
Pois é. Chega uma hora na vida em que a gente tem que tomar uma atitude. O barco corre na mesma velocidade, a água puxa pra uma direção que a gente já não conhece e, olha, só tem água em volta. Nenhum sinal de que tudo isso vai mudar por si só. E você já está bem cansado desse barco, dessa marola, desse enjôo, dessa rotina.
A gente estuda a vida inteira, faz faculdade, pós-graduação, curso de especialização, MBA, aprende inglês, espanhol, francês, adquire dez anos de experiência naquela empresa renomada. E agora? Agora você quer ir pra frente, você quer progredir, tenta um zilhão de multinacionais e nada. Com todo esse currículo, com toda a sua experiência, tantos anos de estudo. E a vida para, a vida te cerca, te chacoalha e te cobra uma ATITUDE. E se a gente não levantar e sacodir a poeira, essa vida adulta esmaga. Não dá mais pra resolver os problemas se trancando no quarto e aumentando o som.
O bom de tudo isso é que o tédio, o desconforto e a frustração são as alavancas para a mudança. A mudança é o que mantém a humanidade caminhando, é a base do progresso. Se ninguém tivesse virado a mesa, ainda estaríamos andando com rodas quadradas.
A vontade de mudar perante uma estagnação é o que diferencia uma pessoa medíocre da empreendedora. E é de empreendedorismo que eu quero falar um pouco aqui.
O empreendedor não é apenas aquele que cursa Administração de Empresas e decide montar um negócio. É possível ter empreendedores trabalhando até mesmo dentro de empresas. Empreendedorismo é um estado de espírito, é personalidade, você precisa ter as características básicas pra ser bem sucedido, tem que ter iniciativa, visão, coragem. Tem que saber que qualquer mudança vem com um punhado de riscos, e isso é um fato. O empreendedor tem que ser um visionário, tem que saber inovar e ter jogo de cintura com qualquer imprevisto.
Se você algum dia pensou em abrir uma empresa, comece primeiro analisando a sua personalidade. Você se dá bem com mudanças? Você é analítico e disciplinado? Você enxerga os riscos como possibilidades e desafios? Se você tem medo do inesperado, pare agora. Continue mandando seu currículo para as multinacionais (isso não te faz pior ou melhor). Agora se você tem o espírito empreendedor e sabe lidar com riscos e estratégias, de repente essa é a oportunidade pra você mudar seu rumo.
Se você está estagnado, jogado em uma área que não gosta, não sabe exatamente o que quer fazer, aproveite o momento para planejar um pouco. Descubra alguma coisa que te interesse, em tantos anos de profissão deve existir alguma coisa que te traz alegria, recompensa. Encontre o que gosta de fazer e pesquise, pesquise mais, daí pesquise ainda mais, e descubra se existe alguma oportunidade no meio da tua frustração. E, meu amigo, lança mão da vela e faz esse barco andar na direção que você quer.
Eu não vou fazer “jabá” aqui, mas é, estou montando meu próprio negócio. E é verdade, eu nem moro no Brasil, os riscos são infinitamente maiores, o medo é de gelar o estômago. Mas quer saber? Eu não consigo deixar meu barco à deriva, eu não tenho espírito pra ficar esperando a vida acontecer. A minha única saída no momento é colocar a mão na massa e mudar.
E por isso, gostaria de dividir com você, que tem esse espírito empreendedor, um pouco do que aprendi nesses últimos meses. Isso é o que você precisa para começar:
PERSONALIDADE: Analise a sua personalidade e entenda se você tem as características necessárias.
PESQUISA: Conheça o ramo de atividade. Pesquise, pesquise, pesquise. Se for montar uma empresa de serviços, faça-se passar por cliente e entenda como funciona com quem já faz.
COMUNICAÇÃO: Comunicação é a base de tudo. Se você não for um bom comunicador, não tiver a habilidade de lidar com pessoas, mude a sua estratégia, seja apenas um investidor.
LIDERANÇA: Liderança não é administração. Administração é planejar, organizar, executar. Para ser bem sucedido, você precisa ser líder. Tem que saber dar ordens e delegar, tem que saber impor respeito e confiança. É imprescindível que você seja um motivador persuasivo, que consiga fazer seus funcionários acreditarem nos seus planos.
