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Porque eu abandonei a Criação

13 agosto 2009 29 comentários escrito por lucascouto

criacao criatividade thumb Porque eu abandonei a Criação

Quando você vê uma propaganda na TV, pode pensar que ela foi feita por poucas pessoas. Mas uma agência de publicidade é formada por diversas áreas, como o Atendimento, Mídia, Tráfego, e a Criação. E, sim, eu já fui parte dessa última espécie. Nos idos de 2003 eu me levantava da cama diariamente para me sentar diante de um Mac e criar.

Eu admito, não eram grandes criações (hoje olho para o meu “portfólio”, e vejo o quanto era tosco), mas posso garantir que não foi minha falta de aptidão que me afastou das mesas de agência. Eu sentia falta mesmo era da razão.

Ainda que o clima da equipe fosse ótimo e as peças criadas massageassem meu ego quando iam pra rua, eu percebia que muitas decisões eram tomadas sem que houvesse qualquer esforço para encontrar uma razão.

Não era fácil ouvir “o cliente não gosta de amarelo”, “a gente nunca apresentou nada assim”, ou “vamos fazer mais cinco opções pro cliente escolher” como se fossem argumentos coerentes.

A falta de alinhamento entre a Criação e o Atendimento também não ajudava. Quando dois lados estão errados, e se acham certos, é sinal que algo precisa mudar.

Mas, principalmente, me incomodava trabalhar com algo que deveria ser uma ferramenta para vendas, mas que era encarado como um fim em si mesmo, com decisões baseadas no gosto pessoal, ou em puro costume.

Então eu mudei de área profissional. Desde então já passei por setores tão diferentes quanto Inovação, Serviços, ou Logística. Mas os vícios não eram tão novos assim, e eu continuava vendo pessoas decidindo a partir da beleza dos PowerPoints, ou da solução menos trabalhosa.

Finalmente, eu vi que não havia jeito. Então eu mudei. Deixei de buscar um mundo perfeito, onde a tomada de decisões faça sentido. Agora eu busco criar esse mundo. Um lugar onde a transparência e boa vontade saim do papel, e possam substituir a politicagem e o “deixa como está”.

Então gostaria de usar esse espaço para me retratar. Minhas desculpas à publicidade, eu fui injusto com você. Agora entendo que os defeitos que via em ti eram na verdade, defeitos comuns mundo afora. E, se você conseguir me perdoar, quem sabe um dia a gente não se esbarra de novo, pra que eu possa te mostrar que é possível fazer diferente. Até mesmo em frente aos Macs dos criativos.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Lucas Porque eu abandonei a Criação Lucas Couto, 26, Co-fundador e sócio da It’s Digital, uma consultoria e produtora digital e uma das cabeças por trás do Que Tal Isso?, blog relacionado a criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras (no calendário de Júpiter).

lucas@itsdigital.com.br | http://www.itsdigital.com.br/


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29 comentários »

  • Felipe Carriço disse:

    Há poucos dias, cheguei na mesma conclusão. Não dá pra sonhar com um mundo perfeito. E tão pouco em ser um Super-Herói para salvá-lo. Ainda mais nesta área.

    Então:
    “Parei de tentar ser o Homem-Pássaro. Toda vez que chego perto do Sol, me queimo.”

  • Kenzo Kimura disse:

    Para trabalhar com criação não pode ser romântico. Já vi muitos bons talentos saírem dessa rota por se apegarem demasiadamente às suas ideias rejeitadas ou a posicionamentos filosóficos que não o permitiam aceitar tais “sensos comuns”.

    Publicidade e propaganda depende, e, óbvio, sempre irá depender do aval do homem que assina o cheque. E esse homem quer ver nas ruas uma campanha com a cara da sua empresa, que ao passar do tempo, tornou-se sua segunda pele. Consequentemente, ele quer ver nas ruas uma campanha com sua cara.

    O problema não está aí. Ele não é obrigado a gostar da cor VERDE ou da palavra NÃO no título. É obrigação da agência mostrar para ele que a solução mais eficaz para os problemas do briefing é aquela que ele criou. Modificá-las dessa forma, é não acreditar no próprio trabalho.

  • Kenzo Kimura disse:

    Desculpe por alguns deslizes gramaticais, foi a pressa. hehe

  • Raphael Lacerda disse:

    A falta de razão na propaganda é algo que também me incomoda, publicitário não é artista, esta de usar criatividade como desculpa para não pensar e usar gosto pessoal é amadorismo.

    Mas a publicidade a cada ano, se torna mais e mais racional, Cannes09 mostrou que peças fantasmas, subjetividade por subjetividade, estão mortos.

