Passo Mause
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Pela primeira vez vou explicar um trocadilho – e logo de início, pra que nem dê tempo de você não entender. Passo mause / passe o mouse. Pegou? Hã? Hã? É claro que a norma culta exigiria um “L” no lugar do “U”, mas “Passo malse” ia pegar mal com éle.
Enfim, essa frase, aparentemente sem a menor importância, é fundamental para a chamada “interatividade” on-line. É o que chamam de call to action no portuglês do marketing. A questão é que esse termo, que inspirou este artigo, é apenas um exemplo banal de que a comunicação on-line já dá sinais de “Achamos a fórmula do sucesso!”. Será?
- O cliente pediu pra que a peça gere interação com o usuário.
- Já sei! Podemos fazer assim: primeiro step “passe o mouse”, depois…
- Ta ótimo! Acho que isso já basta.
Antigamente (entenda isso como “pouquíssimo tempo atrás”), o termo era, sim, bastante inovador e funcional. Além de defender bem a idéia de interação entre a peça e o receptor da mensagem – no caso, um usuário de internet -, era agradável brincar ativamente com a marca que ali estivesse. Ainda é, desde que seja usado de uma forma inteligente e dentro de um bom conceito. Pois, o que se vê hoje por aí é um verdadeiro Festival de Engannes: a agência engana o anunciante, o anunciante engana o cliente, que, por sua vez, se engana com a marca. Como diria Mussum, no final acaba todo mundo entrando pelo Cannes. E por falar em Cannes, Tom Eslinger, que será o presidente do júri da categoria Cyber Lions no Festival de Cannes de 2007, deu uma entrevista, recentemente, dizendo que “o melhor trabalho interativo conecta pessoas com uma idéia de um modo real” e que “se o trabalho não cria uma conexão com alguém, é uma perda do tempo do público e do dinheiro do cliente”. Alguém precisa avisar isso aos anunciantes do varejo e às empresas que oferecem vagas de emprego, por exemplo.
Mas é claro que a internet não virou, por enquanto, essa rataria desordenada e sem sentido que estou destacando por aqui. Ainda há (e ainda bem) muitas e muitas campanhas e peças on-line que sabem utilizar muito bem o conceito de interação. Você, caro leitor, que possui Windows Live Messenger, deve ter visto no Windows Live Hoje, por exemplo, uma peça muito legal da Microsoft para o novo Pacote Office, em que a chamada para passar o rato o levava a assistir a um dos vídeos da campanha. São os famosos “expandables”, que quase sempre sucedem ao call to action.
Nesse exemplo da Microsoft, tudo foi muito bem aplicado. Tanto a chamada como a expansão da peça. Mas convenhamos, alguns expansíveis também não são nada amigáveis. Segundo o Claucio de Oliveira, meu amigo e colega de profissão, em muitos deles “você passa o mouse sem querer, ele invade sua tela e faz você percorrer santiagodecompostelamente todo um contorno pra voltar à posição inferior do monitor, e então fazer o caminho de volta.”.
Mas, muita calma. Também não é pra ninguém ter raiva dessas peças interativas. Elas são necessárias e quase obrigatórias. O que não se pode é banalizar a ferramenta e usá-la só por usar. Interatividade (ou interação) é muito mais do que isso.
PS1: não coloquei nenhum link para demonstrar as peças, porque estas, em sua maioria, têm posições randômicas em portais e podem não durar o dia todo no ar.
PS2: agradeço ao Humberto Macário por enviar o link da entrevista do Tom Eslinger. Valeu, Macário!
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Alessandro Ribeiro, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Nossa Alê, muito bem observado esse lance de interatividade.
Na sexta-feira tive um treco quando passei o mouse sem querem em um banner no MSN do Senac. Do nada abre um vídeo com o Leo Madeira falando super alto…o coração bateu forte de susto.
Concordo em número, gênero e grau com vc.
Parabéns
Beijos
Alê, ótimo texto! Quase morro de rir!
Abraços
Mentira que você explicou um trocadilho
momento historico! ehehheheh
As vezes a preocupação em se inovar é tanta, que as pessoas esquecem de passar a mensagem que eles realmente queriam passar. Não vejo problemas em fazer mais do mesmo se há uma boa mensagem.
Fui claro?
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