GERENCIAMENTO DE RISCOS: Saber lidar com riscos, eles estão presentes em novos negócios e vão caminhar com você sempre. É preciso ter a mente aberta e visão estratégia, é essencial que você saiba ver riscos como oportunidades.
PLANEJAMENTO: O planejamento estratégico de curto e longo prazo pode salvar a sua empresa. Analise o mercado, os riscos, as oportunidades. Monte seu plano de negócios, nem que para isso precise pedir ajuda daquele teu primo que fez ADM. Analise concorrentes, local e consumidores. Defina seu publico alvo.
CONHECIMENTO: Colete ajuda de quem puder, daquele seu tio que é diretor executivo, do primo que fez ADM, do vizinho que tem um pet shop, daquela amiga que acredita em tudo o que você faz. Conhecimento e otimismo são essenciais no começo.
E, acima de tudo, aproveite o que todo bom publicitário tem: criatividade. Aproveite seu conhecimento, sua experiência e monte seu plano de Marketing. Bote em prática toda aquela estrutura que você aprendeu quando montou a mini-agência na faculdade.
E olha, arrisque, não tenha medo de mudar para melhor. Seja otimista, acredite nos seus sonhos e assuma o palco da sua vida, não seja um figurante. E sempre, sempre siga o conselho de Neruda:
“Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos.”
Boa sorte!
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Milena Castino, 29, é publicitária e contadora de histórias. Trabalhou na Neogama, no marketing da Iódice e liderou projetos de marketing para a Associação Brasileira de Estilistas. Nas costas leva dezenas de semanas de moda em Paris e São Paulo, além de uma mochila repleta de sonhos. Mora na Inglaterra, depois de ter cruzado o Atlântico por amor. É apaixonada por palavras, Clarice Lispector, Almodóvar e pela boa e velha propaganda brasileira. Escreve para a Casa do galo frequentemente, em dias incertos.
micastino@yahoo.com | http://sambadegringo.wordpress.com


Certo dia, um sujeito resolveu prender um cão em um compartimento todo branco com apenas uma passagem. No alto, uma sineta aguardava o momento de tocar para avisar o cão que a refeição seria servida. Por repetidas vezes o animal aguardava com a boca salivando o momento de comer. Até que a sineta tocou mas a comida não apareceu. Porém, o cão salivou do mesmo jeito. O sujeito chamava-se Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936). Ele tinha acabado de descobrir o que chamamos hoje de Reflexo Condicionado, uma das principais ferramentas da propaganda e da publicidade.
Quase ao mesmo tempo, outro sujeito resolveu pesquisar, não as neuroses e falhas humanas que lotavam consultórios e igrejas, mas o que, afinal, fazia as pessoas felizes. Abraham Maslow (1908-1970) era o sujeito e a teoria foi batizada como Hierarquia de necessidades de Maslow.
Não se canse ainda porque no meio disto tudo ainda existiu um “simpatico” nazista chamado Joseph Goebbels (1897-1945) que usava a repetição rápida de frases ou imagens em filmes e discursos para gravar no insconciente do povo alemão o que bem entendia. O recurso ficou conhecido como imagem subliminar que, apesar de proibida, ainda é muito usada na propaganda atual.
Trouxe você até aqui para que, agora que leu, entenda o que sentiu ao ver a foto acima. E use isso a seu favor e do seu processo criativo, já que você não é um cão e nem um nazista (ou os dois). É o que chamo de Publicidade Fofinha.
A publicidade (e a propaganda) fofinha trabalha com estes três fatores que em curtas palavras são: resposta condicionada (Pavlov) necessidades (Maslow) e repetição (Goebbels). Pode ser a loura da cerveja, a própria cerveja ou a loura e a cerveja repetidas vezes (oba!). Funciona com bebês sorrindo, filhotes de gatinhos ou cães, comidas saindo do forno, fast-food com cara de comida fresquinha, enfim, com tudo mesmo. O importante é deixar você satisfeito e querendo mais. Ou insatisfeito e querendo ir atrás.
A Publicidade Fofinha não busca aquele “Uau!” de outros processos criativos. O que ela quer é te prender, te seduzir docilmente, fazendo com que a sua mão procure rapidamente o cartão de crédito na carteira. E, de repente, lá se foi a dieta, a grana do aluguel e da Facu. Você já está pronto para ser dominado e seduzido e vê a si mesmo embarcando para um cruzeiro na Bahia com um sorriso estampado na cara e um BigMac na mão. Dançou, meu Rei.
