Quando tomamos uma atitude, ela é estimulada por medo/culpa ou vontade. Se você faz por medo/culpa, não existe interesse na ação. Quando há desejo, as ações são repetidas de uma forma natural, saudável e sincera. Observo as pessoas e tento entender por que algumas delas se sentem motivadas e outras não, a ajudarem organizações não governamentais.
Li uma entrevista do escritor Dave Eggers, autor do livro “O que é o quê”, e fiquei encantada quando ele falou sobre literatura engajada. “O engajamento me energiza”, disse o autor. Na verdade, o que me chamou a atenção foi o termo: Literatura engajada. É instantâneo. Você lê e percebe que se trata de uma ferramenta que luta por uma causa. “Responsabilidade social”, “Sustentabilidade” e “Marketing para o terceiro setor” são nomes que não me transmitem paixão. Já “Literatura engajada”, meu pensamento vai longe. Sinto energia, empenho, determinação, garra, intensidade.
Já recebi ligações de associações onde fica nítido que o próprio funcionário não tem qualquer apego pela causa. Empurra, gospe, joga e atira palavras sem nenhuma consistência emocional. O assunto é claro: hey, existem seres humanos que precisam da sua ajuda. O marketing do empurra não tem nada de humano. Contraditório, não? Alguns dias atrás recebi uma agenda “sem qualquer compromisso” de uma Ong. A arte foi toda criada através de fotos escolhidas por um concurso. Algumas lindas, outras, sem nenhuma visão poética (algumas foram tiradas por amadores e não fotógrafos). Se eu quiser ficar com a agenda, terei de pagar R$ 35,00, caso contrário, o dinheiro da associação será desperdiçado. Isso pode me causar culpa. A culpa como apelo de venda, definitivamente, não é a melhor forma de convencer alguém a fazer o bem. Não escrevo este artigo para julgar a qualidade dos projetos sociais. De forma alguma. O que me preocupa é a sua venda, como isso chega até o público doador. Se a comunicação é tocante ou é medíocre. Campanha social tem que ser chocante. Não apelativa. Mas chocante na alma.
Quero compartilhar algumas referências, que, para mim, são criações maravilhosas. Algumas antigas, mas vale a pena relembrar.
Emocionante. Asociacion Afanoc
Sensacional. Children see, Children do.
Chocante. Abused children can´t speak up
Campanha contra o trabalho infantil da Rep-GRey, na Colômbia, embalou pás e expôs em lojas de brinquedo para lembrar que muitas crianças fazem trabalho pesados quando deveriam apenas brincar.
Admiro também o trabalho da revista Ocas. Os vendedores (pessoas em extrema vulnerabilidade social) são muito gentis, atenciosos e transbordam alegria. A revista é uma excelente fonte de informação. A divulgação dos vendedores é feita de uma maneira muito agradável.
Meu objetivo neste artigo não é julgar a qualidade dos projetos, mas sim refletir quanto a abordagem de convencimento. Se fosse assim, teria uma lista imensa de projetos maravilhosos para dar de exemplo. Como publicitária e alguém incomodada com o mal-estar social, fico preocupada com algumas estratégias de marketing social, que promovem o efeito contrário. Cria-se antipatia ao invés de empatia pela causa.
Marketing engajado. É assim que tem que ser. Envolver o target na luta por um ideal. Fazê-lo acreditar na sua importância em relação ao mundo. No quanto ele pode mudar a vida de alguém, de um grupo, de uma sociedade. Não ser mais um depósito, uma ajudinha. Emocionar. Comunicar com a energia de um sonhador. Tocar na alma. Sem aquele ar de pobre coitado. Mas, sim, ser o organizador do protesto. Mesmo que seja um protesto que não saia nas ruas, não grite e não tenha bandeira. Um protesto que precisa de comprometimento para continuar a andar.
Incentivar o engajamento e não a esmola. E isso só funciona se há paixão pela causa.
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Verônica Porsani, 24, é redatora publicitária e acha muito estranho ser chamada de redatora. Já passou por cliente, veículo e agência. Defende a propaganda bom senso - engraçadinha, eficaz, porém ética. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Ter noção do quanto escrever é bastante difícil em se tratando de internet. Não há uma regra, – desculpem-me os jornalistas, pois não sou um – então tomo a liberdade de iniciar algo que não prevê laudas e caracteres. Seguirei sem limites e editarei apenas o que achar que devo.
Introduzi, pois, um artigo que pode tomar vários caminhos. No entanto, tenho um objetivo claro e espero torná-lo mais claro durante o percurso das linhas. E ele nada mais é do que mostrar que riscos são pedras a se lapidar; que medos são obstáculos a se transpor; que idéias são sonhos a se concretizar.
Partiremos da crise:
Em uma das concepções que o Dicionário Houaiss propõe, crise é “estado de incerteza, vacilação ou declínio”. E o mundo corporativo começou 2009 brincando com a palavra crise. Confesso que não me intimidei. Li um texto do Cris Dias e não quis mais ouvir sobre o assunto. Ele fez questão de dizer o que penso. E ponto.
