Eu não conhecia a história da Red Bull. Também não conhece? Então lá vai:
Tudo começou nos anos 80, quando o austríaco Dietrich Mateschitz fez uma viagem para a Tailândia e lá descobriu uma bebida que continha três vezes mais cafeína que um refrigerante comum e fazia muito sucesso entre os caminhoneiros da região. O nome dela era Kratin Daeng, que nada mais é do que a tradução de Touro Vermelho. Junto com os criadores originais, Dietrich levou a bebida para a Áustria, e após anos de espera devido aos impasses junto a vigilância sanitária, a marca Red Bull foi lançada em 1987. Hoje ela está em 146 países, e alcançou um 2008 o faturamento de US$ 4,28 bilhões.
Veja agora alguns dados curiosos: depois de várias pesquisas, descobriu-se que uma parcela dos consumidores não gosta do sabor da bebida (confesso que Red Bull é bem mais gostoso misturado a alguma coisa). Outro dado, e este é por minha conta: Quanto comerciais você tem visto sobre a marca Red Bull? Faz tempo que eu não vejo um. Então como pode uma empresa crescer tanto em tão pouco tempo? Seria a internet a principal solução desse mistério? Não. O Segredo é bem mais simples e emocionante que isso: muitas ações, muitos eventos e muitos patrocínios de atletas radicais espalhados por todo o mundo. Só no Brasil, o calendário de 2008 da marca incluiu 10 eventos. Saiba o nome de alguns deles:
Existem outros, estes são apenas os mais importantes e/ou engraçados. Repare também que a grande maioria são esportes que envolvem o vôo, a sensação de liberdade e o exercício da criatividade. É o Red Bull dando asas a quem quiser. Asas que não dependem de mais nada para voar alto, muito alto, e chegar onde quiserem.
Deixo alguns vídeos para quem não conhece os campeonatos patrocinados pela marca.
Red Bull Air Race:
Red Bull X Fighters:
Red Bull BC One:
Sinceramente, é de arrepiar.
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André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras.
andrerafanhin@gmail.com | http://www.pitaco.com.br

Segundo uma matéria dessa semana no IDG Now, o mercado de SEO está pagando muito bem, tem muitas vagas e pasmem, FALTAM profissionais. Sobram vagas. E palavra de quem trabalha nesse mercado: não é só SEO. Sobram vagas de analista de redes sociais, webwriter, gestor de mídias sociais e outras funções na área de web, mais precisamente ligadas às redes sociais. Por que isso acontece? Como você pode fazer pra ocupar uma dessas vagas? Nada tema.
O primeiro obstáculo chega a ser idiota de tão óbvio: mídias sociais são um fenômeno novo. Ainda não há muitos cursos e treinamentos na área, então os profissionais procurados são os que aprenderam da melhor maneira: fazendo. Os profissionais que se atualizaram têm uma vantagem, mas os jovens que, antes de serem profissionais, são usuários das tais mídias largam na frente. Daí a atitude comum de se contratar blogueiros que estudam o fenômeno, como foi o caso do nosso amigo Rafa Amaral, do que profissionais que tiveram que aprender na marra.
Mas e se você não é um blogueiro? Não tem twitter, não gosta de Orkut e só lê uma meia dúzia de blogs? Desiste. É a mesma coisa que projetar carros sem nunca ter sentando no banco de um. Simplesmente não dá. Quando a gente vê campanha que dá errado, que manda spam, que acha que blog é tudo feito por adolescente nerd e fala com esse público sem peculiarizar a mensagem, com certeza o responsável foi um profissional de mídias sociais que NÃO É usuário de mídias sociais.
Outra coisa que conta muito são seus contatos. É seu poder de espalhar uma notícia ou um blog ou uma campanha sem gastar nada, entre seus contatos de MSN, Orkut ou Face Book. Conta estar antenado e por dentro do que se faz de bom e de ruim, para que não se repitam os mesmos erros. Quem seria o empregado ideal para uma empresa de web: um profissional experiente, mas que só tem Orkut pra postar fotos das férias e ainda acha que Twitter é coisa de publicitário com tempo sobrando, ou um garoto de vinte e poucos anos, que tem um blog, escreve pra mais uns três, tem centenas de seguidores no Twitter e contatos sérios desse meio e de blogs grandes em sua rede de contatos? Alguma dúvida?