“Peraí, eu sou publicitário e não caio nessa”. Cai e gosta porque isso é humano e (até certo ponto) bem positivo porque aproxima a criação do criador e o produto do cliente. Veja como você tem meio caminho andado por Pavlov, Maslow e Goebbels. Mas você ainda tem um problema…
Estes processos estão supervalorizados, não é mais tão simples. Grandes ofertas, milhares de ofertas para um público cada vez mais insatisfeito e carente que deseja mais e mais. A “invasão” do marketing na propaganda (sim, eles são diferentes) quebrou a relação do cliente dócil e satisfeito e o transformou em um consumista mimado. Bom para vendas? Nem tanto, as reclamações aumentaram (muitas isentas de sentido) e as devoluções também. O momento é de voltar as bases.
Comece se perguntando: O que me seduz neste produto por ele mesmo? Olhe o produto peladão, sem valores agregados. Depois comece a vesti-lo com sua identidade visual (design da embalagem, da arte e a própria forma do produto). Feito isso, passe para os valores intangíveis (aquilo que não pode ser comprado como alegria, felicidade, satisfação). A publicidade fofinha usa muito o intangível partindo do humor e do sentimento como recall para associação com a marca/produto porque garante maior branding. As pessoas enxergam sempre o que está mais de acordo com o seu conteúdo interno. Um bebê sorrindo para mães, o carrão para o pai e por aí vai.
É claro que as ferramentas acima são usadas em todos os recursos da propaganda. Deixei apenas uma pista para você reconhecer no seu próprio processo criativo a publicidade fofinha daquela puramente de marketing e desenvolver novos caminhos.
A sedução fica por sua conta. A criatividade também.
Até a próxima!
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Marcos Oliveira, 40, é redator publicitário e casado com a Arte (porque amante já tem muito). Não acredita em corretor ortográfico e detesta acordar cedo para descobrir depois que a reunião de briefing foi cancelada. Seu blog de variedades possui apenas um seguidor: ele mesmo e suas duplas personalidades. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quartas-feiras.
marcosredator@hotmail.com | http://twitter.com/marcosredator


Outro dia, estava conversando com uma amiga via redes sociais e surgiu uma discussão a respeito de um tema bem relevante nos dias de hoje. Primeiro vieram as redes sociais, com o propósito de entretenimento, distração e networking. Então, no Orkut, por exemplo, o individuo tem suas comunidades, mostrando aquilo com que ele realmente mais se identifica.
Por exemplo: um “ser” que gosta de batata frita, detesta esperar resposta no MSN, já traiu a namorada, adora baladas e dorme mais cinco minutinhos. Essas são as comunidades do “cara”.
No momento seguinte, as empresas viram oportunidades nisso. E partiram para as redes sociais com alguns propósitos: marcas que se tornam “amigas” do público, canais de comunicação de produtos, pesquisa de mercado para investigar o comportamento das pessoas.
A pergunta é: se eu quiser ser bem vista por esse mercado, então quer dizer que preciso sair das minhas comunidades porque as empresas vão vir “xeretar” em um meio que, originalmente, foi meu primeiro?
Devo, então, não me associar ao que interessa, ao que me identifico, porque a empresa X vai achar que isso, em algum momento, será prejudicial aos negócios dela?
Essa pode ser uma análise muito superficial, sem grande sentido. Talvez eu possa mesmo fazer parte de certas comunidades no momento de lazer e saber separar as coisas no ambiente profissional.
O que não vale é me transfigurar apenas porque preciso de um emprego, e é justamente isso que as empresas NÃO buscam. Elas não querem um funcionário submisso, passivo às tendências e que finja ser quem não é. Almejam, sim, um perfil original, irreverente, de alguém que saiba se assumir sem parecer rude ou egoísta. Que tenha como argumento ser aquilo que é, sem esconderijos ou máscaras.
Porque não existe pior argumento que a anulação de si.
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Tatiana Kielberman, 23, é futura psicóloga, mas possui os dois pés no mundo da escrita. Trabalha na área de Comunicação no Grupo Foco, unindo duas grandes paixões: Recursos Humanos e Jornalismo. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às quintas-feiras.
tatikielber@yahoo.com.br | http://retratosdaalma.zip.net
