Mal começou o ano, ainda de ressaca da mega turnê da Madonna, e já ansiosos pela confirmação de outros shows de grandes bandas de rock a se apresentarem por aqui, tivemos um evento similar a esses grandes shows – e pasmem: ocorrido bem longe do Brasil, mas nada que a tecnologia não pudesse encurtar – mas devido sua importância (principalmente para a publicidade), teve muita repercussão por aqui.
Na verdade não deveria ser um show e sim um evento esportivo. De um esporte que não tem muita afinidade com nós, brasileiros, pois futebol no Brasil se desenha no pé: do primeiro toque, passando pelo pulular da bola no campo, das trocas de passes, que somente se finda nas mãos dos goleiros! Pois é, a final do Super Bowl – Liga de Futebol Americano – é o evento com maior audiência no mundo.
Mas se você acha que irei comentar sobre o jogo, lamento, pois nem assisti. Foi um dos meus melhores finais de semana – ensolarado, fato raro quando decido sair de folga para o litoral ou locais com piscina – e quando cheguei, desmaiei. E isso é o que justifica ter procurado, no dia seguinte, notícias sobre o evento.
Achei um site muito legal sobre as propagandas durante o Super Bowl. Uma página do USA Today para deixar qualquer publicitário entretido por um bom tempo. E, se não bastasse, achei também uma ação feita pelo The New York Times, outro velho gigante jornal americano, que dá uma aula de inovação: um Twitter Chatter do tráfego de twitts enviados durante o Super Bowl.
Mas a euforia passou tão rápido quanto chegou. Numa época de crise econômica, com todos os problemas que o mundo está passando, questiono-me muito sobre o futuro da profissão e sua relação com a responsabilidade social. Nunca me esqueci que sou bacharel em Comunicação Social e a Publicidade foi só uma habilitação – uma separação infeliz, em minha opinião.
Impossível calar-me diante de fatos que afetam diretamente minha vida, minha família, meus amigos, meu país. E peço desculpa pelo meu desabafo, mas quero fazê-los refletir em quão maravilhoso seria se toda essa inovação fosse usada para ajudar o mundo que sofre com a neve na Europa, com as queimadas na Austrália, com as chuvas no Brasil.
Com tamanha audiência – ah, e quem me dera se eu pudesse! – queria chamar a atenção por alguns minutos que o mundo é feito por pessoas e que vivemos em sociedade. Embora não tenha essa autonomia sobre o Super Bowl, aproveito esse espaço importante que me é cedido aqui na Casa.
Pensem nisso.
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Wilson Roberto, 29, é publicitário-caçador ou vice-versa na área de Planejamento. Vive caçando de tendências, jobs, baladas; mas está à procura mesmo do 'ócio criativo' e de chefes que o tenham como filosofia. Está se especializando em Estéticas Tecnológicas da Comunicação na PUC/SP. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente às terças-feiras.
wilsonroberto@gmail.com | http://www.mediacontacts.com/

Há muito tempo não sou surpreendido por uma propaganda.
Óbvio que eu as tenho encontrado por aí. Nos blogs e sites especializados, sites de agências e coisa parecida. Mas eu tenho que ir atrás. Três possíveis razões pra isso:
1 – Estou mais criterioso;
2 – Estou numa região viciada, antiquada, conservadora, provinciana, etc;
3 – A qualidade da propaganda realmente caiu.
Acredito num mix disso tudo.
É certo que estou mais criterioso. Acontece naturalmente quando se passa um tempo envolvido com algo. Por exemplo, depois de anos de estudo e prática musical, certamente tenho mais condições de fazer um julgamento (técnico, é bom deixar claro) sobre música do que um mero ouvinte ou admirador dessa arte.
Mas não é só isso.
Dia desses, numa das raras ocasiões nas quais assisto TV aberta, vi uma sequência assustadora de 3 comerciais de varejo que, não fosse por uma coisinha aqui e outra ali, eu teria certeza que seguiram esse roteiro:
Quase tudo o que é produzido por empresas daqui da Região Metropolitana de Campinas veicula tem qualidade técnica (de montagem, direção, diagramação, acabamento, adequação, etc) pífia!
Criatividade? Que isso?!
O mais curiosos é que é possível encontrar por aí propagandas novas e muito boas dos mesmo anunciantes que anunciam por aqui.
Respondendo a pergunta do título, aqui (na RMC) é que não está.
