Peça aqui o seu anúncio
|
|
|
Vamos falar de um assunto muito comum no artigo de hoje. E quando chegarmos ao final do texto os estudantes mais otimistas – ou pessimistas, dependendo do ponto de vista – dirão: “ah, ele é só um sujeito do interior de São Paulo e esta situação só se aplica por aquelas bandas”. Então aproveito para alertá-lo, caro estudante: seja você otimista ou o contrário, o que relatarei aqui é a mais pura verdade em qualquer lugar do mundo onde existe profissionalizada e ativa a atividade da Publicidade.
A história é a seguinte: num lindo dia da nossa querida rotina surge uma notícia ótima para os funcionários de uma agência de publicidade qualquer. Digamos, a agência Geninho/YHT (essa barra com siglas logo depois dá um charme, fala a verdade). Pois bem. A agência Geninho/YHT acaba de ganhar uma conta super interessante para sua carteira de clientes e está em polvorosa por isso. Fica combinada uma “festinha” de happy hour pra comemorar a nova aquisição.
No outro dia, pela manhã, reunião para o primeiro job do novo cliente. É explicada toda a situação (conhecida, até então) da empresa e quais seus planos futuros, a visão que a empresa tem frente à situação atual do mercado; fala-se das concorrentes, do histórico da empresa; fala-se do espírito inovador que deve ser dado aos trabalhos; fala-se da esperança que o cliente depositou na agência; que a mudança aconteceu exatamente porque o cliente percebeu que precisava de algo novo, que trouxesse os resultados almejados e superasse todas as expectativas.
(Pausa na história para apresentar os perfis presentes na sala de reunião:
- Cliente: sem muita paciência para passar as informações, pois “tem milhões de coisas para fazer”, apresenta um panorama geral da situação e, assim que acaba, (a) sai da sala acompanhado pelo dono da agência para não mais voltarem, ou (b) sai da sala acompanhado pelo Atendimento. No caso da opção (b), há uma “leve” dispersão dos membros da reunião até que o Atendimento volte e retome o assunto.
- Atendimento: empolgadíssimo e encarnando um palestrante motivacional, tenta contagiar todos os colegas da sala, esquecendo que só ele recebe a comissão pela conquista do cliente.
- Planejamento: começa empolgado, tentando anotar todos os dados que o atendimento passa e já tentando adiantar o que poderia ser feito para imediatamente após a reunião solicitar ao atendimento os dados que faltam. Desiste e anota no papel apenas uma frase: “passar email – atendimento – dados por escrito”.
- Mídia: ao mesmo tempo que pensa em todos os contratos que tem ainda para fechar, todas as análises que tem por fazer e todos os planos pendentes em sua mesa, maquina quais meios mirabolantes pode sugerir àquele cliente, independente do job. Apenas sabendo o ramo da atividade do cliente e com seu próprio conhecimento, monta instantaneamente em sua cabeça o plano perfeito para dar àquela empresa uma exposição nunca antes vista na história da organização.
- Criação: interessado na reunião, rabisca um rafe pra peça fantasma que mandará para algum site ou concurso, a fim de elevar sua imagem dentre os outros criativos. Seus olhares direcionados ao teto ou à janela que dá pra rua, diz ele, “faz com que as informações da reunião entrem melhor em sua cabeça, o que já me deu até uma idéia do que fazer”.)
Enfim, o job é informado. Seguem as peças:
-
- anúncio para jornal O Informativo
-
- panfleto da promoção
-
- banner para o site do próprio cliente
-
- spot de rádio nas versões 60, 30 e 15 segundos
-
- VT de 30 e 15 segundos
O alvoroço está montado. O planejamento não concorda. O mídia não concorda. O criação diz que não vai dar tempo. O atendimento diz que é isso que o cliente quer e o cliente sempre tem razão. E diz: “Gente, vamos fazer assim este primeiro job. A conta é nova e estamos com o prazo apertado. No próximo job a gente inova, sugere, sai da caixa. Vamos conquistar o cliente surpreendo-o com nossa criatividade nestas peças simples. Vamos ‘matar a pau`”.
O alvoroço aumenta, não se ouve mais nada, ninguém concorda, cada um tem sua opinião. A reunião acaba. Cada um vai exercer sua função.
Duas semanas depois, é apresentado ao cliente exatamente o que ele pediu, exatamente da mesma forma que era feito na agência anterior, exatamente com o mesmo discurso. O cliente pede exatamente as mesmas alterações que pedia à outra agência, exige as mesmas coisas que sempre exigiu e, depois das mudanças, aprova tudo o que foi feito, diz que tudo está como ele queria, que a agência foi ótima, e tudo isso exatamente no último minuto antes do prazo expirar.
E o que aprendemos com tudo isso?
