Os terráqueos estão aí também (e são maioria)
“Ligo o computador e entro no Orkut. Vejo que tá tudo igual à ontem, esqueço o que tinha de fazer na internet e desligo o computador.”
O depoimento acima foi anotado por mim, disfarçadamente, em um ponto de ônibus ao lado de um dos campus da UFBA. A trivialidade da confissão da garota me fez lembrar que, na ânsia de conhecer novas ferramentas, conteúdos e programas, por vezes acabamos esquecendo de dar atenção ao que já é realidade. Google Wave pra lá, Realidade Aumentada pra cá, RFID pra acolá… e o usuário padrão, onde é que fica? E o dono de uma empresa, que não foi convencido sequer que vale a pena “botar um site na internet”?
Freqüento uma disciplina de análise de propaganda como ouvinte na faculdade na qual me formei. Voltei para a cadeira de aluno para ter aula com uma professora que tem anos e anos de experiência em mídia e planejamento de propaganda. Humorada, referiu-se certa vez a alguns dos alunos, que já estão inseridos no incipiente e carente mercado da comunicação digital baiana, como “etzinhos“.
O que a professora queria chamar a atenção, longe de ser uma ofensa, é o fato de que os jovens aficionados por comunicação e internet são os que estão produzindo e se posicionando em áreas mais “novas” da publicidade digital, como mídias sociais, links patrocinados e mobile marketing e ainda são vistos com estranheza por publicitários mais experientes e analógicos. Mas, parte desses “etzinhos” ficam(os) fechados em assuntos “marcianos”, um pouco longe da realidade.
Enquanto a maioria dos (possíveis) clientes brasileiros ainda sequer percebem a importância da internet e querem, quando muito, fazerem o site institucional folder, os “etzinhos” bretões já são maioria: o share de internet na publicidade do Reino Unido superou a televisão e já é o principal meio de investimento publicitário, segundo a IAB. Se essa é uma futura realidade desejável, acho que temos de nos aproximar mais da “Terra”.
A pergunta que faço para quem trabalha e respira comunicação digital, é: quando vamos deixar de ser etzinhos? E como faremos isso? Qual o ponto de equilíbrio entre estar atualizado com as novas possibilidades de novos meios, ferramentas e formatos e também estar cônscio e ativo no uso real e majoritário da internet? O portal morreu? Não. O banner morreu? Não. O Orkut morreu? Não. O depoimento que ouvi acidentalmente me fez refletir sobre o fato de que, para boa parte dos internautas brasileiros, a associação ente internet e Orkut ainda é muito forte. Preciso ser mais terráqueo.
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Tarcízio Silva, 22, é formado em Produção Cultural. Na faculdade se apaixonou por publicidade no Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, passou rapidamente por duas agências soteropolitanas e montou com três amigos uma digital, a PaperCliQ. Escreve para a Casa do galo quinzenalmente, às segundas-feiras.
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Tarcízio Silva, 22, é formado em Produção Cultural. Na faculdade se apaixonou por publicidade no Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais, passou rapidamente por duas agências soteropolitanas e montou com três amigos uma digital, a 







Ótima estreia, Tarcízio. Seja bem-vindo!
[Responder]
Excelente ponto Tarcisio. Mas a gente se dedica para conhecer mais, sempre mais né ? Estamos saindo um pouco do usuario normal para nos aperfeiçoamos cada vez mais e poder oferecer para quem precisar, novas soluções em internet e publicidade nos meios digitais. Entendi o que vc quis dizer, tenho mais de 3 mil msg não apagadas no orkut, o ultimo recado que tive foi de, sei lá, 2 meses atrás… E o orkut é importante pela quantidade de brasileiros que acessa diariamente.
Parabéns pela estreia aqui, muito bom mesmo!!
@idegasperi
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[...] This post was mentioned on Twitter by Lucimara Rett. Lucimara Rett said: Parabéns pelo Texto, Tracízio! RT @tarushijio: Os terráqueos estão aí também (e são maioria) – estréia na Casa do Galo – http://bit.ly/AMgGG [...]
Não é o caso de se tornar mais terráqueo. Cada um tem sua natureza, se me permite continuar sua analogia.
O que falta para muitos é vestir trajes espaciais e sair desta redoma chamada camada de ozônio.
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Obrigada pela citação, rs.
E que bom que compreendeu a minha analogia. Ainda existe muita coisa a ser observada e considerada no mundo analógico. Há uma transição, sim, lenta do ponto de vista mercadológico. Vcs farão a diferença, comedidamente. Gente de fora dessa redoma sequer tem noção do que tem dentro dela. Mas o caminho é esse aí. O convencimento é árduo, gradativo, mas o que “meus” Ets fazem, neste ou em outros planetas é de valor incomensurável. Me orgulho muito de tê-los próximos, mas estou de olho nos pés no chão…
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Por mais que eu não seja fã de Futebol já havia ouvido muitas vezes o ditado “quem não faz, toma”. Mas hoje ele faz mais sentido do que nunca.
E não, eu não virei fã do Bahia. Eu virei publicitário.
É engraçado (e trágico, ao mesmo tempo) ver como funciona a Terra. Quando a Tecnisa vende um apartamento pelo Twitter o telefone toca e o cliente quer fazer um twitter. Quando a odebrecht faz um mobile website o telefone toca e o cliente quer fazer um também.
Os etzinhos apontaram a necessidade de ferramentas como estas (e, geralmente, muitos outras) há mil anos atrás, no planejamento – aqueles mesmo planejamento que fez o cliente torcer o nariz e dizer “Isso é modismo”.
Acho sim que esses profissionais (eu, inclusive) , mas (até os mais bitolados) não estão fora da realidade, estão fora da realidade de hoje, encarando o amanhã (como todo bom planejador aliás, analógico ou não).
Talvez precisemos mesmo ser (um pouco) etzinhos. Quando os clientes brasileiros tiverem a mesma percepção que tenho sobre a máxima universal “quem não faz, toma”, isso pode vir a ser considerado uma virtude ao invés de um defeito.
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