Começo o artigo hoje com uma citação retirada da entrevista que o Meio & Mensagem dessa semana realizou com Paulo Markun, diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta:
“Quem entrar na internet hoje vai errar e vai acertar. A Função de um instituição é investigar, segmentar, testar, experimentar, descobrir novos formatos, errar, voltar atrás, mudar, dentro da lógica de que esta é uma fundação pública que tem como objetivo a produção de conteúdos para várias frentes”.
Agora retiro mais um pedacinho da MM, desta vez do artigo de Mauro Cavalletti, diretor executivo de criação da R/GA de São Francisco:
“Uma transformação profunda nos negócios de mídia está acontecendo nos Estados Unidos, desafiando as mentes mais criativas da propaganda e do marketing.
Jornais tradicionais estão fechando pelo País todo, em ritmo nunca visto. Depois de 174 anos, o Ann Arbour News, tradicional veículo de Michigan, saiu de circulação. Dois meses antes de seu aniversário de 150 anos, o Mountain Rock News fechou no Colorado. O futuro do San Francisco Chronicle, o mais importante diário de São Francisco, está publicamente em risco. Como a edição do Financial Times reportou em 16 de março deste ano: “a morte de um jornal moderno é um evento multimídia em tempo real. Quando os jornalistas do Mountain Rock News foram reunidos em sua redação em Denver, em 16 de fevereiro, para serem comunicados de que estavam trabalhando em sua edição final, eles transmitiram a notícia via blogs, vídeos e fotos online com os colegas em lágrimas, e reportagens minuto a minuto no Twitter”.
O que tudo isso tem a ver? Tudo. Mesmo a segunda citação não falar do nosso país, a coisa por aqui não anda tão diferente. Os grandes jornais discutem qual a melhor maneira de disponibilizar o acesso ao conteúdo digital. Cobrar ou não cobrar? As opiniões se divergem bastante. A Folha de São Paulo, por exemplo, adota o que eu chamo de meio-a-meio, com uma parte do site liberado e outras mais exclusivas restritas a assinantes. Uns acreditam que deve ser tudo pago, afinal você não paga meio jornal impresso, enquanto outros defendem o acesso gratuito e irrestrito aos sites do jornal, visto que a política da internet é de acesso gratuito. A grande aposta deste último é a receita publicitária, já que o fluxo de usuários tende a crescer.
Eu ainda acho que a opção meio-a-meio é a mais adequada no momento. Primeiro porque eu realmente acho que a internet é a terra do free, mas não consigo deixar de pensar no outro lado, das pessoas que estão por trás daquele conteúdo. Ao mesmo tempo é muita hipocrisia da minha parte dizer isto, pois neste momento estou eu aqui escrevendo e baixando músicas.
Voltando ao assunto, pensei o seguinte: você é assinante de um jornal impresso e tem o costume de emprestar seu jornal para o vizinho. Lindo. Agora você tem acesso à edição online do mesmo jornal. Emprestaria seu usuário e senha para ele? Difícil né? Nesse caso você perderia o controle da situação, pois seu vizinho teria acesso no momento que ele quisesse (assim como você, claro). No jornal impresso é só chegar ao entregador primeiro que ele.
Uma alternativa legal é a diferenciação de conteúdo para torná-lo pago. O site não seria uma mera cópia do impresso, seriam coisas com propósitos igual mas conteúdos diferentes. Aqui fica meu voto, onde acredito atingir os dois lados da moeda: boa verba publicitária e bom número de assinaturas. Para descobrir se isso esse lance de acesso pago funciona, proponho a seguinte pergunta: como aqui na Casa do Galo o conteúdo é 100% único e de acesso gratuito, o pessoal gostaria de deparar-se com um aviso na página inicial informando que a partir da próxima semana o conteúdo passará a ser restrito (parcialmente ou integralmente) apenas a assinantes?
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André Rafanhin, 22, é redator na Pitanga Propaganda e inventor do Bundoor, mídia que promete revolucionar a publicidade brasileira. Não possui prêmios importantes, peças geniais e vergonha na cara. Escreve para a Casa do galo semanalmente às quartas-feiras.
andrerafanhin@gmail.com | http://www.pitaco.com.br

Já faz tempo que músicas de bandas classificadas como indies compõem trilhas sonoras de comerciais, novelas, programas, etc. Já tivemos Radiohead com Fake Plastic Trees no comercial do Carlinhos, Beirut com Elephant Gun na minisérie global Capitu entre outras. Aliás, até Nirvana tem tocado nos finais do Domingão do Faustão.
Essa semana estreou o novo comercial da campanha “Go” da Visa e, para minha surpresa, a trilha é de uma das minhas bandas prediletas: Smashing Pumpkins. A música? Today.
