicas. Vou aproveitar o gancho da proibição para escrever meu texto de hoje. Na verdade, não vou falar [...]
Na verdade a propaganda de bebida so reforça marca pelos menos aqui as pessoas nao bebem por causa da propaganda.
Mas … dificil saber se da certo ou nao.
[Responder]
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