Porque você é publicitário
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Eu não sei você, mas eu quero me virar do avesso toda vez que aparece um anúncio da L’Oreal dizendo “porque você vale muito”. Faz quanto tempo isso? Uns duzentos anos? Não sei, mas não me lembro de nenhum outro slogan que já tenha passado pela marca. E depois dela, vejam bem, os porquês viraram algodão doce de parque de diversões.
Visa, porque a vida é agora. Omo, porque se sujar faz bem. Tênis Montreal, porque você é jovem (tá, essa é velha).
Parece que o mundo (entenda como publicitários) decidiu que se o produto é bom tem que vir com explicação plausível, slogan-argumento.
- Por que OMO?
- Ah, sei lá, porque se sujar faz bem.
É tipo um Globo e você, tudo a ver. Não, não tem nada a ver. Se fosse só OMO. Se sujar faz bem, não seria tão irritante. Se fosse L’Oreal. Você vale muito, eu não estaria escrevendo este artigo.
Preste atenção: o slogan de uma campanha é uma das suas maiores oportunidade de ser Top of Mind. E isso não significa que pra fazer um bom Top of Mind você tenha que fazer um slogan irritante, uma campanha chata. Mais vale ser lembrado pela originalidade do que pela chatice. É como aquela música da Kesha que você odeia e não te sai da cabeça. Não é porque ela não sai da cabeça que é boa.
A gente sabe que publicitário recém-formado sai da faculdade cheio de idéias incríveis até chegar na agência e ter uma bigorna pendente sobre a sua cabeça (entenda como cliente), pronta pra cair em qualquer surto de brainstorm. Sempre vai ter um cliente mala pra cortar o seu barato. Mas a vida é assim, não é? A vida é um dia após o outro, um mar com tempestade e bonança. E o nosso barquinho é de madeira, meu amigo, tem que segurar firme e reinventar, se não afunda.
A verdade é que tem publicitário de monte por aí. Agora encontrar gente criativa mesmo é mais difícil que achar o Geninho numa televisão P&B. Só que o potencial está aí pra quem estiver aberto o suficiente para uma conversa alheia dentro do ônibus, pro blog de um amigo, pra sacada do seu sobrinho de cinco anos, até pra música chata da Kesha.
O que a gente tem que aprender a fazer é reinventar. É acordar todos os dias e deixar os vícios e os hábitos no travesseiro. Cada dia é uma nova oportunidade, uma nova chance de ganhar um leão – quem sabe, e o planeta é o melhor criativo de todos os tempos. Olhe em volta, preste atenção no que te cerca além do mundo da Publicidade. Quanto mais alienado você estiver dentro do mercado, mais chances terá de ser repetitivo. E chato.
Então aproveite e coloque o que há de mais criativo na sua veia dentro de um slogan. Vai demorar, claro, ninguém nunca disse que parir um slogan Top of Mind é fácil. Dê uma volta fora da agência, saia de frente do computador, vá até a Produção conversar sobre sabores de pizza.
E esqueça os porques de uma vez por todas. Seja uma pessoa criativa, e não apenas mais um criativo. Invente, tente, só não faça um 92 diferente.
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Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos.
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Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos. 







Não, tem uns slogans que tiram do sério. E esse do OMO é do tipo: suja moleque, pra sua mãe comprar mais um pacote de OMO no supermercado.
“Deixar os vícios e hábitos no travesseiro” – muito bom. Um bom criativo é aquele que cria a si mesmo, aquele que se descontrói em busca do novo, aquele que se compromete com a reinvenção da própria vida.
Thats it.
O artigo foi melhor do meio pro fim!!!
Eu não concordo. Acho que muitas vezes usar o “porque” afirma ainda mais o slogan, deixando ele ainda mais forte.
O do OMO por exemplo é incrível, incentiva a liberdade que as crianças podem e devem ter e já perderam por manias de suas mães não deixarem elas se sujarem.
Não gostei do texto. Apesar de bem escrito, muitas críticas desnecessárias. Inclusive, um publicitário recém-formado pode ter ideias muito mais criativas de que uma pessoa formada há tempos. Isso foi citado de maneira ofensiva no texto.
Parabéns Milena, ótimo artigo.
Foi exatamente isso que eu falei, Cris. “Publicitário recém formado sai da faculdade cheio de idéias incríveis até chegar numa agência”, porque é aí que ele começa a ser vetado criativamente e tem que se policiar a respeito. Não vejo nenhuma ofensa nisso, mas se você se sentiu ofendida, desculpa.
A idéia dos “porques” é apenas incentivar que renovemos nossos vícios publicitários, afinal de contas, a criatividade está aí pra quem quiser experimentá-la!
Beijos e obrigada pelo comentário.
.-= O último post de Milena foi: And I want to thank you… =-.
Achei o texto bem interessante. Concordo com a Milena e discordo com a Cris que deixou mensagem.
O texto retrata muito a minha idéia também em ver justificativas em forma de anúncios. A criatividade vai além de se auto-explicar num slogan e, principalmente, copiar.
Acho que a capacidade de um profissional da publicidade é bem além do que vemos atualmente na mídia.
Essa história dos “porquês” já cansou faz tempo… uma vez que, como a Milena citou, já foi feita com mais de um ou dois produtos.
Prefiro algo original, reforçando o produto do que simplesmente explicando ou justificando-o. É mais bacana!
Milena, parabéns pelo texto!
ô, MulheR
Parabéns Milena, belo artigo, muito bom mesmo.
Milena, gosto muito dos seus textos e a maneira que você utiliza para construí-los. Parabéns, são muito bem escritos.
Mas vou discordar quando você critica tanto os porques da vida. Repare que as marcas que você citou no texto são Top of Mind há muito tempo.
As campanhas, até onde eu lembro, não são (ou não foram) vencedoras de Cannes. Isso pode ser um argumento para dizer que não são tão criativas. Mas essas mesmas campanhas com porques têm a lembrança direta na cabeça do consumidor.
Aí, fica outra pergunta sobre o que vale mais para a marca: Uma campanha premiada ou a lembrança dos consumidores?
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