Parkour criativo para tempos de crise
Adoro Parkour (ou l’art du déplacement, em português, arte do deslocamento). Ou melhor: ver David Belle pulando telhados, escalando prédios, passando por espaços impossíveis e para muitos intransponíveis em todos os sentidos. Como não sou atleta, só posso invejar positivamente a galera que faz do corpo essa ferramenta de arte e de grande beleza estética.
Porém, descobri que podemos exercer a ‘arte do deslocamento” daqui mesmo, sentados em frente ao computador, em uma reunião de briefing, na empresa do cliente ou pesquisando na internet. Algo que vou chamar de Parkour Criativo e que chegou até mim de forma inusitada.
Numa bela tarde de segunda-feira, meu principal cliente informou que o fixo (valor mensal que combinamos) seria cortado e que só iria pagar por trabalhos aprovados. Como redator freelance há tanto tempo, já não me surpreendo com essas atitudes de contramão, mas não nego que fiquei “sem chão” por um momento. Afinal, em apenas 15 minutos, minha renda mensal caiu em 70%. Isso em “tempos de crise” (como todo mundo fica repetindo por aí).
Aqui começa o Parkour Criativo: se você está passando por um momento semelhante, se deseja sair de um emprego, se deseja entrar em um novo emprego, se está procurando estágio, use o Parkour Criativo.
Comece trocando sua referência de tempo. “Tempos de Crise” é para quem já mergulhou no mar de especulações sobre o futuro do mercado publicitário, redução de verba, etc. É o tempo parado, inativo, paralisante. “Tempos em Crise” é a situação em movimento, você em movimento, em sintonia como o espaço onde as coisas estão acontecendo. É você pulando obstáculos na mente, bombeando energia nos neurônios que mandam info para que novas idéias apareçam fortes e destemidas, prontas para escalar prédios de dificuldades. É a crise transformada em oportunidade.
Em seguida, exercite as idéias que surgiram colocando-as à prova: Escreva artigos sem destino, roteiros sem filme, jobs sem clientes, projetos sem aprovação. Crie um currículo de sucesso (seja lá o que for o que isso signifique para você) sem o sucesso que deseja ainda ter sido alcançado. O Parkour Criativo é a arte do deslocamento das idéias fixas, politicamente corretas, certinhas, medrosas. Desloque-se.
No Parkour, o corpo ganha agilidade. No Parkour Criativo, a mente se agita. E cresce. E se desenvolve. E o corpo acompanha. Você vai perceber que ganhou maior atenção no que importa e largou a tensão que o impedia de flexionar os conceitos criativos pré-estabelecidos por anos de estudo acadêmico e passagem por agências, por exemplo.
Mas não confunda: o Parkour Criativo não é brainstorm. Ele não está ligado a um propósito definido, não está preso a um cliente ou produto. Parkour Criativo é você livre para conquistar todos os espaços da sua mente e se divertir muito durante o processo.
Espero que ao terminar de ler este artigo, você comece a praticar o Parkour Criativo. Na verdade, acredito que ele já entrou em ação. Posso ver as idéias saltando por aí. Portanto, boa sorte e continue praticando. Quem sabe um dia, não fazemos isso juntos?
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras. 







Adorei!!! Me identifiquei completamente, bem que o Jock disse que eu iria me identificar! Estou totalmente num Parkour criativo, por causa da crise mesmo (só que na Inglaterra)… e posso falar? Eu tô amando esse parkour, esse caldeirão que borbulha na minha mente!
Muito bom o texto!
[Responder]
Seria este o fim do “ócio criativo”?
[Responder]
Também me indentifiquei muito com o texto, principalmente porque andava muito critico com relação as minhas próprias idéias, por exemplo: Será que isso dá portifólio? Será que alguém vai ler isso? Será que vai dar mais page views? Será isso, será aquilo?
Este talves seja o problema de quem está começando, como eu.
Essa semana também li algo óbvio mas que nos esquecemos, eu pelo menos esqueço as vezes, que as idéias estão na nossa cabeça em fila indiana, ou seja, preciso liberar as primeiras, mesmo que fracas sob uma critica inicial, para que outras mais venham a tona.
ótimo artigo, estou praticando isso agora.
[Responder]
Claro que não, Felipe. Ócio faz parte mas cria o tédio também. No Parkour não tem tédio porque vc cria DE DENTRO PRÁ FORA. O estímulo é você mesmo.
Agradeço todos os comentários.
[Responder]
Marcos,
Eu entendi a proposta! Quis apenas brincar com estes quase antônimos.
[Responder]
[...] e eu não quero mais ficar sem dinheiro. E por mais que eu esteja amando meu tempo livro, meu parkour criativo, minha vida de academia, não aguento mais ficar em casa. Diz o marido que eu tô com cabin fever, [...]
Adorei o artigo, estava mesmo a precisar de ouvir estas palavras!
[Responder]
Muito bom o artigo, parabéns.
[Responder]
[...] ficarão cheios de “pontinhos”, de aspas (adoro, aspas, rs) e de recalques que matam o parkour criativo. Não estou defendendo a campanha equivocada da agência. Mas defendo sim, o fato de colocarem a [...]
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