Acordo às 7h, uso Colgate e Oral-B. Às vezes, Neve. O café-da-manhã é embalado por Del Valle, Vigor e Wickbold, seguido por um banho com Natura e Protex. Pela manhã, Semp Toshiba, NET, Sony Ericsson, TIM, Pentel e Tilibra.
Pausa para o almoço, com direito a Matte Leão ou Melita para a digestão. A tarde ganha Fuji e Editora Abril até às 18h, quando sai o Converse e entram as Havaianas. Com a noite, Ravanal Carmenère, Tramontina, LG e Philips. Tudo bem, Olla.
Gosto dessas marcas. Estou satisfeito com todas. Funcionam, cumprem o que prometem e raramente me causam problemas. O preço que paguei por elas é compatível ao mercado e, embora eu não esteja fazendo um grande negócio, não pago absurdos.
Quando preciso de alguma ajuda, geralmente não tenho problemas em conseguir prontidão em respostas.
Sou o consumidor satisfeito. E sabe o que isso significa?
Significa que se alguma outra marca concorrente me oferecer qualquer coisa um pouquinho melhor, é bem provável que eu troque imediatamente.
Pensando bem, quero meu dinheiro de volta.
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Rafael Amaral, 21, é planner na Super Produções e blogueiro do Estagiaridade. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.
omaioremaildorafa@gmail.com | http://www.estagiaridade.com/

Meu nome é Leonardo. Sou cronista, roteirista, redator e trabalho com Marketing Digital atualmente. Nos meus últimos três empregos trabalhei com isso: marketing digital. Isso dá mais ou menos uns três anos. Somado a isso, tenho quatro emails, perfil em nove redes sociais, assino mais de dez listas de email, participo de mais de dez fóruns e escrevo pra uns quatro sites ou blogs, sem contar os meus dois pessoais. Então posso falar, como profissional e como usuário/consumidor: as agências “tradicionais” não fazem a menor idéia de como lidar com internet, e especificamente falando no texto de hoje, sobre construção e manutenção de sites.
Trabalhei oito meses na área de interatividade de uma agência tradicional aqui no Rio. Se o mercado de propaganda aqui no Rio já é ruim, imagine o mercado de internet. Primeiro ponto importante: as agências têm que entender de uma vez por todas que, ao contrário do que se ensina nas faculdades, a internet NÃO É um “meio que agrega características de todos os outros meios”. Não é, e nunca foi. O fato de a internet possuir acesso a vídeo e texto não faz dela uma mistura de TV com jornal. A abordagem é – ou teria que ser – diferente.
Ao contrário das mídias tradicionais, a comunicação na internet – frisando que falo nesse texto somente dos sites das empresas – não é invasiva. Quando eu compro a Super Interessante, eu não a compro pra ler anúncio. Quando eu to vendo a novela da mulher do Sílvio Santos, eu não liguei a televisão pra ver comercial. Mas quando eu entro no site da sua empresa, do seu cliente, eu QUERO saber sobre essa empresa. Eu entrei de propósito. O site não pulou em cima de mim, não atrapalhou a minha leitura nem se meteu no meio do filme que eu tava assistindo. E aqui temos o segundo ponto importante: um site NÃO TEM que chamar a atenção de ninguém. Tem que mantê-la. As pessoas entram nos sites porque querem, e os sites não precisam botar pop ups, splashes e vídeos automáticos quase sempre iguais aos comerciais da TV.
Se alguém entra no site, a empresa JÁ TEM a sua atenção. O importante agora é mantê-la. Simples. E não se mantém a atenção de alguém que entra no seu site repetindo a comunicação das outras mídias. Quem está na internet quer, via de regra, interação. Quer falar com a marca, quer ouvir a marca. Não quer ver de novo o comercial que viu no intervalo da novela ontem, nem quer ler o anúncio do jornal de hoje de manhã. Quem entra no site de uma empresa quer uma comunicação de duas vias, não-invasiva e com interatividade. Quer sentir que ali, ao contrário do que acontecia com a publicidade tradicional, a marca lhe dá atenção, fala com ele, o escuta, cria coisas diferentes. Um site não é um local onde se deve tão somente entulhar informações e espalhar propaganda sobre a marca. O consumidor já está lá, ele não precisa mais de propaganda. A partir do momento em que ele entra no seu site ele precisa ser mantido lá.
E como se mantém um usuário em um site? Sem dúvidas não é jogando promoções voadoras ou comerciais barulhentos em cima dele. Um usuário se mantém em um site pelo conteúdo. Conteúdo interessante, pertinente. Ah, e exclusivo. A internet carece de, e merece, conteúdo exclusivo sempre. E aqui, sem querer ser repetitivo, interatividade é a palavra-chave. Um site deve falar COM o consumidor antes de falar DA marca.
Se eu entro no site da Ford pra saber informações sobre um carro, eu não quero uma promoção com um ano de IPVA grátis pulando na minha cara, porque isso acontece na TV, nos jornais. Na internet eu quero exatidão, conteúdo interativo, quero somente informações sobre um carro. E se ao chegar lá eu consigo informações relevantes e interessantes sobre o que eu quero, com, por exemplo, um chat ao vivo, um tour 360° e um fórum onde usuários trocam informações sobre o carro, eu vou ficar nesse site. E vou voltar, e vou recomendá-lo. Mas se eu chego lá e o site é um labirinto, confuso, engessado, chato, pesado, eu saio e vou procurar em outro lugar. E esse site perdeu a minha atenção pra sempre.
