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Foto: Phoenix Lily
Uma das primeiras vantagens que percebi após ter me tornado professor da Faculdade de Comunicação aqui da minha cidade – o que não faz mais de 2 semanas – é voltar a me deparar com aquelas mentes inquietas e vorazes dos estudantes, principalmente daqueles que acabaram de ingressar. À mesma medida que vou dando um nó na cabeça destas (ainda) ingênuas criaturas através das teorias semióticas, disciplina que leciono no primeiro termo, também vou aproveitando as diversas dúvidas que aparecem para repensar situações que, no dia-a-dia, acabam deixando de ser analisadas com aquela curiosidade e inocência de quem ainda está tentando aprender a entender o processo todo.
O que estou querendo dizer é que, basicamente, estes alunos do primeiro termo ainda têm muito mais incorporado o lado consumidor da informação. Eles ainda não têm a visão aprofundada da mensagem.
E isto é ótimo.
Analogamente à evolução do ser humano, estes aprendizes são as crianças que já conhecem o vocabulário básico, mas que a todo momento chamam o Alfred, aquele mordomo que serve Tang geladinho e de cor impecável no copo de 1 litro, e ordenam: quero mais. Eles são aquela parte que já adormeceu dentro dos adultos. Eles são os donos da pergunta por que.
Se ninguém perdesse o maravilhoso costume de perguntar a si mesmo e a todo o resto o porquê das coisas, o mundo seria bem diferente. É exatamente, senão unicamente, este questionamento que move as ciências, a curiosidade e, portanto, o nosso cérebro. Pensamos além, descobrimos caminhos, encontramos novas soluções por conta da análise de diversas variáveis – como, quando, onde, quem, se. Mas nada muda mais um pensamento, um caminho, uma solução do que o fator derivado de um por que.
Eu fiz toda esta introdução por um motivo: refletindo durante a preparação das aulas e, depois, passando o conhecimento aos alunos, fica nítida no rosto de cada um deles a interrogação que sucede um por que.
- Por que tem que ser desse jeito?
- Por que o consumidor, o receptor da mensagem, entenderá o que está sendo passado?
- Por que escolhi esta mídia em detrimento de outra?
- Por que a arte deve ser com este formato e com esta cor?
- Por que uma aproximação assim será melhor que a outra?
E vamos nos desenvolvendo. Partimos para a adolescência e ficamos rebeldes. Somos defensores, militantes do novo, do inusitado, do alternativo. O comum, o básico não é suficiente.
O tempo passa, tornamo-nos jovens pensadores da comunicação. Aprendemos a ponderar entre situações que podem ser diferentes e situações que devem seguir a regra.
Ficamos adultos e o Alfred já virou aquela babá que a gente recorda com saudosismo de uma época que não volta mais.
E o por quê? Já está um tanto perdido. Porque é assim que funciona. Mesmo que a criança esteja aí, o por que fica latente mas dificilmente evidente.
Porém, entre tantos porquês que voltam a me incentivar, acredito que encontrei o porquê que acaba faltando. Afinal, nunca deixamos de perguntar e procurar o porquê daquilo que fazemos; é parte da profissão de comunicador. A falha, o que falta de verdade não é a pergunta, mas a insistência, a curiosidade, a inocência indecentemente decente que só uma criança pode ter.
A diferença é que, porque aprendemos e porque achamos que continuamos aprendendo e porque achamos que estamos aprendendo com os porquês com os quais nos deparamos diariamente, acabamos formulando e aceitando como verdade absoluta determinados porquês que acabam fundamentando todas as respostas. Todas. Pode perceber. Olhe para si mesmo. Hoje você já tem uma resposta para todos os porquês que te perguntam. E, por ser assim, você está preso ao seguinte sistema:
Pergunta: Por que é assim?
Resposta: Porque (coloque aqui a teoria / experiência que você já considera certa).
Exemplo ilustrativo? Lá vai:
Pergunta: Por que usar x milhões de reais em televisão para anunciar o varejo da Casas Bahia?
Resposta: Porque a televisão ainda é a mídia mais disseminada e utilizada entre a população brasileira, que abrange 98% dos domicílios e que oferece uma cobertura que atende aos propósitos nacionais do cliente, gerando um retorno proporcionalmente lucrativo ao investimento feito.
E aí eu pergunto: por quê?
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Claudinei Junior, 25, é publicitário para viver e não vive para publicidade. Na agência Marca-X, trabalha com planejamento e mídia. Coagiu seus ex-professores com métodos nada convencionais e, por isso, também é professor universitário da Faculdade de Comunicação de Pres. Prudente (Facopp/UNOESTE). De quebra, escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
jrpunketone@gmail.com | http://orgasmoscerebrais.blogspot.com

Youtube, orkut, msn e word abertos no computador ao mesmo tempo. O telefone toca. Todos os afazeres anteriores se somam a uma conversa ao telefone. Começa seu programa favorito. Agora você assiste tv, fala ao telefone, pensa no seu próximo artigo, tecla no msn, checa seu orkut e procura vídeos interessantes no Youtube. Tudo ao mesmo tempo. No final, você não se lembra direito da conversa do telefone, do que falou no msn, os recados que leu no Orkut e o que estava procurando no Youtube. Parece impossível? É mais comum do que se imagina.
