Os yankees estão chegando – as estrelas de Hollywood nas propagandas brasileiras
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Não gosto de comentar trabalho alheio, pois, via de regra, fica sempre parecendo inveja, ou puxação de saco. Mas vou abrir uma exceção para comentar sobre uma tendência recente na propaganda brasileira.
Com a baixa do dólar em relação ao real ficou mais fácil para produtoras, agências e principalmente, o cliente, contarem com elenco internacional para seus comerciais.
Tudo começou (ou recomeçou) com o Kiefer Sutherland, o Jack Bauer de 24h, para o C4 Pallas. Particularmente, concordo com vários comentários que vi por aí, foi o “it’s fine” mais caro da história da propaganda. Não negando o fato de que a campanha fez bem para as vendas do modelo.
Depois foi o 007, Pierce Brosnan, para o Vectra Elite 2.0. Vou evitar maiores comentários sobre essa campanha, mas achei que faltou idéia e sobrou verba. Desculpas à agência, mas é a minha impressão.
Depois de duas incursões a Hollywood, as agências começam a acertar na mosca com a seleção de elenco internacional. Que o diga o Shopping Cidade Jardim com a Sarah Jessica Parker. Não bastasse a imagem dela estar ligada à personagem Carrie Bradshaw, consumista, fashionista, independente e ícone para uma geração de mulheres que se identificam com a trama de Sex and the City, a atriz ainda está no cinema com a versão longa metragem da série de TV e recentemente foi capa da revista Nova e também da Marie Claire. Se teve o dedo da agência para viabilizar as capas eu não sei, mas mesmo assim, a escolha da atriz foi super pertinente e com certeza renderá frutos valorosos para o shopping.
Para o comercial do novo Gol, temos Gisele e Silvester Stalone. Sobre a Gisele gostaria de ressaltar que ela já está meio lugar comum em comerciais no Brasil, mas ainda assim, a presença dela vale. Não vejo quem mais poderia fazer um contraponto tão bom, mas a grande surpresa, pelo menos para mim, foi o Stalone.
A campanha é primorosa, mostra bem o produto, destaca a qualidade e as novas formas do carro, reforça o conceito da campanha anterior do Gol ser um carro forte. Mas o final é o melhor de tudo, com o “Rambo” chegando de Gol e dizendo que demorou porque encontrou alguns amigos no caminho. Ratifica totalmente a imagem do produto e não abre margem para dúvidas de que, apesar da nova cara, ainda é o Gol que todos conhecem.
Resolvi não falar de campanhas mais antigas, que também contaram com a participação de atores internacionais para não me estender demais, mas vale uma ressalva para mais um bom exemplo.
A campanha do CCAA com o Arnold Schwarzenegger. Para uma escola de idiomas, ter o eterno exterminador perguntando “Do you speak english? Hablas espanhol?” foi para exterminar com a concorrência.
As duas campanhas, do Shopping Cidade Jardim e do novo Gol, sobretudo em oposição às duas primeiras, são bons exemplos de que verba é bom, mas boas idéias e pertinência são o que fazem a diferença.
Isso vale não só para elenco internacional, os medalhões nacionais também têm feito muita campanha com roteiros fracos e idéias pobres. O tempo de que a presença de um famoso para emprestar credibilidade era sucesso garantido já foi.
Quem ainda acredita nisso precisa rapidamente fazer terapia de imersão em shoppings, feiras, supermercados, ônibus, metrô, roda de samba, estádio de futebol ou qualquer outro lugar onde gente de verdade circule. Pois até mesmo as classes mais baixas já têm noção de que o ator fala o que for pago para falar.
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Nauro Rezende Jr, 31, é publicitário e Diretor de Criação e Planejamento da ID Comunicação. Apaixonado pela profissão e suas ciências. Um idealista. Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às quintas-feiras.
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Nauro Rezende Jr, 31, é publicitário e Diretor de Criação e Planejamento da ID Comunicação. Apaixonado pela profissão e suas ciências. Um idealista.
Escreve quinzenalmente para a Casa do galo, às quintas-feiras. 







É Nauro, vale ressaltar que o uso de figuras internacionais nas telas brasileiras, não está linkado só ao fato da queda do dólar, mas também, a estratégia das agências nacionais de fazer uso de personagens que ainda não foram sucumbidos por anunciantes e assim teriam uma difícil tarefa de desvincular sua imagem, como são alguns exemplos, Carlos Moreno e Zeca Pagodinho.
Ótimo post e bem observado.
Abraços.
Como sempre, boa sacada Nauro.
Se o cachê é acessível e a figura casa bem com a idéia, independente da procedência, compensa. O que eu não acho conveniente é usar exaustivamente a mesma cara – tipo a Ivete, para tudo quanto é anunciante. Noutro ângulo – por exemplo, a comunicação da C&A ficou mais bacana depois que deram uma aliviada pro Sebastian.
p.s.: Ai juro que é inveja. Alguém mais notou certa falta de “sincronismo” na dublagem do Stallone?
Nauro, ótimo texto. Os leitores da casa agradecem por artigos tão bons quanto estes que você escreve
Acabei de ler no Yahoo que aprovaram o projeto de lei proibindo a publicidade para menores de 12 anos.
http://br.noticias.yahoo.com/s/10072008/25/manchetes-comissao-da-camara-proibe-publicidade-infantil.html
E agora?
Eu notei a falta de sincronismo também. HAHAHA.
A utilização de estrelas “hollywoodianas” ainda dá peso e credibilidade ao anúncio, mesmo que os consumidores saibam que ele foi pago pra falar aquilo. O que eu acho sem graça é quando trazem o ator/artista e ele não fala NADA no comercial.
Poutz, se tem verba pra trazer, tem verba pra ele falar no comercial né?
Olá Galileu,
atores gringos podem até transferir peso e credibilidade para o anúncio, mas não transferem na mesma proporção ao produto. E para o cliente isso é que é importante. Ele vai mensurar, quanto o produto vendeu a mais.
muuuuuuuuuuuuuuito bom texto,
a sacado da ccaa + arnold foi f*** mesmo!
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