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Plágios e (ex)citações

19 janeiro 2009 17 comentários escrito por iasnara

copia plagio thumb Plágios e (ex)citações

Entre as (des)culpas da crise, calcinhas coloridas, notas de repúdio ao oriente e palavras que já não sei escrever, lembrei-me da campanha da Neogama/BBH para o Bradesco, que virou bordão junto aos votivos clichês de virada. E numa chupada que ignora a própria mensagem, desejo um “2000inove pra você também”.

Todo título sonha cair no gosto do povo e virar domínio público. E o que quero para os outros, que venha em dobro pra mim. “Rá!”. Não estou defendendo o plágio. Apenas considerando aceitável quando alguém, apoiado na sacada alheia, consegue melhorar o conceito proposto, dando um empurrãozinho na própria ideia.

É saudável fazer uso da matéria prima. Não só do produto acabado, por favor. Ou nas palavras de Jim Jarmusch: “Devore filmes antigos, novos filmes, música, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas aleatórias, arquitetura, pontes, ruas, árvores, nuvens, luz e sombras. Selecione apenas para roubar coisas de que falam diretamente à sua alma. Se você fizer isso, seu trabalho (e roubo) será autêntico” . Como numa versão, num remake, em algum momento é possível se livrar da roupa original e mostrar sua “sensação” da obra – sim, porque refazer não é simples, você precisa ser muito bom ou para não dizer ser melhor.

O desenho novo, pode fazer a música ser sentida e imortalizada de uma forma diferente. O que não justifica o riffs de Satriani terem voado para a Viva La Vida do Coldplay.

Ou em uma trama de influências, como os primeiros minutos da minissérie global Capitu darem a impressão de rever o clip do Beirut. Sem falar de Dogville que reinou absoluta. Como se os três não fossem uma gofada teatral.

Se você solta qualquer coisa, não adianta negar o plágio. Mas se literalmente sobe nos ombros e projeta o salto numa nova direção, não imitou. Partiu de onde alguém parou e deu um passo adiante, tornando aquela matéria viva novamente, de uma forma diferente (vide varejo de celular, se fizer as contas, vai ver que um recurso de linguagem mudou a mensagem – para dizer exatamente a mesma coisa).

Quase tudo já foi dito e escrito, eu sei. Analogamente a reinvenção da roda, não tira o mérito do criador como também não desqualifica quem recria sua aplicação para novas situações. Syd Field diz que, o para um roteiro ficar bacana, é preciso criar três possíveis finais, por saber que a historia toma caminhos diferentes à medida que é contada. Então, agora e nos próximos anos, cerque-se de possibilidades, beba todas as influências, mas tenha uma essência definida. Isso sim o tornará autêntico sempre.

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.

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Iasnara Plágios e (ex)citações Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

iasnara@gmail.com | http://www.ossentidos.blogspot.com


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17 comentários »

  • Diego Jock disse:

    Tesão de artigo!
    Aliás, falando em tesão, os filmes do Jarmusch também o são! ;)

  • André Rafanhin disse:

    "na publicidade nada se cria, tudo se copia"
    Muito bom Ia, realmente esse texto do Jarmusch é excelente, carrego ele no meu pen-drive pra tudo quanto é lado :D

  • Juliano Santana disse:

    O que vocês acham dessa outra do Bradesco? rs
    http://www.joelapompe.net/2008/09/03/garbage-ball...

    Quem sabe faz ao vivo.

  • chendailem disse:

    Iasnara, adorei seu texto.
    É uma forma original d e falar de plágio.
    e, concordo com o André " na publicidade nada se cria, tudo de copia"
    " tudo se renova".
    Bjos

  • Iasnara disse:

    dele só vi, coffee and cigarettes. ;)

  • Iasnara disse:

    James B, ninja do Ctrl+c.

  • Tiago Moralles disse:

    Como disse uma vez em um post que não lembro quando: "Se você não pode inventar a roda, arrume pelo menos um novo jeito dela girar".

  • Iasnara disse:

    Valeu Chendailem.

  • Iasnara disse:

    éh, por aí.

  • Iasnara disse:

    até que prove o contrário…

  • Juliano Santana disse:

    Na sua opinião, você considera isso uma boa referência ou cópia descarada?

  • Iasnara disse:

    muita semelhança para ser mera coincidência.
    criancinha, eu já era hipnotizada pelas capas do Pink (Storm Thorgerson),
    acredito que seja referência pra muitos.
    lamentável, mas no caso é reprodução sim!

  • Fernando Luz disse:

    Quem nunca deu uma chupadinha que atire a primeira pedra.

    Sem duplo sentido, por favor.

  • Fique por dentro Animal » Blog Archive » Plágios e (ex)citações | CASA DO GALO - O animal da publicidade. disse:

    [...] e palavras que já não sei escrever, lembrei-me da campanha da Neogama/BBH. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  • CasadoGalo.com [blog coletivo] « Blog Archive « Iasnara [portfólio] disse:

    [...] Plágios e (ex)citações  Posted in dia-a-dia, plagio, polêmica on 19 janeiro 2009 [...]

  • Matheus disse:

    Gostei do texto viu I.

    Aqui na minha cidade uma agência fez um outdoor com a palavra CRISE e o S saindo da palavra. Assim, a palavra se tornava CRIE. A frase “mande a crise para o espaço” completava.

  • Fique por dentro Animal » Blog Archive » Plágios e (ex)citações | CASA DO GALO - O animal da publicidade. disse:

    [...] e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

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