Pirataria – Jacaré virou lagarto

Pirataria. Prejuízo financeiro para as empresas que pagam impostos e deixam de vender seus produtos originais por um produto feito clandestinamente. Mercado covarde, onde o Davi engole o Golias sem dar tempo de reação. Prejuízo para o governo, que deixa de recolher impostos dessas empresas e se vê rodeado por um problema quase que sem solução. Tá, isso todos nós já vimos no Jornal Nacional. Mas o que quero abordar é que de uns dias pra cá tenho percebido um prejuízo muito maior do que qualquer seis zeros no orçamento final dessas marcas. O prestígio.
Falo isso porque em uma época em que a pirataria não era tão descarada assim, antes de ter tomado ferozmente as ruas, uma das maneiras de definir o poder aquisitivo de uma pessoa era o seu vestuário. Na pirâmide do consumismo, além do carro, do bairro onde mora, a escola e lugares que frequenta, a roupa de marca colocava você em uma pequena parte do seu ciclo de amizade capaz de usufruir bens materiais que exigem mais money no bolso.
A marca de um produto sempre foi a balança social entre o playboy e o favelado, a patricinha e a feia mal-vestida. Basta um passeio no Shopping para um jacaré com menos de um centímetro da Lacoste colocar seu pai em um patamar acima daqueles que vestem roupas de lojas de departamentos. Só não me arrisco a dizer que bastava, mas está caminhando pra isso.
A questão é que as marcas correm o risco de perder o valor e a representatividade diante do público que conquistaram em uma história de 20, 30 anos. Com a pirataria, o lixo já está vencendo o luxo. Hoje você pode comprar um Nike que custou em média R$600 e passar despercebido pelo mesmo modelo que um rapaz adquiriu na 25 de março por R$30. Fazer o quê? Não é culpa nossa que no Brasil as marcas sejam obrigadas a oferecer seus produtos com preços 40% maiores por causa dos impostos. Mais vale uma estampa de marca numa camisa falsificada do que uma camisa que não te coloca em lugar nenhum.
Olha só o problemão que tudo isso arruma para essas grifes. Solução? Essa eu também não me arrisco e dizer. Onde a publicidade e a comunicação entram nisso? Se não tiver nenhum coreano envolvido eu pago pra ver.
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João Pitanga, 25, é capixaba e se formou em Publicidade dizendo que no final tudo ia dar certo. Não deu, virou redator. Não se imagina fazendo outra coisa a não ser escrever e por isso conta os dias para trocar uma ideia com a gente na Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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