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Os terráqueos estão aí também (e são maioria)

4 outubro 2009 6 comentários escrito por tarcizio

publicitario terraqueo thumb Os terráqueos estão aí também (e são maioria)

Ligo o computador e entro no Orkut. Vejo que tá tudo igual à ontem, esqueço o que tinha de fazer na internet e desligo o computador.”

O depoimento acima foi anotado por mim, disfarçadamente, em um ponto de ônibus ao lado de um dos campus da UFBA. A trivialidade da confissão da garota me fez lembrar que, na ânsia de conhecer novas ferramentas, conteúdos e programas, por vezes acabamos esquecendo de dar atenção ao que já é realidade. Google Wave pra lá, Realidade Aumentada pra cá, RFID pra acolá… e o usuário padrão, onde é que fica? E o dono de uma empresa, que não foi convencido sequer que vale a pena “botar um site na internet”?

Freqüento uma disciplina de análise de propaganda como ouvinte na faculdade na qual me formei. Voltei para a cadeira de aluno para ter aula com uma professora que tem anos e anos de experiência em mídia e planejamento de propaganda. Humorada, referiu-se certa vez a alguns dos alunos, que já estão inseridos no incipiente e carente mercado da comunicação digital baiana, como “etzinhos“.

O que a professora queria chamar a atenção, longe de ser uma ofensa, é o fato de que os jovens aficionados por comunicação e internet são os que estão produzindo e se posicionando em áreas mais “novas” da publicidade digital, como mídias sociais, links patrocinados e mobile marketing e ainda são vistos com estranheza por publicitários mais experientes e analógicos. Mas, parte desses “etzinhos” ficam(os) fechados em assuntos “marcianos”, um pouco longe da realidade.

Enquanto a maioria dos (possíveis) clientes brasileiros ainda sequer percebem a importância da internet e querem, quando muito, fazerem o site institucional folder, os “etzinhos” bretões já são maioria: o share de internet na publicidade do Reino Unido superou a televisão e já é o principal meio de investimento publicitário, segundo a IAB. Se essa é uma futura realidade desejável, acho que temos de nos aproximar mais da “Terra”.

A pergunta que faço para quem trabalha e respira comunicação digital, é: quando vamos deixar de ser etzinhos? E como faremos isso? Qual o ponto de equilíbrio entre estar atualizado com as novas possibilidades de novos meios, ferramentas e formatos e também estar cônscio e ativo no uso real e majoritário da internet? O portal morreu? Não. O banner morreu? Não. O Orkut morreu? Não. O depoimento que ouvi acidentalmente me fez refletir sobre o fato de que, para boa parte dos internautas brasileiros, a associação ente internet e Orkut ainda é muito forte. Preciso ser mais terráqueo.

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Tarcízio Tarcízio Silva, 22, é formado em Produção Cultural. Na faculdade se apaixonou por publicidade no Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, passou rapidamente por duas agências soteropolitanas e montou com três amigos uma digital, a PaperCliQ. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.

tarushijio@gmail.com | http://www.tarciziosilva.com.br/blog


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