    Integrated e prêmios como cyber e outros, são cases de estratégias, de processos e não de subjetividade,processos criativos, estórias legais e não apenas uma “bigidea”.

    Quem ganha prêmios são as ações que as pessoas estão comentando falando e interagindo.

    Esta nova publicidade é uma que dá gosto de trabalhar, pq também nunca gostei desta antiga.

  • André Rafanhin disse:

    Cara, teu artigo + os comments no Grupo de discussão me abriram novas oportunidades. Não quero de maneira alguma sair de onde estou (criação em agência) mas nunca se sabe o dia de amanhã ;)

    show de bola o artigo, útil pra caramba (pelo menos pra mim) hehe

  • beto machado disse:

    concordo com o relato pessoal do lucas. mas a partir daí concluir que o caminho é abandonar a criatividade…

    Meus pontos:

    1. publicidade sem criatividade É FALHA

    2. publicitário sem criatividade NÃO É PUBLICITÁRIO (nem ruim, nem bom, nem satisfatório, simplismente não é).

    3. As utilidades de um publicitário sem criatividade:

    *falar o que todo mundo fala
    *fazer o que todo mundo faz
    *opiniões sem senso crítico e análise mental, link de idéias.

    É a criatividade que AUXILIA a enxergar problemas em oportunidaes e oportunidades em problemas.

  • Bárbara disse:

    Há pouco tempo a entrevista do Sergio Velente levantou estas questões. As principais é não fazer o que o cliente quer, é fazer o que vai ser rentável, gerar uma boa imagem. E não se apaixonar pelas idéias a ponto de ficar cego e não enxergar além delas. Passei por muitos lugares em que escutei tudo isso aí. Mas vejo também que cada vez mais as idéias precisam ser embasadas em muitos elementos. Não vejo espaço hoje para alguém que cria numa bolha, o que ainda acontece muito. As pessoas têm uma ideais bobas e pronto. A sacada é justamente essa, unir subjetividade, com as etapas racionais. A idéia vende? Quais resultados? Uma boa idéia abarca tudo isso, o emocional, o racional, o cliente satisfeito, o criador extasiado.

    Para sobreviver nesse mundo muitas vezes precisamos nos adequar e ganhar nosso dimdim. Mas sonhando sim. Tentando mudar sim. O meu maior desejo é que todos tivessem a oportunidade de trabalhar fora do Brasil.Um mundo melhor é possível. Sonhem por isso e façam acontecer.

  • Eduardo disse:

    Mexeu comigo este post, coisa dificil de aconteceu na internet hj em dia

  • ricardo brito disse:

    Realmente o texto de Lucas, é o retrato de muitas agências
    e empresas de comunicação que podem até ter a pegada criativa
    necessária, porém lhes faltam que todos destas empresas falem
    a mesma língua.

    Cansei de ver e ficar sabendo de caso onde atendimento
    não vende a idéia corretamente ao cliente, onde redatores
    e D.A. deixam seus egos falarem mais alto e promovem
    altos paus.
    E no final ninguém bate de frente com um cliente que
    decide fazer um frankstein de tudo que ele viu criado.

    Empresas mais antenadas, com pessoal que planeja
    e apresenta soluções criativas durante todo o processo
    se destacam atualmente.

  • Lucas Couto disse:

    Fala Felipe!

    Na verdade ainda não desisti de tentar melhorar o mundo. Mas admito que hoje não tenho problema em me preocupar mais em fazer a minha parte, e menos em cobrar dos outros que façam a deles.

    Mas ainda não desisti de chegar no sol, rs…

  • Lucas Couto disse:

    E aí Kenzo,

    Tenho certeza que essa defesa do seu trabalho como se fosse um filho acontece muito, mas apenas porque quando se critica uma peça, isso acontece sem argumentos razoáveis. Então vem alguém e diz q seu filho tá uma porcaria, e você só quer saber de brigar de volta… Por outro lado, o criativo tb não consegue defender racionalmente sua peça, apenas gosta pq gosta.

    Já defendi aqui na Casa que ninguém vai no médico e questiona o remédio que ele passou (ninguém normal pelo menos, rs…). As discussões envolvendo a propaganda deveriam ser menos emocionais (dos dois lados) e mais objetivas.

    Mas, no final das contas, faço minhas suas palavras: “É obrigação da agência mostrar para ele que a solução mais eficaz para os problemas do briefing é aquela que ele criou”.

  • Lucas Couto disse:

    E ai Raphael,

    Concordo que há um cheiro de mudança no ar. Mas ainda acho que muitos dos processos de decisão ainda ocorrem baseados em outros fatores que não bom senso e “fatos e dados”.

    Penso q uma propaganda boa é justamente aquela que, dentro de parâmetros racionais e com foco em resultado, consegue ser criativa e se destacar.

