Toc-toc-toc!
- Quem bate?
- É o frio!
- Não adianta bater! Eu não deixo você entrar! As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar…
Se você tem mais de 40 anos, ou é um admirador do mundo da propaganda, deve saber do que eu estou falando. Propagandas como a citada acima permaneceram por anos na memória popular, e até hoje são lembradas. Bem diferente do que vemos atualmente. Experimente perguntar para alguém de fora desse universo três propagandas que essa pessoa tenha gostado. Dificilmente ela vai lembrar “tantas”, ou das respectivas marcas.
Mas o que mudou nestes últimos 40 anos?
Sério, se eu realmente preciso responder essa pergunta, acho que você está no lugar errado. Favor voltar pra caverna.
A musiquinha da Pernambucanas era lúdica, um verdadeiro chiclete de ouvido e, com a ajuda das poucas fontes de informação de 50 anos atrás, dura até hoje no fundinho da memória, com mais uma meia dúzia de jingles. E sabe qual é o grande trunfo dos bons jingles de antigamente? Eles conseguiram virar assunto.
Podemos dizer que a propaganda começou mais como infomação que como argumento de vendas. Quem nunca viu os antigos cartazes de “Há emplastros na Pharmácia 7 de Setembro”?
Os jingles, o humor, as celebridades, tudo isso surgiu porque era necessário ir além. Com o tempo e a concorrência, não bastava anunciar – a empresa precisava chamar a atenção, se tornar assunto.
Um século depois (não necessariamente 100 anos, mais ainda assim um século) algumas empresas – pra não dizer agências – parecem ter esquecido a importância desse detalhe. Propagandas são veiculadas da mesma maneira que nos tempos de Jango, mas não viram assunto tão facilmente. Internet, celulares, e uma transformação do ser humano impedem o resultado de antes.
Hoje o diabo mora nos detalhes. Dois exemplos:
Me mandaram o vídeo e site da nova campanha da Adidas, House Party. Muito bem produzida, com um site de navegação incrível, e vídeos cheios de artistas famosos. Porém mais que tudo isso, me chamou a atenção a música, uma releitura de Beggin’, música de 1967, pelo músico francês Pilooski. Qual foi a primeira idéia que me veio à cabeça (bem óbvia por sinal)? “Onde eu baixo essa música?” Caramba, o conceito da campanha é uma FESTA, e o download da música não está disponível facilmente! Adidas FAIL!
Por outro lado, vi que rolou o Skol Sensations aqui em São Paulo nesse último fim-de-semana. Pra ser sincero não me liguei muito, mas tinha ouvido falar da condição para entrar: estar vestido todo de branco. E, no caminho pra outra festa, pela quantidade de “celebrantes do ano-novo” que encontrei pela rua, imaginei quantas pessoas que não tem nada a ver com o evento foram impactadas e ouviram o nome SKOL naquela noite. Simplesmente por encontrar um bando de jovens vestidos de branco. Criatividade WIN.
Pode ter sido apenas uma coincidência ou uma vontade de criar um ambiente diferenciado no local do evento, mas o nome SKOL extrapolou os limites do Anhembi, e chamou a atenção de todos. Esse é o meio pelo qual as marcas se tornam assunto hoje. Com muito mais sutileza, porém ainda mais criatividade.
Antes bastava uma musiquinha bonita para ser assunto. But the times, they are a-changin’… E com tantas ferramentas, não deveria ser tão difícil. Twitter, Orkut, mp3, Youtube, Google Maps, não importa.
Use o que o mundo te dá, seja no trabalho ou no marketing pessoal, e diferencie-se. Seja assunto.
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Lucas Couto, 26, Co-fundador e sócio da It’s Digital, uma consultoria e produtora digital e uma das cabeças por trás do Que Tal Isso?, blog relacionado a criatividade e inovação. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras (no calendário de Júpiter).
lucas@itsdigital.com.br | http://www.itsdigital.com.br/

Então o que isso tudo significa?
É com a pergunta final do vídeo que começo meu artigo de hoje. Assisti algumas vezes e depois fiquei pensando em todos aqueles números, previsões, estatísticas, gráficos, curiosidades e profecias. É incrível como a humanidade evoluiu insanamente rápido nas últimas décadas, e na maior parte do tempo nós nem percebemos isso. Como o próprio vídeo aponta, para quem dirigíamos todas as perguntas feitas ao Google antes dele existir? Engraçado não? Engraçado e arrepiante.