Enfrento crises todos os dias. Pessoais, não. Profissionais. Porque tenho que encontrar soluções num ambiente de “crise”. E consigo. Aliás, para nós publicitários, crises já trazem em sua primeira sílaba um radical intrínseco à profissão: CRI-atividade. Precisamos de desafios. Desejamos desafios.
Adoramos a idéia de nos tornarmos anunciantes dia-a-dia. Assim como os anunciantes amam a idéia de terem idéias dia-a-dia. A “briga” é essa: publicitários-administradores, que tornarão a empresa a última bolacha do pacote vs. anunciantes que acordam com idéias irrefutáveis de como tornar o “marketing” mais criativo. E nos entendemos nessa odisséia.
Afinal, nada de novo. E aí consigo mostrar meu propósito: o risco.
Arriscar é “aventurar-se”. E quem não tem apreço por aventura? Você não tem? Então trabalhe com ciências exatas, meu amigo; aliás, trabalhe com ciências exatas e previsíveis. Porque arriscar é brincar de ser feliz. Você nunca se arrisca e conquista frustração, pois está nadando no mar de imprevisibilidade. Imprevisibilidade não traz expectativas concretas, mas esperanças que dependem de esforços conjuntos.
Agora vamos arriscar a pensar que, ao enfrentarmos uma crise juntos, anunciantes e agências, qual resultado teríamos?
Se você ficou sem resposta, seu espírito já começa a se preparar para o sucesso e para passar incólume pela fase difícil. Porque assumir um risco sozinho é sacrifício. Mas assumir um risco de mãos dadas é inovação.
E é isso o que sabemos fazer. Desde que sejamos melhores do que o risco; desde que sejamos imprevisíveis.
***
E, aos que pararam no primeiro parágrafo achando que este seria um artigo imenso, fica a sugestão: arrisque até o fim; a resposta pode estar mais perto do que você imagina.
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
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Quantas coisas já perdemos por que não acreditamos no silêncio? Quantas verdades já se passaram desapercebidas por causa desse mesmo silêncio? E quantas vezes o mais certo a se fazer era ficar em silêncio?
Deus fez o silêncio para que pudéssemos bater de frente com o barulho. Como diria Lulu Santos, “não existiria som se não houvesse o silêncio”. Logo, o Silêncio é o importante da história. Manter o silêncio é uma benção, uma qualidade, uma força – mas também pode ser o inicio para o fim, a faísca para o fogo.
Quantas vezes se encontrou em uma situação onde tudo o que queria era quebrar o silêncio que existia no ar e sair falando um monte de coisas, algumas vezes boas, outras, nem tanto… Porém, ele estava ali, firme, forte, e sábio… o Silêncio.
Começamos pelo estagiário. O Silêncio deveria ser seu principal requisito. Como os estagiários sofrem. Sofrem se falam na hora errada, sofrem se não falam, e sofrem até mesmo quando estão certo, mas estagiário (e nada contra eles, pelo contrário, acho que são peças fundamentais em qualquer empresa) “nasceu” pra ficar em silêncio.
E o pessoal da criação? Tem o silêncio como uma benção. Aquele brainstorm com várias idéias saindo pelas mentes dos diretores de arte, os redatores exalando seus belos títulos. Mas, no fundo, toda boa idéia aparece quando o silêncio paira no ar.
O Atendimento usa do silêncio para ser paciente, seja com os doutores criativos, seja com os clientes sabichões. O Planejamento pensa o silêncio. Saber usar o silêncio é uma das grandes virtudes de um profissional de atendimento. Seja quando esta no meio de uma discussão com a criação, seja no meio de um briefing, ouvindo as informações.
Até mesmo o pessoal da produção, que vive no meio do som, do áudio, do vídeo, pedem silêncio para ouvir aquele detalhe, silêncio para prestar bem atenção a perfeição.
Por definição, Silêncio significa estado de quem se cala, ausência de ruído. SOSSEGO, CALMA. O silêncio não paira no ar, invade a alma, transcende os espíritos, eleva as energias.
E é essa contradição que faz o mundo em que vivemos ser fantástico. O silêncio é uma dádiva de Deus, mas que existe como um paradigma a ser quebrado pelos escolhidos: nós, publicitários. Faça o mínimo de silêncio possível, você esta entrando no mundo da publicidade.
Bom, ruim, forte, destruidor, energizante, devastador, seguro, motivador, reflexivo… Silêncio, nada além do silêncio.
Ei!
Psiu!
Silêncio…
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Ricardo Chermont, 24, é publicitário por profissão, atendimento e planejamento por escolha. Louco, mas sensato. Atua na Minha Publicidade como Executivo de Contas. Escreve para a Casa do galo às quartas-feiras.
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