Os fins nem sempre justificam os meios
Quem me acompanha no Sem Rótulo já sabe que eu tenho certa queda por campanhas de conscientização ou de cunho social. Mais ainda quando elas são criativas e fogem do lugar-comum ao invés de ficar batendo sempre na mesma tecla.Navegando pelos blogs da vida, encontrei uma campanha dos “tugas” da Ogilvy Lisboa para a MTV Portugal – e sua instituição de caridade Staying Alive – em prol do uso da camisinha como alternativa de combate à AIDS.



Minha primeira impressão foi algo do tipo: “Nossa! Chocante! Desta vez apelaram demais”. O que me fez levantar as seguintes questões:
1º - A campanha é direta. Será que consegue alertar os jovens que já estão fartos de ouvir sobre camisinha, DST’s e afins?
2º - A campanha é agressiva. Prender a atenção desta forma é benéfico à campanha?
3º - Porque associar apenas o homem como portador da arma?
4º - Relacionando os portadores de Aids a assassinos, conscientiza-se sobre o uso da camisinha?
Talvez agressiva não seja o termo certo. Acho que contundente é a melhor definição para a campanha. Indo direto ao ponto, ela chama a atenção para um problema que atinge mais de 40 milhões de pessoas no mundo e que a maioria não dá quase nenhuma muita importância.
Eu faço parte da geração que aprendeu que devemos usar camisinha e o que é Aids na mesma época que aprendeu a somar e subtrair. Desde então, o bombardeio de informação sobre a prática consciente de relações sexuais têm sido intenso. Dezenas de vezes maior que na época dos meus pais.
O tema “Aids” já é tão difundido que quase todo mundo arrisca a falar que é entendido do assunto. Mesmo que se questionados sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida fiquem com aquela cara bege de “ahn?”.
Diretamente, a campanha foge do simples “Use camisinha” e consegue alertar os jovens. Isso nos leva à 2ª questão.
Direta e agressiva, ela consegue prender a atenção do público. Eu, particularmente, gosto deste tipo de iniciativa. Ainda mais neste caso, onde a agressividade leva um traço de “Acorda mané! A gente não fala pra você usar camisinha à toa”. A agressividade é uma ótima forma de despertar uma reflexão no indivíduo.
Já a resposta da 3ª questão está no final do filme. Segundo o spot, o grupo mais crescente de pessoas infectadas pelo vírus HIV é composto por mulheres heterossexuais com menos de 30 anos.
Mas calma aí. Entendi que a idéia é passar a mensagem de que a camisinha é essencial e a Aids é mortal. Daí a associação com as armas. Mas então quem é portador é assassino e, pela cara dos personagens, têm até certo prazer em propagar a doença?
Tal tratamento, além de discriminatório, é cruel e obsceno. Imaginem a reação da pessoa que herdou o vírus da mãe, ou que porventura foi contaminada mesmo com o uso do preservativo.
Vale tudo para combater a doença ou os fins nem sempre justificam os meios?
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Rafael Amaral, 21, é redator e estudante de publicidade, pronto para encarar o TCC este ano. Escreve para a Casa do galo às terças-feiras.
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minha coluna na Casa do Galo foi sobre a campanha da MTV em prol do uso da camisinha. Coincidência ou não, o CCSP deu uma notícia hoje sobre a nova campanha da Age para os preservativos Olla voltada ao público gay, com o mote “Pela Diversidade Sexual”.
Já o Rafa Amaral, no seu artigo no site Casa do Galo, tem leituras diferentes e interessantes sobre a campanha. De lá que os anúncios deste post foram chupados – só pra manter a linguagem no contexto. agência: Ogilvy, Lisboa
minha coluna na Casa do Galo foi sobre a campanha da MTV em prol do uso da camisinha. Coincidência ou não, o CCSP deu uma notícia hoje sobre a nova campanha da Age para os preservativos Olla voltada ao público gay, com o mote “Pela Diversidade Sexual”.
Rafael, ótimo artigo.
Eu sempre achei que campanhas de conscientização desse tipo deveriam ser bem mais agressivas e chocantes.
No caso de campanha contra as drogas, por ex, por que não mostrar alguém tendo uma overdose?
A contra o tabagismo fizeram algo do tipo, colocando imagens fortes em maços e displays dos cigarros.
Mas imagino algo mais forte!
Campanha excelente.Tomara que não seja barrada por essa onda de censura.
Se liga! O vírus da AIDS foi criado em laboratório, num projeto patrocinado pelos produtores de látex!
Minha finada avó dizia que era uma punição de deus, que a pessoa deveria pagar na terra, etc.
Engraçado que mesmo as campanhas mais chocantes, não surtem tanto efeito como esperado.
Esta contra o tabagismo, por exemplo. Quantas vezes você já não ouviu alguém fazer uma piadinha do tipo: “me vê este do câncer e não o da impotência”?
Por isso acho que elas deveriam ser, talvez, ainda mais fortes.
O negócio é ver na vida real mesmo. Sou a favor de chocar. Pega algum cara em estado terminal, disposto a mostrar para o mundo o estado dele (como foi o caso do cowboy da marlboro. Acho que ai sim rola um choque real.
Galo,
Uhhhhhhhhhhh…
O Amaral acertou agora…
Uau!
É, mandou bem! Valeu pela visita!
abraço,
Tinha um pai que fumava quase um maço de cigarro por dia.
Ele parou por pressão da família e não por causa de propagandas.
Acho a questão de comerciais contra a AIDS muito difícil, pois por uma lado a agressividade (que concordo), porém a censura tem certa razão.Imaginem uma criança assistindo esse comercial?
Não seria mais eficaz uma campanha mostrando a grande importância que a família tem?
Achei bastante interessante, mas também pegou pesado em relação ao homem atirar na mulher. Poderia ser ao contrário também.
Me gusta mucho tu site aqui. esta fantastico. Sigele de frente mi amigo.
Hola Lily,
Gracias!
TB acho que pra dar consciência tem que chocar.
Meu cunhado vivida dizendo:
- Pra aprender, tem que doer!
Certissimo!
Aqui em salvador, teve algumas pessoas nao gostaram, eu gostei.
Veja:
http://www.viamidia.com.br/blog/media/Imagem283.jpg
Eskeci deste tb:
http://www.viamidia.com.br/blog/media/Imagem286.jpg
http://www.viamidia.com.br/blog/media/Imagem285.jpg
Bacana! Eu gostei.
Mas vai saber a reação de quem está “tomando a bronca” da peça…
Eu gosto desse choque tb!
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