O Smashing Pumpkins surgiu no mainstream com o seu segundo álbum de estúdio, Siamese Dream, lançado em 1993. A banda construiu a fama deste álbum com uma extensa turnê, e seu sucessor, Mellon Collie and the Infinite Sadness, lançado no ano de 1995, estreou na primeira posição na Billboard. Com aproximadamente 18,3 milhões de álbuns vendidos apenas nos Estados Unidos em 2006, a banda liderada por Billy Corgan foi uma das bandas mais aclamadas e de maior sucesso comercial dos anos 1990.
A banda compôs diversas obras-primas, como 1979, Tonight, tonight, Bullets with butterfly wings, Adore, Disarm, Mayonaise.
Para quem ainda não viu, abaixo a versão internacional do comercial. Quando a nacional estiver disponível no Youtube, publico também por aqui:
E o clipe de Today, do Smashing Pumpkins:

Outro dia ouvi a seguinte pergunta: “Por que você é fotógrafo?” Respondi com uma frase que de tão presunçosa pareceu a mim mesmo um pouco absurda: “Por que é a profissão mais importante do mundo”. Parei para pensar um pouco no que havia dito e concluí que não estava errado e que de fato se não era a mais importante, com certeza estaria no “top 10” das atividades fundamentais para a existência de nós, seres humanos.
A fotografia é um meio de expressão que pode ser usada de variadas formas, no jornalismo comunica as notícias, em revistas de fofoca mostra a vida de celebridades, em anúncios faz quase todo o trabalho de encantamento para a venda e ainda a vemos em relatórios, sites, palestras, livros e tantos outros meios com finalidades diversas.
A televisão e o cinema só existem graças aos avanços técnicos que deram origem à fotografia, aquilo que chamam de web 2.0 só é tão interessante pois temos vídeos e fotos bonitas e coloridas, se fosse apenas texto eu queria ver tanta gente gastando todo esse tempo conectado.
Indo mais longe, cada um de vocês que lê este texto só tem a mínima idéia de como foram quando crianças pois viram fotos, e também só sabem como eram seus pais quando tinham a sua idade pelo mesmo motivo. Nossa história foi contada por fotos, nossa memória é formada e auxiliada por estas imagens que convencionamos chamar de fotografias.
Imagine agora uma vida sem fotografia, sem registros de criança, nem as fotos que denunciaram o horror das guerras ou a fome na África. Os anúncios seriam como os velhos cartazes feitos por Lautrec. Televisão e internet? Esqueça, elas não teriam nascido e viveríamos sob o domínio do rádio.
Podem levantar a bandeira e dizer que haveria ilustração, design, tipografia e tudo mais, de fato. Mas o maior diferencial da fotografia, quando comparada a outras formas de construção de imagem é o fato dela ser realista por natureza, as coisas precisam existir na frente da câmera para serem retratadas, interpretamos uma fotografia como algo real, se o produto é bonito na foto, assim nos parece ser a realidade, se uma empresa parece bem organizada, limpa e produtiva na foto, assim é a impressão que teremos dela.
Mas mesmo com toda a importância, seja como documento histórico ou como meio de comunicação social que independe do verbo, a fotografia ainda é tão maltratada. Não há cultura visual em nosso país, não entendemos que uma boa fotografia vale mais do que milhões de palavras por mais bem escritas que sejam.
Somos analfabetos fotográficos, achamos que foto serve apenas para enfeitar um site, um catálogo ou a sala de estar. Nunca nessa vida vi um manual de identidade visual que contemplasse orientações sobre o estilo fotográfico a ser usado para uma empresa, preocupam-se tanto com um logotipo que ocupará em geral menos de 10% de uma página e esquecem de pensar no que irão dizer com aquela foto que ocupará os outros 90% do espaço.
No final a fotografia é como o ar em nossos pulmões, é tão presente e fundamental, que só iremos notar sua absoluta importância quando estivermos sem ela, quando estivermos rodeados apenas por essas fotografias genéricas de bancos de imagem free, será como estarmos rodeados por ar poluído e tóxico, ficaremos doentes, cansados e deprimidos. Aí quem sabe compreendamos a falta que fazem as boas fotografias, feitas de forma responsável por bons profissionais, gente que estuda e pesquisa, assim como na medicina, na engenharia e nas outras poucas profissões que podem rivalizar em importância com a fotografia.
[]’s
Armando Vernaglia Jr
ps.: ilustro este texto com a foto “Pierrot, the Photographer”, de Félix Nadar, feita em 1854.
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Armando Vernaglia Jr, 34, é fotógrafo publicitário, vive em busca de novas imagens inspiradoras, interessantes e únicas. É também professor de fotografia, palestrante e consultor nas áreas de imagem e branding. Graduado em publicidade e especializado em comunicação organizacional, ambos pela Cásper Líbero. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às sextas-feiras.
contato@vernaglia.com.br | http://www.vernaglia.com.br
