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Por que se sujar faz bem?

8 novembro 2007 6 comentários escrito por Bruna

O que era para ser uma simples conversa de fim de tarde com meu namorado acabou virando o assunto do artigo de hoje. Depois de explicar o porquê do surgimento do splash do OMO, que na verdade é uma ‘sujeira’ estilizada, me perguntou: Por que se sujar faz bem? Milhões de sensações passaram pela minha cabeça, mas no fim só consegui expressar o meu mais sincero ‘Ah, porque sim’.

Então, eu passo a bola adiante e te pergunto: Por que se sujar faz bem? Por que esta campanha consegue transmitir com uma única frase tantos sentimentos para um sabão em pó?

No mesmo fim de semana, cheguei a minha conclusão depois de assistir aos filmes do Roboboy e do Tamanduá. O filme do Roboboy mostra a vida solitária e sem brincadeiras de um menino-robô, que só começa a virar um menino de verdade quando se suja. Assistam:

 

 

Antes de pesquisar sobre o assunto, pensei sobre a excelência da campanha em atingir seu target (genericamente falamos de pais, ou futuros) a ponto de gerar a compra por outro motivo além do ‘ser o melhor sabão em pó da categoria’. Com este filme, imagino que comprem o OMO por verem os seus filhos no robô que brinca.

Posso ter enxergado demais, mas uma das minhas leituras sobre esta campanha foi a de crítica ao modo que as crianças vivem hoje. Com seus brinquedos tecnológicos, computadores ou videogames, elas sequer saem de dentro de casa e quando o fazem vão brincar no lazer completo dos seus condomínios-clube, sujeira para elas é acumulo de pó por ficarem paradas. Por isso a alusão ao menino-robô.

Como só OMO tira qualquer mancha das roupas, porque tratar a sujeira como vilã? É justamente com a sujeira como aliada que esta campanha não precisa de nenhum recurso de comparação para se fazer valer melhor que as outras.

“Não é uma campanha de produto, e sim de conceito”, diz Adriana Yamamoto, gerente de marketing da OMO. Ela ainda diz que a roupa passou a ser coadjuvante, enquanto a criança e a ‘sujeira do bem’, se tornaram protagonistas. Indo além do ‘Porque se sujar faz bem’, criado em 2003, a campanha atual ganha nome de causa de ONG com o ‘Toda criança tem direito de ser criança’.

A propósito, o tema não é aleatório. A Unilever contratou a StrategyOne para realizar uma pesquisa que descobrisse a percepção que as mães tinham ao ato de brincar e sua relação com o cuidado com os filhos. O resultado foi esta campanha global, a ser veiculada nos 14 países da América Latina e na Ásia. 

A BorghiErh/Lowe ficou responsável apenas pelo plano de mídia, enquanto a criação desta campanha de veiculação mundial recebeu a assinatura da inglesa BBH, parceira local da Neogama/BBH. O Roboboy foi criado em Los Angeles pela Stan Winston’s Studios, a mesma produtora responsável pelos efeitos especiais do filme Jurassic Park.

É justamente por tudo isso que se sujar faz bem. No fundo, assim como eu, você sempre soube né?

E, principalmente para a geração de ‘filhos únicos de mães super-protetoras’, lá vai o conselho de uma mãe que conheço (que não usa OMO por achá-lo absurdamente caro): solta o muleque no chão, deixa o pirralho comer terra à vontade, porque além de descobrir que ele está com falta de ferro no sangue, você vai proporcionar a melhor vitamina da vida dele: a VITAMINA S. ‘S’ de sujeira, mesmo.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Bruna Bruna Rocha, 24, é atendimento da LongPlay360°. Tem um passado meio obscuro na área comercial, onde aprendeu as maravilhas do excel. Seu sonho reprimido é ser redatora, mas nunca tentou fazer um portfólio. Escreve para a Casa do Galo às quintas-feiras.

brunarocha84@gmail.com | http://www.longplay360.com.br


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6 comentários »

  • www.kntz.com.br disse:
  • Galo disse:

    Bruna, ótimo artigo!

    Não tinha pensado no apelo masculino paterno do comercial, mas pode ser mesmo.

    De qualquer forma, acho esse slogan sensacional!

  • Alessandro Ribeiro disse:

    Particularmente, não gosto de títulos e slogans que comecem com “Porque”. Não me perguntem “por quê?”, é frescura minha, acho. Ou talvez seja porque ninguém perguntou pra elas (marcas) responderem.

    Enfim, a resposta pra sua pergunta, Bru, está no último parágrafo mesmo. Na resposta da tal mãe. Uma criança que se suja brincando é a própria prova de saúde.

    Acho que é isso.
    Belo artigo.

    Alessandro Ribeiro – Último artigo em seu blog: Promessa de Halloween

  • Bruna (author) disse:

    Gosto também do filme do tamanduá, que o menino usa na mão como boneco. O tamanduá é tão fofinho que eles até estão dando uma mini-pelúcia de brinde. Inclusive vi um motorista de lotação com ele pendurado no retrovisor.

    Sempre estive acostumada com campanhas comparativas, exemplo dos grandes desafios OMO, com os tanques de lavagem gigantescos.

    Esse filme do robô é do tipo que as pessoas param pra assistir pela história. Em minha opinião eles inovaram e acertaram.

    bjos

  • mauro disse:

    Porque se sujar faz bem é ousadia que só uma grande marca pode ter, né. E que um grande publicitário é capaz de defender.
    Numa conversa de bar com o ex-diretor de produção gráfica da Lowe, este afirmou: o conceito nasceu aqui no Brasil e se espalhou. Viramos pais de um tema que, na mão da pessoa errada, tinha deixado de ser sujeira e virado meleca.

    mauro – Último artigo em seu blog: Paixões e Poesia

  • Gutos disse:

    Emocionante este comercial. Parece “aeuela cena triste” que sempre rola nos filmes.

    Até me identifiquei um pouco com o menino. Só que eu me sujava muito mais. Cresci me sujando na terra, rolando na grama e subindo em àrvores. Isso é muito saudável.

    Hoje o que mais vejo(nos bairros d são meninos que não sabem andar de bicicleta, não tem marcas nas pernas, tem o “pé de moça”, não sabe o que é passar o dia fazendo “estripulias” na rua.

    Se sujar faz bem e é muito divertido.

    Gutos – Último artigo em seu blog: Solidário, Mesmo?

  • mauro disse:

    De fato, belíssimos filmes.
    Sou fã desse conceito.

    mauro – Último artigo em seu blog: Portfolio Sem Vergonha. Para os que pretendem disputar vagas em criação e não passar tanta vergonha

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