Mais recorrente em homens, mas mulheres não são excluídas. O nome é DDA, também conhecido como TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Antigamente acreditavam que era um transtorno que ocorria apenas até a adolescência, mas esta ideia já caiu. Muitos adultos apresentam TDAH. O nome “transtorno” pode assustar, mas as coisas não são tão assustadoras assim, e pasmem, tem ótimas consequências positivas. Se você se identificou com o que leu no primeiro parágrafo, pode ser portador deste transtorno. Ok, “portador” e “transtorno” são palavras assustadoras, mas calma.
Por que estou falando sobre tudo isso? Bem, no livro Mentes Inquietas, mais especificamente no capítulo 6, a Dra. Ana Beatriz B. Silva explica a questão da criatividade em quem tem DDA. Ela cita gênios como Henry Ford, Mozart, Einstein, Leonardo da Vinci, Van Gogh como DDAs inquestionáveis. Quem conhece um pouco de da Vinci não pode negar sua hiperatividade – terminou a vida com vários projetos inacabados, além de ser uma referência em vários setores. Segundo a autora, o DDA, devido à confusão mental resultante do intenso bombardeio de idéias, “é capaz de entender o mundo sob ângulos habitualmente não explorados”. Por exemplo, quando um DDA pensa em “azul”, ele logo imagina tudo que vem disso – lazer, calma, descanso, paz, natureza, romance, música tranquila, sol, calor etc. Esse pensamento derivativo intensifica o processo criativo. Por isso muitos publicitários, especialmente criativos de plantão, são potencialmente portadores deste transtorno. Mas não é uma regra. Nada é regra.
DDAs são extremamente emotivos, exagerados, apaixonados. Amam fortes emoções, coisas diferentes, novos estímulos. Alegrias e tristezas são sentidas com muita intensidade, sempre. Apesar de perder facilmente a atenção quando algo não lhe interessa, ele é hiperfocado em assuntos de seu interesse, o que aumenta sua produtividade em seu trabalho, se este lhe der prazer. São criativos, espertos e dedicados. As dificuldades e os defeitos que eles enfrentam podem ser amenizadas com atividades relaxantes e nos casos mais graves, medicamentos. Mas nada que assuste. Se você não tem nada a ver com este texto, desculpe. E se você se identificou, CALMA. Não exagere.
Pra finalizar, uma frase do gênio Fernando Pessoa: “O mundo de tão interessante que é, chega a doer, a ranger, a enjoar, a cortar, a roçar… talvez eu sinta demais…”
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Halina Medina, 24, é estagiária de uma multinacional, adora o que faz, mas sonha ser redatora. Apaixonada por publicidade, cães, cinema, ler, escrever, ler e escrever. Gosta de ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
halinamedina@gmail.com | http://simplessomadaspartes.blogspot.com

Mal começou o ano, ainda de ressaca da mega turnê da Madonna, e já ansiosos pela confirmação de outros shows de grandes bandas de rock a se apresentarem por aqui, tivemos um evento similar a esses grandes shows – e pasmem: ocorrido bem longe do Brasil, mas nada que a tecnologia não pudesse encurtar – mas devido sua importância (principalmente para a publicidade), teve muita repercussão por aqui.
Na verdade não deveria ser um show e sim um evento esportivo. De um esporte que não tem muita afinidade com nós, brasileiros, pois futebol no Brasil se desenha no pé: do primeiro toque, passando pelo pulular da bola no campo, das trocas de passes, que somente se finda nas mãos dos goleiros! Pois é, a final do Super Bowl – Liga de Futebol Americano – é o evento com maior audiência no mundo.
Mas se você acha que irei comentar sobre o jogo, lamento, pois nem assisti. Foi um dos meus melhores finais de semana – ensolarado, fato raro quando decido sair de folga para o litoral ou locais com piscina – e quando cheguei, desmaiei. E isso é o que justifica ter procurado, no dia seguinte, notícias sobre o evento.
Achei um site muito legal sobre as propagandas durante o Super Bowl. Uma página do USA Today para deixar qualquer publicitário entretido por um bom tempo. E, se não bastasse, achei também uma ação feita pelo The New York Times, outro velho gigante jornal americano, que dá uma aula de inovação: um Twitter Chatter do tráfego de twitts enviados durante o Super Bowl.
Mas a euforia passou tão rápido quanto chegou. Numa época de crise econômica, com todos os problemas que o mundo está passando, questiono-me muito sobre o futuro da profissão e sua relação com a responsabilidade social. Nunca me esqueci que sou bacharel em Comunicação Social e a Publicidade foi só uma habilitação – uma separação infeliz, em minha opinião.
Impossível calar-me diante de fatos que afetam diretamente minha vida, minha família, meus amigos, meu país. E peço desculpa pelo meu desabafo, mas quero fazê-los refletir em quão maravilhoso seria se toda essa inovação fosse usada para ajudar o mundo que sofre com a neve na Europa, com as queimadas na Austrália, com as chuvas no Brasil.
Com tamanha audiência – ah, e quem me dera se eu pudesse! – queria chamar a atenção por alguns minutos que o mundo é feito por pessoas e que vivemos em sociedade. Embora não tenha essa autonomia sobre o Super Bowl, aproveito esse espaço importante que me é cedido aqui na Casa.
Pensem nisso.
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Wilson Roberto, 29, é publicitário-caçador ou vice-versa na área de Planejamento. Vive caçando de tendências, jobs, baladas; mas está à procura mesmo do 'ócio criativo' e de chefes que o tenham como filosofia. Está se especializando em Estéticas Tecnológicas da Comunicação na PUC/SP. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente às terças-feiras.
wilsonroberto@gmail.com | http://www.mediacontacts.com/