Então, camarada, corra atrás. Faça um blog, leia blogs, comente em blogs, participe, fale, ouça, estude, leia, enfim, seja um profissional que consegue ver como o usuário vê, simplesmente sendo um deles. Blogs de referência sobre o assunto não faltam, nem listas de discussão ou comunidades no Orkut ou no Facebook. No próximo texto vou sugerir alguns livros, sites, blogs e comunidades. Até lá.
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Leonardo Luz, 29, é redator, cronista, roteirista, especialista em marketing digital e tricolor carioca. Já trabalhou em rádio, em agência tradicional, no Videolog.tv, e atualmente trabalha na Simples Estúdio, no Rio, na área de marketing digital. Escreve para a Casa do galo semanalmente, às segundas-feiras.
leoalcoforado@gmail.com | http://cronicastricolores.wordpress.com/

Galo, tô em crise.
Crise de consciência por fazer propaganda.
O ego, tadinho, tá dividido entre meu super (não tão super) ego e meu Id impulsivo. Tá lá, tentando, a qualquer custo, organizar a bizarra cabeça dessa pequena criativa que vos fala.
Nem Freud explica, mas o superego publicitário costuma dar mais trabalho. Será característica da espécie?
Bom… mas deixa eu te contar…
Esses dias, por exemplo, senti um anúncio me incomodando. Sabe a consciência batendo? Lembrei das minhas aulas na PUC. Das minhas convicções. Da minha vontade de fazer diferente. Me deu um frio na barriga. Caí na realidade e percebi que era mais uma. Mais uma que só seguia o fluxo e procurava ter uma ideia engraçadinha.
Mas voltando ao anúncio…
Sabia que o Conar bateria na nossa porta. Mas a sala de criação estava animada. Todo mundo riu. O atendimento riu. O dono riu. O planejamento riu. Até a Dona Fátima, quando serviu o café, espiou e riu.
Algo me dizia que aquilo não devia sair daquele Mac. Tentei comentar, mas ninguém me deu ouvidos. Era engraçado demais. Tinha tudo pra dar certo.
Não deu.
Sabe Galo, às vezes eu penso que o difícil não é ter ideia. Ideia, qualquer um tem.
Agora, ideia saudável, é mais complicado. É desgastante fazer uma reflexão crítica. Matar a ideia por causa de um receio social? Ah, ninguém tá muito afim disso.
Pode ser neurose minha. De repente tô pegando pesado demais. Mas eu ainda insisto nessa coisa toda de respeito social.
Mas sácomoé, na euforia criativa, ás vezes, a gente esquece de algumas pessoas. Só lembramos quando ligam reclamando, escrevem suas opiniões, acionam o Conar e, claro, quando dizem que não vão mais consumir o produto.
Mas aí Galo, aí é tarde demais.
Propaganda e ética não combinam. Já ouvi muita gente falando isso. E é nessa hora que aquela sua receita médica do Prozac me ajuda.
Só ela.
Tô em crise.
Não sei por que resolvi fazer tudo isso. Não sei por que resolvi escrever coisas nas quais não convém com minha consciência social.
Eu sei Galo. Eu sei. Criar desse jeito é escolha minha. Apenas. É uma escolha. Entre o saudável e o doente.
A sociedade já vive tão cercada de ideologias! É certo, eu, uma comunicadora social, incentivar ainda mais tudo isso? COMUNICADORA SOCIAL, quem diria! Olha o peso disso!
Eu só amo o que eu faço, quando o que eu faço não agride ninguém.
A tal comunicação social é uma puta responsabilidade. A gente impacta a sociedade. Não importa se é em pequena ou larga escala. Mas alguma coisa lá fica.
Galo, não é tão simples minha crise. É um conjunto de frustrações. Um sentimento de impotência diante do trânsito, da corrupção, da falta de respeito, do poder de poucos, da igreja, dos pedófilos, dos estupradores, dos preconceituosos, do sistema, da violência, da ecologia, da política, das guerras, das doenças, e, agora, da propaganda – para completar ainda mais minha angústia.
O que me ajuda é pensar que não sou só eu que frequento esse divã.
Ainda tenho minhas referências criativas. Meus modelos de comunicadores sociais. Gente que entende dessa responsabilidade.
De repente me bateu uma nostalgia publicitária. Saudade da propaganda gente boa, parceira, amiga de todos, sem preconceito.
Bons tempos eram aqueles em que as pessoas não dividiam só salgadinho…
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Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
veronicaporsani@gmail.com | http://porsani.blogspot.com
