Plágios e (ex)citações
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Entre as (des)culpas da crise, calcinhas coloridas, notas de repúdio ao oriente e palavras que já não sei escrever, lembrei-me da campanha da Neogama/BBH para o Bradesco, que virou bordão junto aos votivos clichês de virada. E numa chupada que ignora a própria mensagem, desejo um “2000inove pra você também”.
Todo título sonha cair no gosto do povo e virar domínio público. E o que quero para os outros, que venha em dobro pra mim. “Rá!”. Não estou defendendo o plágio. Apenas considerando aceitável quando alguém, apoiado na sacada alheia, consegue melhorar o conceito proposto, dando um empurrãozinho na própria ideia.
É saudável fazer uso da matéria prima. Não só do produto acabado, por favor. Ou nas palavras de Jim Jarmusch: “Devore filmes antigos, novos filmes, música, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas aleatórias, arquitetura, pontes, ruas, árvores, nuvens, luz e sombras. Selecione apenas para roubar coisas de que falam diretamente à sua alma. Se você fizer isso, seu trabalho (e roubo) será autêntico” . Como numa versão, num remake, em algum momento é possível se livrar da roupa original e mostrar sua “sensação” da obra – sim, porque refazer não é simples, você precisa ser muito bom ou para não dizer ser melhor.
O desenho novo, pode fazer a música ser sentida e imortalizada de uma forma diferente. O que não justifica o riffs de Satriani terem voado para a Viva La Vida do Coldplay.
Ou em uma trama de influências, como os primeiros minutos da minissérie global Capitu darem a impressão de rever o clip do Beirut. Sem falar de Dogville que reinou absoluta. Como se os três não fossem uma gofada teatral.
Se você solta qualquer coisa, não adianta negar o plágio. Mas se literalmente sobe nos ombros e projeta o salto numa nova direção, não imitou. Partiu de onde alguém parou e deu um passo adiante, tornando aquela matéria viva novamente, de uma forma diferente (vide varejo de celular, se fizer as contas, vai ver que um recurso de linguagem mudou a mensagem – para dizer exatamente a mesma coisa).
Quase tudo já foi dito e escrito, eu sei. Analogamente a reinvenção da roda, não tira o mérito do criador como também não desqualifica quem recria sua aplicação para novas situações. Syd Field diz que, o para um roteiro ficar bacana, é preciso criar três possíveis finais, por saber que a historia toma caminhos diferentes à medida que é contada. Então, agora e nos próximos anos, cerque-se de possibilidades, beba todas as influências, mas tenha uma essência definida. Isso sim o tornará autêntico sempre.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Iasnara Amorim, 29, Pré-publicitária e pseudo-contista. Abandonou a Veterinária por amor aos animais. Trocou Administração por Propaganda, numa passagem pelo Marketing quando foi esporada pela Publicidade. Atua na Promoção e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e cifrões. Vislumbra um futuro de Planner, por faltar insanidade criativa para a redação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras. 







Tesão de artigo!
Aliás, falando em tesão, os filmes do Jarmusch também o são!
"na publicidade nada se cria, tudo se copia"
Muito bom Ia, realmente esse texto do Jarmusch é excelente, carrego ele no meu pen-drive pra tudo quanto é lado
O que vocês acham dessa outra do Bradesco? rs
http://www.joelapompe.net/2008/09/03/garbage-ball...
Quem sabe faz ao vivo.
Iasnara, adorei seu texto.
É uma forma original d e falar de plágio.
e, concordo com o André " na publicidade nada se cria, tudo de copia"
" tudo se renova".
Bjos
dele só vi, coffee and cigarettes.
James B, ninja do Ctrl+c.
Como disse uma vez em um post que não lembro quando: "Se você não pode inventar a roda, arrume pelo menos um novo jeito dela girar".
Valeu Chendailem.
éh, por aí.
até que prove o contrário…
Na sua opinião, você considera isso uma boa referência ou cópia descarada?
muita semelhança para ser mera coincidência.
criancinha, eu já era hipnotizada pelas capas do Pink (Storm Thorgerson),
acredito que seja referência pra muitos.
lamentável, mas no caso é reprodução sim!
Quem nunca deu uma chupadinha que atire a primeira pedra.
Sem duplo sentido, por favor.
[...] e palavras que já não sei escrever, lembrei-me da campanha da Neogama/BBH. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
[...] Plágios e (ex)citações Posted in dia-a-dia, plagio, polêmica on 19 janeiro 2009 [...]
Gostei do texto viu I.
Aqui na minha cidade uma agência fez um outdoor com a palavra CRISE e o S saindo da palavra. Assim, a palavra se tornava CRIE. A frase “mande a crise para o espaço” completava.
[...] e Produção de Eventos, transformando figurinhas em metragens e … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
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