    Abraços!

    ———————————————–

    Oi André,

    Que bom que tudo isso serviu pra abrir tua cabeça. Realmente o campo de atuação de um publicitário pode ir muito além do Illustrator e Photoshop, hehehe…. Ainda que você goste dessa área, pode ter certeza que pra quem é bom sempre tem espaço.

    Abs!

  • Lucas Couto disse:

    Fala Beto,

    Deixa eu reforçar q não acho q o caminho seja abandonar a criatividade, mt pelo contrário…

    Tanto q /MODE JABÁ ON/ no nosso site, o Que Tal Isso?, nós defendemos q as ideias novas e criativas são vitais para o sucesso de empresas e pessoas. /MODE JABÁ OFF/

    O problema é qnd o trabalho do criativo de agência deixa de ser CRIAR, pra se tornar apenas uma repetição de velhas fórmulas…

    De resto, assino embaixo de seus pontos:

    “1. publicidade sem criatividade É FALHA

    2. publicitário sem criatividade NÃO É PUBLICITÁRIO (nem ruim, nem bom, nem satisfatório, simplismente não é).

    3. As utilidades de um publicitário sem criatividade:

    *falar o que todo mundo fala
    *fazer o que todo mundo faz
    *opiniões sem senso crítico e análise mental, link de idéias.

    É a criatividade que AUXILIA a enxergar problemas em oportunidaes e oportunidades em problemas.”

    Abs, e volte sempre!

  • beto machado disse:

    lucas, eu imaginei que tinhamos a mesma linha de pensamento.

    a forma de pensar mudou, como sempre foi ao longo da evolução do homem. naturalmente as coisas vão se encaixando.

    é preciso ter maturidade para encarar estas mudanças, para não dar tiro no pé.

    meu twitter é @betomachado , quando você postar alguma coisa me dê um toque, ok?

    abs

  • Lucas Couto disse:

    Oi Bárbara,

    Concordo com seu comentário. Só reforço minha opinião, de que o resultado vem em primeiro lugar.

    Assim como um médico deve em primeiro lugar curar, mas também ser atencioso, simpático, etc. Td isso é importante, mas o tratamento tem prioridade.

    E adorei sua energia… Precisamos de mais pessoas motivadas em mudar as coisas! Não desista nunca!

    Bjs

  • Lucas Couto disse:

    Eduardo, seu comentário mostra que os maiores elogios são os mais sutis. Espero que o texto tenha um efeito tão positivo na sua vida, como o efeito de escrevê-lo teve na minha.

    Um grande abraço!

  • Lucas Couto disse:

    Fala Ricardo!

    Acho que o problema é um círculo vicioso. A agência não bate de frente com o cliente, pq o cliente não sente firmeza na agência, pq ela não defende o q faz com argumentos.

    E, como no final das contas é o do cliente que está na reta, ele acaba tendo a palavra final, como um paciente que se julga mais preparada que o médico.

    A propaganda precisa se reinventar, ganhar autoridade, e perder a dependência dos achismos…

    Abs, e volte sempre…

  • Lucas Couto disse:

    Fala Beto,

    Vc disse tudo: É preciso maturidade para encarar, aceitar, e se adaptar às mudanças…

    Ah, nosso twitter (meu e do Patrick, outro autor do Que Tal Isso?), é @quetalisso?.

    Abs!

  • Marcelo disse:

    Lucas,

    vou te falar que eu sei que não sou o cara maiscriativo do mundo, mas concordo com vc, nós acabamos por ter que abandonar o conceito e as justificativas pra poder finalizar um trabalho, me formei em publicidade mas graças à dois estágios nos quais fui forçado várias vezes a abandonar a lógica e executar trabalhos que sinceramente eu achei ridículos, diga-se de passagem, não só eu como diversos membros da equipe, aliás em uma ocasião fui forçado a ir no caminho contrario ao do público-alvo porque minha superiora disse que o texto estava com cara de “menino” e quem entrava no site era só “menina”, por motivos éticos eu não posso dizer do que se trata, mas a pesquisa mostrava uma porcentagem de 60% homens de 25 à 45 e mulheres da mesma faixa etária. E todos sabemos que o único mercado que se pode ter uma assertividade quase de 100% é na internet. enfim, desculpe o desabafo mas é que te entendo de verdade e sinceramente desejo boa sorte aos criativos e mta paciência pq eu infeliz ou felizmente deixei essa vida, agora somente por “esporte”

    abraços

  • Gilberto disse:

    Muito bom o artigo, esse nosso meio as vezes é bastante injusto, nem sempre as coisas ficam da forma que desejamos.

