O velho Rosa tinha mesmo razão: tudo é, e não é

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Fico pensando em como o pronome EU e suas variações oblíquas são bastante recorrentes no meio publicitário. Diz-se: Porque MEU anúncio; Viu o anúncio que EU fiz?; Puxa vida, o outro mexeu no MEU anúncio, enfim, falas como essas todos nós já ouvimos aos borbotões, não é mesmo?
Numa arte, e cogito a partir de algumas leituras feitas por mim, a possibilidade de tratar a publicidade como tal, em que o trabalho é feito de modo COLETIVO – em reuniões de criação, em pitacos dos colegas reunidos em torno da sua máquina, dizendo sobre a tipografia ou sobre a cor que voce usou de fundo, sobre o título que não tá legal, enfim, por tudo isso – a publicidade jamais pode ser somente vista apenas pelo ponto de vista de um EU, mas sim do COLETIVO. Num anúncio premiado, por exemplo, estão presentes os nomes de todos que participaram do trabalho na ficha técnica, então pergunto: pra que tanto EU, EU, EU?
Na literatura, Maurice Blanchot, ilustre pensador francês, já vaticinava a morte do autor. Isto é, o desaparecimento de um gênio e o reconhecimento de sua obra como o produto de sua experiência como ARTISTA, nada mais que isso. Blanchot acreditava que a partir de um convite ao apagamento, é que deixamos de ser EU e passamos a ser parte de nosso trabalho. Tal atitude coletiva é tão cara aos tempos de hoje, que a própria internet, a rede mundial de computadores, é fruto de um COLETIVO.
Ao contrário do que se possa pensar as coisas não estão separadas, tudo está junto no mesmo liquidificador a que chamamos vida. E a soma de vários EU’s, em vez da subtração, pode nos fortalecer e contribuir para que sejamos cada vez melhores: é assim na literatura, na publicidade, na vida.
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Lenise Regina, 30, está redatora publicitária até o próximo anúncio, quando então seu chefe descobrirá que "Lenise" é um pseudônimo e que "Regina" é apenas um desejo antigo de nobreza; sendo assim, ele não hesitará em lhe dar um pé na bunda e revelar-lhe-á que a monarquia no Brasil foi extinta desde 1889. Escreve para a Casa do Galo quinzenalmente às segundas-feiras.
leregina@gmail.com | http://www.nimboblog.wordpress.com
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Lenise,
Ego, sempre o ego.
É isso ai…tem que ser “nois junto e misturado”!
Como o Galo já disse, é o cEGO…
Gutos’s last blog post..Eis As Crianças do Nosso Futuro
Belo texto.
Lembram-se do artigo “Côncavo e Convexo” da Piauí #12?
Rafael Amaral’s last blog post..O blog mudou. Mude também.
Uia, não lembro. Vou ver!
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Não é de hoje que o tema gera polêmica, a publicidade é ou não arte? Uns pensam que sim, outros têm certeza que não. Eu fico com os que pensam que não. Isso não quer dizer que não valorize a profissão ou o trabalho que nela desenvolvemos. Penso só que arte é outra coisa.
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