Marque a opção que, na sua opinião, melhor responde à pergunta (pode ser mais de uma):
-
1 – reunião nunca serve pra muita coisa
-
2 – cliente muda de agência mas nunca muda a si próprio
-
3 – jobs comuns sempre serão comuns, e por isso sempre terminam iguais
-
4 – seja criativo e diferente, mas saiba fazer o feijão com arroz
-
4 – nada
-
5 – todas as anteriores
As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores, e podem não refletir a opinião da Casa do galo.
Se você gostou deste artigo, assine o RSS feed da Casa do galo. Você também pode receber os artigos por e-mail.
Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
jrpunketone@gmail.com | http://orgasmoscerebrais.blogspot.com
Últimos artigos escritos por Claudinei
- Estamos aqui para pensar
- Atualize suas atitudes
- Publicitário? Ah, e o que você faz?
- Plano e Planejamento: parecidos, mas bem diferentes - Parte 2
- Plano e Planejamento: parecidos, mas bem diferentes - Parte 1
- Dois mil e Dez(abafo)
Claudinei já escreveu 42
artigo(s) para a Casa do galo.
Leia as colunas anteriores do(a) Claudinei.
Este artigo tem as seguintes tags: agencia, anuncio, atendimento, cliente, conta, Criação, geninho, job, midia, novo, peça, planejamento, propaganda, publicidade, rafe, rádio, rough, spot, tv

Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras. 







6 – você não tem coragem (nem) de marcar nenhuma das anteriores.
Opção 2
Até que se canse e mude de agência novamente.
A menos que encontre uma agência com a capacidade de fazê-lo mudar,
pelo que vejo, poucas tem essa capacidade.
Hahahaha
Que fase!
Marquei todas.
Gostei bastante do post. Quanto à parte do interior, você tem razão. Sou de Piracicaba, trabalho como ilustrador e designer autônomo, e quando isso acontece, somos atendimento, planejamento e criação, e se sucede A MESMA coisa do que você disse. Voto em todas as opções e duas vezes na 5, eh, eh, eh.
Grande abraço!
Muito bom, fico com todas as opções!
Eu fico com a opção 4. #prontofalei
Um. Talvez quatro, pois o processo de mudança precisa do 4.
Belo post
A opção #4 é muito importante, mas a #2 é fundamental também para a propaganda evoluir.
Enquanto não houver um casamento em igreja mesmo com tudo que tem direito e só ficar no civil, vai continuar essa velha rotina.
Havendo o casamento, eu acredito na força de mudança da opção #1 com certeza.
uhauahuhauhauhauhauha
A-DO-REI seu post, tb sou publicitária, atendimento, e sei como é, passo por isso sempre rs. O pior é q o atendimento fica no meio, entre cliente querendo matar e criação querendo matar pelos prazos para ontem rsrrsrsrs
Voto na opção 4, sempre dizemos isso aqui tb, saiba fazer algo fora da caixa, criativo, mas nunca podemos esquecer o feijão com arroz rsrsrs
Bjos, Chris.
[...] ao final do texto os estudantes mais otimistas – ou pessimistas, dependendo do. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Rsrsrs, revoltante isso heim!!! burocrácia até nas Agências, sem contar nesses clientes, depois reclamam do pouco retorno e voltam a mudar de agência, rsrs…
fico com todas opções, e só acredito em mudança, se ela vier do próprio cliente, autorizando a fazer o melhor em tal situação.
Deixe seu comentário!
Assine o RSS da Casa do galo
2049 assinantes
Publicidade
Leia também
Vou ser sincero com vocês: eu ia escrever sobre aquele programinha de faz-de-conta que pega um bando de estudantes e brinca de gangorra com o ego deles para depois chutar a boca de cada um. Porém, resolvi deixar o Jr. de lado e conversar com vocês que possuem uma dedicação autêntica sobre o caminho profissional [...]
O trabalho com pacientes na clínica da universidade tem me trazido importantes reflexões sobre a profissão de psicólogo e o processo de psicoterapia em si.
A primeira conclusão a que cheguei, logo no início: pouco se sabe da Psicologia até vivenciá-la na prática. Os conceitos aprendidos em sala de aula permitem um forte embasamento para tomar [...]
Pirataria. Prejuízo financeiro para as empresas que pagam impostos e deixam de vender seus produtos originais por um produto feito clandestinamente. Mercado covarde, onde o Davi engole o Golias sem dar tempo de reação. Prejuízo para o governo, que deixa de recolher impostos dessas empresas e se vê rodeado por um problema quase que sem [...]
Vagas para publicidade
Artigos recentes
Mais comentados
Mais lidos
Casa do galo by Diego Jock is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
Based on a work at casadogalo.com. Permissions beyond the scope of this license may be obtained by contacting this blog editor.