  • Tweets that mention Porque eu abandonei a Criação | CASA DO GALO - O animal da publicidade. -- Topsy.com disse:

    [...] This post was mentioned on Twitter by Fabio Brito. Fabio Brito said: RT: @diegojock: "Porque eu abandonei a Criação" provoca crises existenciais: http://bit.ly/VM6Iv [...]

  • Fernando Paes disse:

    Parabens pelo artigo… muitas vezes a politicagem é mais forte do que a vontade de oferecer o melhor serviço ao cliente ou a melhor solução dentre todas as possíveis. Infelizmente o nosso mercado é tão corruptível quanto qualquer outro, talvez nem tanto quanto o político… mas aí já é outra história…

  • João Pitanga disse:

    A verdade seja dita: criação cansa. Mas não cansa por que te consome madrugadas, dias intensos e pelo estresse recorrente do trampo. Isso é gostoso pra caramba pra quem escolheu a área. Cansa porque você acaba sempre no mesmo lugar: ralando, tendo uma ideia consideravelmente boa e vendo o atendimento sentar do lado do assistente e trocar quase tudo, ou tudo.

    Você disse muito bem, hoje a publicidade não é vista mais como ferramenta de vendas, vai pelo gosto pessoal de quem tá no topo do cliente mesmo.

    Um bom artigo, para um assunto que deixa muitos criativos de saco cheio todos os dias. Inclusive eu.

    Abraços

    @joaopitanga

  • Alex Luna disse:

    Eu pensava igual a você, e hoje recomendo a TODO criativo:

    - vá trabalhar em outra coisa.

    Não é pra sempre, não precisa ser. Mas você vai ver o negócio de uma maneira MUITO diferente. Quando eu acabar o ano sabático, terei:

    - organizado horários e feito planejamentos (não, decidir qual briefing vc vai resolver primeiro não é organizar horário. Nem discutir com o atendimento pra aumentar prazos, nem venha).
    - discutido estratégia de vendas (vendemos um programa. o que fazemos com a versão mac? e quando fazemos o lançamento? quanto tempo pra fazer a campanha?).
    - terei respondido a esta pergunta, com o meu emprego na mão: “a comunicação tá feita. por quê não temos clientes comprando?”.
    - explicar a um cara que não tem a menor ideia de comunicação porque os ícones tem q ser bonitinhos na versão mac, ou que o concorrente que usa Comic Sans nunca vai conseguir atrair os designers. Isso é uma experiência fantástica.

    Em suma: criativos, saiam do seu mundo, que vocês vão criar muito melhor.

  • Gilberto C. Moreira disse:

    É isso ai Alex, concordo plenamente com vc, o modo de ver as coisas é fundamental.

  • Gilberto C. Moreira disse:

    Outra coisa, organização e planejamento é tudo em nossas vidas.

  • Lucas Couto disse:

    Fala Marcelo!

    Realmente é uma situação complicada. Entendo sua angústia, até porque já passei por ela. Acho que esse problema é causado pelos próprios publicitários, e só nós mesmos para mudar esse cenário.

    Mas não desista. Mesmo que vc encontre outros ramos interessantes, manter um pé na publicidade faz bem e mantem a cabeça oxigenada.

    Abs!

    ——————–——————–——————–——————–——————–——————–

    E aí Gilberto?

    Acho q a questão é ainda mais profunda…
    As coisas não precisam sair necessariamente como a gente quer, mas deveriam pelo menos ser decididas pelo que faz mais sentido, e é melhor para o cliente, e não por outros motivos pessoais (do cliente ou dos publicitários)…

    Abs, e volte sempre!

  • Lucas Couto disse:

    Fala Fernando

    É verdade, maus profissionais (e maus costumes) existem em qualquer ramo. Mas se a gente não abre o olho, eles tomam conta, e passam a ser regra, quando deveriam ser exceção…

    Abs!

    ——————————

    Oi João Pitanga,

    Hehehe, criação só cansa pq o trabalho não é bem organizado. Ninguém merece ficar virando fds, ou trabalhando em horários absurdos…

    Tvz um caminho seja parar de fazer “tudo” pra depois passar ao atendimento, e começar a criar em parceria com o att, mídia, planejamento, O CLIENTE, etc…

    Abs!

  • Lucas Couto disse:

    E aí Alex?

    Cara, vc matou a charada. Faço minhas as suas palavras:
    “Criativos, saiam do seu mundo, que vocês vão criar muito melhor.”
    Pra ser um bom criativo, você precisa conhecer o lado “inimigo”, hehehe…

    ——————————

    Oi Gilberto,

    Esses dois pontos q vc citou são muito importantes: organização e planejamento. Se a empresa toda fosse melhor estruturada (incluindo a Criação), o trabalho de todos seria bem menos miserável, rs…

    Abs, e valeu pela visita!

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