Por que hoje, no Brasil, os fóruns e o Orkut são a maior fonte de informações quando queremos comprar um produto? Por que, há um mês atrás, ao decidir comprar um Cajón, eu procurei no Orkut? Por que nas redes sociais e nos fóruns eu encontro interatividade, conteúdo próprio de internet e nada que me lembre, nem de longe, a chatice e a inconveniência da publicidade tradicional. Se hoje você quisesse comprar um carro, você ia entrar no site da montadora ou ia procurar um fórum sobre carros ou alguma comunidade em uma rede social formada por usuários desse carro? Bingo.
O desafio dos sites é torná-los tão interessantes e agradáveis quanto as redes sociais e os chats e tudo mais que faz sucesso na internet. Se você consegue que, ao decidir comprar um carro, eu entre no site da sua montadora, ao invés de procurar um fórum independente ou alguma comunidade de usuários, você teve sucesso. E esse deve ser o objetivo de todo site. Não atrair o usuário, mas mantê-lo e virar referência de conteúdo.
Mas parece que as agências brasileiras tradicionais ainda vêem a internet como um “combo” de TV + mídia impressa + rádio, e só usam os sites das empresas pra espalhar o conteúdo produzido pras outras mídias. Poucos são os que são sites de verdade, e não um depósito de conteúdo chato e invasivo. E esses poucos que se sobressaem têm uma vantagem enorme na conquista pelo consumidor. E essa vantagem pode ser irreversível.
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Leonardo Luz, 29, é redator, cronista, roteirista, especialista em marketing digital e tricolor carioca. Já trabalhou em rádio, em agência tradicional, no Videolog.tv, e atualmente trabalha na Simples Estúdio, no Rio, na área de marketing digital. Escreve para a Casa do galo semanalmente, às segundas-feiras.
leoalcoforado@gmail.com | http://cronicastricolores.wordpress.com/

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Dali Atomicus - Philippe Halsman (1948)
Talvez alguns não gostem deste texto, mas juro que minha intenção é que ele cause alguma reflexão naqueles que se utilizam de bancos de imagem em algum ponto de seus processos criativos.
Banco de imagem é uma droga. Desculpem a franqueza, mas eles são mesmo. Vou citar dois dos motivos pelos quais eu não gosto deles, assim fica claro que não é implicância da minha parte.
A primeira razão é que esse tipo de empresa desvaloriza o meu trabalho, sabem como é, sou fotógrafo, então vou defender meu peixe.
A capacidade de negociação e alcance de um fotógrafo é logicamente menor que uma empresa de stock, essas empresas conseguem clientes aos montes pois tem uma estrutura administrativa totalmente focada nas vendas, e não na produção das imagens.
Eles conseguem muitos clientes e acabam convencendo vários fotógrafos a fornecerem material por preços baixos, na promessa de vender muito e compensar o valor unitário pelo volume vendido. Com isso conseguem ter um acervo grande e de relativa qualidade, por um preço baixo, e tanto pior são os que usam sistema royalty free, que remunera fotos com dinheiro de banana, ou menos.
Cada vez mais fotógrafos aderem ao sistema pois fica difícil competir. Desta forma, tendo milhões de fotografias disponíveis com milhares de profissionais envolvidos na produção contínua, o conhecido ganho de escala nos diz que o valor unitário de uma fotografia cairá cada vez mais, e quanto maior o número de fornecedores, menor o rendimento de cada um. São leis de mercado, por isso inegavelmente um banco de imagens reduz o valor de uma foto e de toda uma classe profissional. Só por isso eu poderia não ir muito com a cara deles.
O segundo motivo vem do fato que infelizmente existem maus profissionais, isso acontece em todas as áreas e não seria diferente na publicidade. Graças a isso, alguns publicitários não são minimamente criativos a ponto de terem uma idéia própria, então vagam pelos bancos de imagem na internet em busca de alguma fotografia para estampar um anúncio, folder, cartaz ou o que for, criam com a idéia alheia sem o menor ressentimento.
Quando acham a foto desejada, podem licenciá-la e assim remunerar, mesmo que muito mal, o autor, ou decidem fazer algo bem ruim: contratar algum fotógrafo local para produzir uma cópia com mínimas mudanças.
Sinceramente, pedir para um fotógrafo copiar o trabalho de outro é solicitar que faça plágio, coisa ilegal, imoral e anti-ética.
Em resumo, quando resolvem comprar do banco, estão desvalorizando o trabalho e ampliando o alcance desse sistema, quando resolvem copiar, estão incentivando a delinqüência fotográfica.
Sinto saudades do tempo não tão distante em que diretores de arte eram profissionais e não estudantes recém formados com um cargo de nome bonito. Chamavam fotógrafos e designers para reuniões de briefing onde o conceito era discutido, esboçado em papel e depois produzido, fruto do cérebro, da criatividade, do estudo e da técnica das pessoas envolvidas, e não de um simples e disfarçado “copy and paste”.
Ilustro este artigo com a foto Dali Atomicus (feita em 1948), retrato do gênio Salvador Dali feito pelo igualmente genial Philippe Halsman. Assim presto minha homenagem a dois mestres que muito influenciam meu trabalho e minha visão do que seja criatividade.
No vemos em 15 dias, sempre às sextas.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
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Armando Vernaglia Jr, 34, é fotógrafo publicitário, vive em busca de novas imagens inspiradoras, interessantes e únicas. É também professor de fotografia, palestrante e consultor nas áreas de imagem e branding. Graduado em publicidade e especializado em comunicação organizacional, ambos pela Cásper Líbero. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
contato@vernaglia.com.br | http://www.vernaglia.com.br