Reflita um pouco depois de assistir: o que você faz hoje que não fazia ano passado? Ou há dois, três anos? O que exatamente você utiliza no seu dia-a-dia e que nem imaginava possuir há algum tempo? O dado sobre estudantes acerta em cheio a minha realidade. Quando comecei a faculdade, meio digital não era ainda uma grande oportunidade e centro das atenções. E olha que isso tem apenas quatro anos, pois acabo de me formar. Se eu olhar como foram os Projetos de Conclusão de Curso feitos ano retrasado já é possível notar a diferença entre estratégias utilizadas. Incrível.
Os computadores então, nem se fala. Minha primeira máquina possuía 2Gb de HD. Hoje digito este artigo de um notebook muito mais leve e rápido, com 3Gb… de memória RAM. E olha que ele não é nada comparado ao que já existe no mercado (a ASUS lançou recentemente um notebook com 12Gb de RAM). Quando era pequeno eu costumava ouvir fitas cassete das bandas favoritas. Depois passei pro CDs. Hoje posso baixar mais de 600 músicas por semana tranquilamente, por tudo em um pen drive/mp3 player para ouvir onde quiser. Lembra da cena de filme americano em que um cara anda com um rádio no ombro? Faça isso hoje e veja a reação das pessoas.
Filmes? Hahaha. Já consigo encontrar na net uma cópia em excelente qualidade do filme “X-Men Origins: Wolverine” que será lançado apenas dia 30 deste mês. Um pequeno exemplo para termos noção da velocidade dessa evolução. As coisas chegam muito mais rápido e por outros meios até o consumidor final.
No quesito celular sou um verdadeiro primata (e o celular também). Por mais bizarro que pareça, ele basicamente fala e envia mensagens. Fim. Se eu quisesse, poderia ter um celular onde digitaria este texto e enviaria por ele mesmo. Bacana, né? Isso já está ficando ultrapassado também.
E o mais curioso: o vídeo é de 2008. Já está ultrapassado, bem como tudo o que você acabou de ler. E o que tudo isso significa? Significa que agora passo a palavra a vocês.
PS: crianças, pirataria é crime, vide brief 27 do PSV : )
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André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras.
andrerafanhin@gmail.com | http://www.pitaco.com.br

Esse deve ser um dos artigos com o menor título da Casa do Galo. Se não for o menor. Mas não está aqui à toa.
Primeiro ele serve de apresentação. Neste caso, a minha. Renan Corrêa, redator publicitário, que entre estágios e trabalhos, ainda fez muito pouca coisa do que deseja ser e realizar.
Segundo porque resume um assunto que desejo falar: o poder de concisão. Nos dias de hoje, em uma sociedade cada vez mais dinâmica e em constante atualização, quem for capaz de ser profundo e ao mesmo tempo rápido, será uma pessoa valorizada nas áreas mais básicas de nossas vidas: a profissional e pessoal.
Pense no poder de um slogan como “A cerveja que desce redondo” ou o “Go.” do Visa. O simples “Não” de um pai para um filho que deseja sair com o carro. Ou, ainda melhor, o olhar repressor de um chefe ao pegar você jogando paciência no computador.
Cada um representa uma história, sensações e, de forma simples e direta, resume profundamente o tema, em apenas uma única palavra/frase. O objetivo foi cumprido pelo emissor, e da melhor forma.
Afinal, não dá, no dinamismo em que vivemos, pensar que alguém vai ter tempo (e paciência) para explicar muita coisa. É olho por olho, dente por dente, sutileza por sutileza. E acredite: uma concisão vale mais que mil palavras.
Portanto, devemos nos adaptar e encarar como um desafio diário. Um estímulo para exigir o melhor de nós, o melhor da nossa veia criativa na forma de expressar. Treine diariamente a sua capacidade de síntese profunda, com expressões e frases intensas. Olhares e sorrisos, palavras e textos que resumam o seu sentimento, seu trabalho, e por que não, sua vida.
Meu treino já começo a fazer por aqui, onde a partir de hoje, tentarei sintetizar meus pensamentos e opiniões.
Espero, resumidamente, que gostem.
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Renan Corrêa, 24, é redator publicitário, mesmo sua família não entendendo o que isso significa. Já passou por grandes empresas e agências, conquistando prêmios estudantis e profissionais. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às terças-feiras.
renanredator@gmail.com | http://renancorrea.carbonmade.com