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Gui Pignata, 27 anos, é músico, quase físico e bacharel em Música Popular pela Unicamp. Estuda Publicidade e Propaganda na PUC Campinas e é designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
guipignata@gmail.com | http://www.antinomia.blogspot.com

Vou contar uma história, os personagens são fictícios mas os fatos são reais.
Uma grande empresa resolve fazer a embalagem de um produto novo e, para tanto, contrata um escritório de design. Até aqui tudo certo, esse é o caminho previsto, mas a coisa complica no momento em que esse escritório percebe que precisa de uma fotografia para a embalagem e que ninguém ali é fotógrafo.
Procuram um agenciador que poderá recomendar algum profissional adequado ao caso. Horas mais tarde o telefone toca em algum estúdio fotográfico da cidade e forma-se a corrente cliente- escritório de design-agenciador-fotógrafo.
Ao atender, o fotógrafo reconhece a voz de seu agente, que explica o briefing da embalagem que lhe fora passado pelo pessoal do design e que, por sua vez, foi enviado pelo marketing.
Entendido o briefing, a foto é produzida e enviada para o agente. Começam os problemas.
O agente dá umas opiniões, pede para refazer um detalhe dizendo que o cliente não vai aprovar do jeito que está. Na verdade ele não está aprovando baseado no que ele compreendeu do briefing e em achismo, mas não é a palavra do cliente final.
O fotógrafo, meio contrariado, faz a mudança e manda de novo, dessa vez passa pelo agente mas tromba no pessoal do design que pede mudanças. Ao passar as requisições de volta ao fotógrafo o agente pede logo mais mudanças: é para fotografar tudo de novo mesmo, então muda mais aqui e acolá.
Chateado e achando que não entende nada do próprio trabalho, o fotógrafo vai lá e faz tudo novamente. O cliente é grande e o trabalho vale a pena, ele abaixa a cabeça e faz o que foi pedido.
Com alguma sorte a foto passa pelo agente e pelo pessoal do design e finalmente chega no marketing da empresa. Lógico que volta com mais apontamentos e mudanças pois não era nada disso que eles tinham pedido.
Essa situação só ocorre por estes três motivos:
1 - com medo de perder o trabalho para um concorrente qualquer, o escritório de design não passa o contato direto do cliente final ao fotógrafo e nem ao agente, este tem o mesmo receio e toma a mesma atitude, desta forma o fotógrafo nunca fala com o cliente final e nem com o estudio de design, sendo que um telefonema resolveria todas as dúvidas;
2 - como o pessoal do marketing estava com pressa (sempre está), passou um briefing impreciso e passível de múltiplas interpretações. O pessoal do design não quer incomodar com perguntas e passa quase tudo ao agente por telefone, já retirando a parte não entendida ou ignorada por eles. O agente esquece ou perde qualquer parte de informação e o briefing que chegou ao fotógrafo não é 10% do que já era ruim quando saiu do marketing;
3 - boa parte dos profissionais envolvidos não entendem nada de fotografia, mas mesmo assim querem marcar suas posições e fazem isso opinando em coisas desnecessárias ou que estejam fora de seus conhecimentos.
Há um quarto motivo: todos acham que sabem o que o cliente final pensa mas quase nunca perguntam para ele – é o império do achismo.
Há algo de errado no mercado, essa história já aconteceu comigo, com minha esposa, que é ilustradora e com amigos fotógrafos, designers, desenhistas, cineastas, arquitetos, entre outros. Você pode mudar toda vez que cito o termo fotógrafo no texto e servirá para diversas profissões das áreas de imagem e comunicação.
Por isso deixo apenas um pensamento final: façam bons briefings e os passem diretamente a todos os envolvidos no projeto. Hoje temos tanta tecnologia, uma reunião pelo Skype com todo mundo economizaria tempo, dinheiro e paciência. Afinal, não é com comunicação que trabalhamos?
Nos vemos em quinze dias, sempre às sextas.
[]’s
Armando Vernaglia Junior
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Armando Vernaglia Jr, 34, é fotógrafo publicitário, vive em busca de novas imagens inspiradoras, interessantes e únicas. É também professor de fotografia, palestrante e consultor nas áreas de imagem e branding. Graduado em publicidade e especializado em comunicação organizacional, ambos pela Cásper Líbero. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
contato@vernaglia.com.br | http://www.vernaglia.com.br
