Penso, logo existo

“Athos” - Zbigniew Kosc (1985)
Atualmente, não há termo mais na moda do que ‘interatividade’, que acabou virando paradigma das tecnologias digitais. Mas, até mesmo para um publicitário off-line, a ordem é fazer o público interagir com a marca a qualquer custo. Mas você já pensou no significado da palavra ‘interação’?
Meu objetivo neste artigo não é discutir a palavra “interatividade”, muito menos suas origens. Mas, para melhor compreendimento do meu raciocínio, será necessário relembrar Pierre Lévy (1999:82): “a interatividade assinala muito mais um problema, a necessidade de um novo trabalho de observação, de concepção e de avaliação dos modos de comunicação do que uma característica simples e unívoca atribuível a um sistema específico”. Portanto, esqueçam o mouse e o software, pois o buraco é mais embaixo!
Eu não só esgotei o tema nessa semana, como fiquei literalmente exausto, antes mesmo da segunda-feira. Essa reflexão originou-se nas aulas de Estéticas Tecnológicas e desencadeou uma reflexão por meio dos textos, livros, internet, semiótica, significados, palestras, eventos… Tudo parecia uma grande bagunça, quando me dei conta de que interatividade é isso! É um pensamento contínuo, não-linear, participação, uma hiper-interação!
Entendido isso, você, caro leitor, estará mais preparado para “re-pensar” o mundo contemporâneo. O que te faz pertencer à geração “zapping”, nada sossegada de posse de um controle remoto! Para aqueles que ainda não entenderam, eu vou desenhar! Ou melhor, exemplificar: como eu poderia fazer vocês entenderem um pouco da minha mente, muitas vezes tão confusa e desconexa? Só mesmo através de um espaço interativo, que permitiria você entrar dentro dela… Impossível? Então vejam que genialidade:
O projeto denominado It´s All In Your Head (“Está Tudo Em Sua Cabeça”, grosseiramente traduzido para o português) explorou as propriedades dos materiais, forma, cor e luz, para tentar reproduzir um pouco da mente das pessoas. E isso,só poderia ser feito por meio de uma instalação interativa e lúdica que fizesse os visitantes interagir com a obra. Isso foi conseguido através de uma enorme estrutura feita por um tecido extremamente flexível (poliamida-elastan mix), esticado entre as paredes, teto e piso, e, através de orifícios nesse tecido, as pessoas entravam por baixo, e poderiam focar nos detalhes e objetos internos que recriavam o ambiente de uma mente humana, com desenhos, modelos e fotografias suspensas por meio de fios. O projeto exposto no Magma Architecture de Berlin ganhou vários prêmios por sua entrada na série JETZT | NOW de instalações temporárias na Galeria de Berlin, Museu de Arte Contemporânea, Fotografia e Arquitetura.
Antes de qualquer planejamento ou ação interativa, precisamos conhecer um pouco mais sobre a psique humana, seus desejos e anseios. Só assim poderemos estabelecer uma comunicação eficaz e criar uma interação com qualquer que seja o produto ou marca em questão.
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Wilson Roberto, 29, é publicitário-caçador ou vice-versa na área de Planejamento. Vive caçando de tendências, jobs, baladas; mas está à procura mesmo do 'ócio criativo' e de chefes que o tenham como filosofia. Está se especializando em Estéticas Tecnológicas da Comunicação na PUC/SP. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente às terças-feiras.
wilsonroberto@gmail.com | http://www.mediacontacts.com/
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Muito bom, Wilson.
Recentemente teve uma exposição também aqui no Centro Cultural da Caixa de um artista plástico, e tinha algumas obras interativas: algumas brincavam com o som, outras com espelhos que alteravam a proporção dos corpos.
Percepção…
Bom post Wilson.
O mais chato dessa história toda é que a exposição é em Berlin.
Obrigado, pessoal.
Eu tenho acompanhado vários artistas nessa linha, infelizmente não fiquei sabendo dessa exposição no Centro Cultural da Caixa. Um lugar onde sempre há exposições legais é no Itaú Cultural, mas o problema é que o Brasil ainda fica muito atrás dos países da Europa, por exemplo. Diego, segundo meu professor, a interatividade não se dará pelas imagens, mas através do som! Eu ainda acredito que o conjunto “imagem+som” terá sempre um impacto maior. Vamos ver…
Nada como o delicioso exercício de manter as janelas abertas,
pro mundo de fora e o de dentro.
Interessante, Will.
Além da questão da interação, há diversos autores e pensadores do marketing e da comunicação que dizem que o que as pessoas procuram mesmo em uma marca é a experiência que ela traz. Talvez por isso a interação entre consumidores e marcas aconteça.
Outra coisa que achei interessante foi o “planejamento “off. Temos uma tendência natural em separar on e off, talvez iludibriados pela tecnologia e o impacto dela em nossas vidas. Porém nos esquecemos que o o meio digital é um meio para expressar nossos desejos e não um fim. Por isso acho que devemos ser planejamento (e ponto), mesmo porque diversos estudos comprovam que o comportamento no mundo digital reflete, e muito, o comportamento offline.
Valeu pela reflexão, dude.
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